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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Ciclo de Debates: Uma Política para o Território e para as Pessoas



A candidatura de Lino Tavares Dias à Câmara Municipal de Marco de Canaveses vai organizar um ciclo de debates com o propósito de aprofundar e partilhar uma “Política para o Território e para as Pessoas”. Esta iniciativa consistirá numa série de debates – complementados por visitas in loco – que se debruçarão sobre temáticas consideradas estruturantes no processo de construção de um projeto político para o Marco de Canaveses. A deslocalização dos eventos e proximidade com a população são também condições basilares da iniciativa, procurando discutir de modo personalizado e realista os problemas e as visões dos marcoenses. Através da discussão pública e dos contributos de especialistas pretende-se otimizar respostas para seis perguntas fundamentais. São elas:
Primeira: O que estamos a gerir em 2013?

Segunda: O que se pretende para o território e para as pessoas?

Terceira: Que políticas transversais devemos desenvolver neste território?

Quarta: Que políticas transversais devemos desenvolver para as pessoas que usam este território?

Quinta: Que políticas sectoriais podemos aplicar a curto, médio e longo prazo, para desenvolver e melhorar o que temos?

Sexta: Como gerir com inovação?
Projetar uma Política para o Território e para as Pessoas,  consiste na ousadia de desenvolver leituras estratégicas que valorizem as suas capacidades identitárias. Estes debates são contributos para a construção participada da estratégia política, assumindo a prioridade de valorizar as Pessoas, não só porque é fundamental para o seu desenvolvimento, mas também porque tem efeitos na economia regional e na empregabilidade.
Convidamos todos os marcoenses a participar e contribuir para a construção deste projeto político para o Território e para as Pessoas.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Política Avulso - Projetos Avulso

Projetos Avulso
Numa pequena visita pelo site da Camara deparamo-nos com uma panóplia de Projectos futuros, uns já executados outros prontos para execução.
Quem não conhecer a realidade do concelho poderá pensar que estaremos na presença de um executivo com visão de futuro que terá grandes e valiosas obras pensadas, mas após uma pequena pesquisa infelizmente deparei-me com o contrário.
Resumo da pesquisa.
 No decorrer desta pequena visita fiquei com a sensação que o site da câmara se teria tornado num site imobiliário, pois existem alguns projectos privados que estão a ser promovidos com pompa e circunstancia nos projectos de futuro desta autarquia.
 O que é que nós ganhamos com essa promoção?
Porque é que o projecto da Casa de Quintã ou o Projecto Douro - Carrapatelo estão no site e por exemplo a requalificação das Caldas de Canaveses não está?
Outro pormenor que reparei foi a quantidade de escolas que estão previstas para o Marco e curiosamente projectadas pelo mesmo gabinete?
Quem pagou isso, quanto custou, quem foi convidado a dar preço e por fim quem os convidou?
Quanto aos projectos de futuro há três deles que faço questão de falar: Centro Escolar de Fornos,  Centro Escolar de Soalhães e Biblioteca Municipal.
Os poucos conhecimentos de urbanismo que tenho fazem-me pensar se localizar uma escola num dos locais mais movimentados da cidade deverá a melhor solução. Onde estão previstos os estacionamentos para os utilizadores deste espaço? Os pais terão de deixar as crianças a cerca de 100 metros da entrada principal do edifício (no famoso Caminho do Lapoceiro),?Onde estão as vias de acesso a viaturas prioritárias (os bombeiros estão perto, mas mesmo assim existe legislação a cumprir)?
Para este são poucas as questões.
Se o executivo não tem nem nunca teve intenção de fazer esta obra, qual o porquê de comprar um terreno e fazer um projecto a preço de ouro?
Para quando?
Este é um daqueles processos que anda de gaveta em gaveta, mas que alguém se gaba de ter resgatado, mas na prática continua tudo igual.
Será que na biblioteca já existe um Código Civil ou uma Constituição da República Portuguesa atualizado?
Será este o futuro que se avizinha, quero acreditar que algo melhor se avizinha.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Quais as razões porque sou candidato em Marco de Canaveses? por Lino Tavares Dias


Sou arqueólogo há mais de trinta anos.

Um dia, em 1980, fui desafiado a vir do Porto até uma pequena aldeia do Marco de Canaveses, para analisar um sítio onde diziam aparecer “trastes antigos”.

Alguns dias depois, foi com naturalidade que iniciei escavações arqueológicas num lugar aparentemente inóspito dessa aldeia com o topónimo Freixo.

Os trabalhos de investigação nunca mais pararam até hoje. Na aldeia do Freixo foi sediado o laboratório, embora o estudo tenha sido ampliando aos concelhos envolventes, incluindo os da margem esquerda do rio Douro.

Um dia, corria a primavera de 1989, um amigo percorreu comigo as ruínas de Tongobriga, cidade romana que a minha equipa continuava a desenterrar no Marco de Canaveses.

No dia seguinte, esse meu amigo (Luís Varela) ofereceu-me um poema a que deu o título:

AS MÃOS DO ARQUEÓLOGO
Trazem-nos o sol doutros séculos,
Outra luz, pequenos hábitos, rituais.
Revolvem memórias, desvendam
Matérias, leem a vida
De que só tínhamos os sinais.
Vão por dentro do tempo:
Perscrutam as vozes adormecidas
Onde aprendemos a nossa voz.
Escrevem um poema de areia fina
Sobre a cidade que há no futuro.

Neste poema estão evidenciados, de forma implícita, os desafios que me levaram a aceitar o convite do partido Socialista para me candidatar no Marco de Canaveses, cerca de 33 anos depois de aqui ter começado a trabalhar.
No poema que o meu amigo escreveu,
Está o tempo – está a vida do homem ao longo dos séculos, a maturidade
Está a luz - o conhecimento,
Está o homem no seu quotidiano, nos hábitos, na crença de cada um e nos ritos coletivos que procura nas religiões.
Está a memória. Todos nós gostamos de estar bem de memória e de bem com as memórias.
Está a reflexão indispensável ao bom senso porque perscrutamos, escutamos e lemos os testemunhos e os exemplos ao longo dos séculos que nos ajudam a pensar.
Está a experiência da observação que nos permite ter opção de gosto - ser bonito ou feio.
Tudo isto é importante porque o conhecimento e a experiência ajudam a melhorar a nossa voz.
Mas esta aplicação do conhecimento e da experiência é assumida como poema escrito em areia fina, o que é uma salvaguarda inteligente, porque todas as propostas feitas pelo homem são por natureza temporárias, frágeis, com certezas sujeitas a retificações e a alterações mais ou menos subtis.
É a natureza da fragilidade da vida que nos exige que a respeitemos muito, e que, por mais milenar que ela seja, nos aconselha a recusar a existência de homens providência que nunca se enganam e raramente têm dúvidas.
E a materialização das ações deve ser na cidade que há no futuro, não só assumindo a cidade como sinónimo de território organizado mas também, e principalmente, como espaço e modelo em que o cidadão, assumido como indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos, exerce a cidadania e, ao fazê-lo através do voto, está a intervir no futuro.
Ou seja, todo o trabalho de estudo, de investigação, de reconhecimento das estratégias milenares aplicadas ao território é interessante, mas só será importante se tiver perspetiva de futuro, se lançar desafios e se permitir lógicas prospetivas que suportem simultaneamente estratégias para as Pessoas e para o Território.

Ao longo de mais de três décadas tenho incidido o trabalho como investigador sobre um território vasto em que também se insere o Marco de Canaveses, mas que vai para além dele, indissociável de Montemuro e do Marão, do Tâmega e do Douro, assumindo a bacia do rio Douro, desde a nascente em Castela/Leão até à Foz.
A importância geoestratégica que este território teve desde a presença romana, desde há 2000 anos, é fundamental para percebermos melhor as dinâmicas e os desafios dos nossos dias. E, podem crer, é mais fácil desenvolver políticas quando conhecemos bem as fases e etapas da lenta construção destas paisagens, destes territórios milenares em que os rios servem como verdadeiras espinhas dorsais,
Se este é um território sobre o qual houve preocupações na antiguidade, atualmente deve ser um espaço entendido como suporte de pensamento, de investimento e até de inovação
Este é, também, um território que induz a internacionalização. Se é vulgar assumir-se a relação com a Galiza, neste caso facilmente suportada pelas estradas romanas e medievais que serviram as peregrinações a Santiago, e que continuam a poder ser percorridas, também a bacia do rio Douro induz a relação de proximidade com Castela/Leão.
Temos em evidência os valores patrimoniais que suportam esta leitura cultural do território e que potencia o turismo.
O Marco de Canaveses e a envolvência em que se integra, tem que ser um espaço em que se assuma, como prioridade, o respeito pelo Território e pelas Pessoas que nele nasceram, que nele crescem e envelhecem, que o usam para trabalhar ou para mero ócio.
Neste território, como em muitos outros, reconhecem-se contradições, mas também se reconhecem fortes valores identitários, determinantes em qualquer estratégia que se pretenda desenvolver na vida privada e na vida pública.
Há que valorizar o Território porque atua como elemento gerador de imagem e de reconhecimento de identidade
Há que valorizar o Território como suporte da Economia porque é este, com as Pessoas que o constroem e usam, que gera oportunidades de negócio e assim, converte-se em lugar de emprego e de atratividade.
Há que valorizar o Território como valor social porque é nele e sobre ele que se desenvolvem todos os projetos que contribuem para melhorar a qualidade de vida da população, desde a criança até ao idoso, desde o presunçoso ao humilde.
Procurei desenvolver alguns destes desafios durante os anos em que assumi para toda a região norte, a coordenação dos investimentos da cultura durante o III quadro comunitário, entre 2000 e 2006. Já então foi um desafio bonito e com ele aprendi muito.
Agora, em Fevereiro de 2013, decido aceitar o desafio da candidatura porque sinto que o momento é oportuno. Estamos numa altura em que a conjuntura económica já não sustenta o investimento megalómano de crescimento da rede urbana e, por isso, o proveito reside agora em passar à ação política de responsabilidade, de requalificação e de reutilização. Os próximos anos desafiam-nos a refletir sobre o novo quadro comunitário de apoio, um horizonte para 2020. Mas 2020 é já amanhã e, por isso, temos que pensar mais longe.
Sei que a arte de bem governar andou sempre ligada à arte da poupança.
O povo ironiza, mas aprecia. No poupar é que vai o ganho, dizem há muito tempo. O talento do pé-de-meia ainda grangeia respeito.
Mas há coisas em que não vale a pena passar necessidades. Não se adianta nada em economizar nas ideias. Quando existem, é usá-las. E, sempre que possível, as próprias.  
Assumir estas perspetivas parece-me coerente, não só porque conheço a capacitação endógena do território do Marco de Canaveses, mas também porque reconheço as qualidades das populações.
Para além de tudo isto, há um plano de orientação das políticas autárquicas que a Federação Distrital do Porto do Partido Socialista desenvolveu como suporte específico para a região do Baixo Tâmega e Vale do Sousa.
Agora, o empenhamento e o saber das Pessoas no Marco de Canaveses e a ajuda das estruturas concelhias, farão a alavancagem desses suportes e valorizarão a participação cívica com os seus próprios contributos.
Por tudo isto, agora, com 61 anos, com carreira longa nos quadros da administração pública, tendo concluído todas as provas académicas, desde a Licenciatura nos anos setenta, à Agregação em 2012, passando pelo Doutoramento terminado em 1995 (sempre na Universidade do Porto), senti que devia responder ao desafio de cidadania que me foi feito, com extrema cordialidade, por gente de bem.
Esta é, também, uma luta de cidadania assumida contra o silêncio. Nada é mais eloquente e perturbador que o silêncio. E, no entanto, nenhum outro ruído é tão inquietante como aquele que sobra das palavras que se não dizem.
Temos que quebrar os silêncios e salientar as nossas capacidades como povo, como gente, afirmar os lugares, as potencialidades e os recursos que nos dá a Terra-mãe e as suas gentes.
Terra–mãe e Gente que tornam o Marco de Canaveses num território desafiador, com atratividades identitárias que devem ser salientadas em qualquer plano estratégico.
Se, por exemplo, a serra da Aboboreira nos desafia a articular e complementar políticas com Baião e Amarante, em simultâneo, no Marco de Canaveses somos desafiados a desenvolver polos de atratividade sociocultural e económica como, por exemplo, aquele que é afirmado pelo granito e pelo extraordinário trabalho milenar dos pedreiros, suportado no conjunto constituído pelo Monte de Arados (com mais de 2000 anos de habitação humana), mas também pelas terras baixas com solos de boa qualidade onde foi construído (e tal não foi por acaso) há cerca de 1000 anos o estratégico mosteiro de Pendurada (ou Alpendurada) e, ainda, pelas evocações do trabalho na pedra que continua a fazer-se no século XXI e que, por isso, exige estratégias para que seja colocado nos mercados mundiais.
Do mesmo modo somos desafiados pelo polo de atratividade suportado no urbanismo da mais antiga capital do território, a cidade romana de Tongobriga, já então apoiada pela riqueza dos vales irrigados, nomeadamente do rio de Galinhas, cuja senhorialização, séculos depois, ali deixou a exuberante casa agrícola dos Arcos, contrastando com a singeleza da igreja local e com o que isso representa na análise social do território.
 Mas, em contraponto dessa singeleza, é neste polo de atratividade que integro a Igreja de Santa Maria, afirmação do final do século XX e desafio de pensamento do século XXI.
Temos também que reconhecer a atualidade que representa para a economia regional a travessia estratégica que desde o século II d.C. ligava a capital Bracara Augusta a Emérita Augusta (hoje na estremadura espanhola). Esta estrada marcou Quires com um povoado denso há 2000 anos e depois o mosteiro beneditino reorganizou aquele bom espaço agrícola, até que Vila Boa de Quires se impôs.
A mesma estrada obrigou à construção há 1900 anos de uma ponte em granito sobre o Tâmega, para além de servir e impulsionar as terras de Sunilanis, ou de Soalhães, já desde então comprovadamente ligadas ao mundo da latinidade.
Hoje, esta estrada seria considerada de interesse estratégico europeu.
Curiosamente, estas terras de Soalhães e Quires continuam a estar no mesmo eixo que liga aos itinerários principais que ajudaram a tornar os quilómetros mais rápidos, aproximando ao Aeroporto de Pedras Rubras, a Leixões, também ao Porto, à Galiza, a Castela.
E, se estes quilómetros são agora mais rápidos, espero que o mesmo aconteça com o caminho-de-ferro, pois, então, tudo será diferente para as pessoas e para a economia das zonas do Concelho que são servidas pelo comboio.
Estes são apenas alguns apontamentos que suportam o pensamento com que procurarei inovar a abordagem ao Território e às Pessoas.
Quero acreditar convictamente que tal é possível.  
São estas, genericamente, as razões porque sou candidato em Marco de Canaveses.
Em síntese, retomando o poema inicial.
Desejo que AS MÃOS DO ARQUEÓLOGO não só tragam o sol doutros séculos mas também contribuam para melhorar a vida que há no futuro.
Lino Augusto Tavares Dias
18 Fevereiro 2013

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Lino Tavares Dias proposto para candidato do PS à Câmara do Marco


O Professor Lino Tavares Dias é o candidato proposto pelo Secretariado Distrital do PS para a Câmara Municipal do Marco de Canaveses. A escolha foi sufragada, por unanimidade, na reunião da noite de ontem do Secretariado Distrital e culmina o impasse vivido quanto ao processo de escolha do candidato, nas estruturas locais do partido.

Em face dos factos, o presidente da Federação Distrital, José Luís Carneiro, encetou um processo de diálogo e concertação de pontos de vista e perfil do candidato com o presidente da Comissão Política Concelhia do Marco de Canaveses, a par da auscultação das várias sensibilidades existentes e tendo ainda em linha de conta a circunstância de o nome proposto em anteriores votações da Comissão Política Concelhia – Artur Melo - reconhecer “não ter condições para ser candidato”. Assim sendo, a escolha do candidato do PS recaiu no nome de um ilustre académico, com reconhecidos méritos e gestão da causa pública, quer enquanto ex-diretor regional do Norte do Instituto Português do Património Arquitectónico (entre 1998 e 2006), quer enquanto coordenador da Medida de Cultura do Plano Operacional da Região Norte do III Quadro Comunitário de Apoio – 2000-2006.

Lino Tavares Dias é, como investigador e estudioso, uma personalidade com fortes ligações ao concelho, tendo liderado as escavações (com início em 1980) da área arqueológica do Freixo Tongobriga, uma cidade romana classificada como monumento nacional.

O agora proposto candidato do PS à autarquia do Marco de Canaveses foi ainda o responsável pela elaboração do conceito de “paisagem milenar”, que hoje orienta a aplicação dos fundos do PRODER na região do Baixo Tâmega, consubstanciando uma escolha de reconhecido mérito, que o Partido Socialista quer apresentar ao eleitorado concelhio.

O candidato proposto pelo PS à Câmara Municipal do Marco de Canaveses é o quarto independente escolhido para liderar listas autárquicas, logo a seguir à Póvoa de Varzim, Paços de Ferreira e Paredes.

Agora, após aprovação unânime do Secretariado Distrital, a Comissão Política Concelhia será chamada a pronunciar-se, definitivamente, sobre o candidato Lino Tavares Dias.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A Reforma Pavor (feita a Vapor)

"o mais corajoso homem entre nós tem medo de si próprio."
 
Oscar Wilde in " O Retrato de Dorian Gray"

E pronto... Está feito! Foi na 4ª feira passada promulgado pelo Presidente da República o diploma que define a Reorganização Administrativa (RA). Com os recados do costume, no estilo "estou a avisar, mas mais que isso não faço", mas foi aprovado. Desconheço a realidade do restante país. Conheço a do Marco Canaveses. É sobre essa que quero falar, deixando as minhas impressões do processo no nosso concelho:

1. O nosso concelho irá ser composto por 16 freguesias - mas não perdeu 15. O número a mim pouco me diz, a mim interessa-me mais a razão por detrás deste número.
 
2. Manuel Moreira, munido da sua perspicácia política, decide, logo à partida delegar responsabilidades à Assembleia Municipal e a uma putativa comissão que esta criasse (e criou). Moreira olha para esta reorganização não como uma oportunidade, mas sim como uma bala. Um projétil capaz de criar sérios danos na sua imagem. O contexto era favorável: a culpa é do Sócrates e, eventualmente, da Troika, as condições políticas no concelho as melhores (maioria absoluta na Assembleia Municipal), os meios existiam (técnicos da Câmara Municipal como nunca houve antes, atores políticos experientes) e os argumentos também (a necessidade da reorganização é evidente, não o vou discutir aqui pois já o fiz antes).
 
3. Astúcia política. Sim, até ao dia da Assembleia Municipal Extraordinária (momento em que o município conclui as suas responsabilidades no processo). Não, após esse momento! Até esse dia existia o vazio e a perspetiva de o preencher. Depois desse dia foi evidente: Manuel Moreira EXIMIU-SE das suas responsabilidades. Moreira disse "NIM" à RA. Manuel Moreira teve medo dos marcoenses, das suas opiniões, dos seus julgamentos. Manuel Moreira preferiu não emitir opinião a ser um elemento ativo no processo. PAVOR... Ou será que não?
 
4. Será que não? Porquê?! Como muitos saberão a JS Marco organizou um Ciclo de Sessões Esclarecimento para e por todo o concelho com o objetivo de aprofundar o debate em torno desta questão.

(MOMENTO HILARIANTE FOI AQUELE EM QUE MANUEL MOREIRA FALOU NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DA NOSSA INICIATIVA COMO UM ELEMENTO NA AGENDA DA CÂMARA MUNICIPAL PARA ESCLARECER A POPULAÇÃO. NEM PARA ISSO HOUVE CORAGEM NESTE SENHOR, CORAGEM QUE NÃO LHE FALTOU PARA MENCIONAR A NOSSA INICIATIVA)

 5. Ao longo dessa iniciativa foi possível constatar um PS Marco, representado por Agostinho Sousa Pinto (e Artur Melo na 1ª sessão), e um PSD Marco, representado por Rui Cunha Monteiro, disponíveis para debater o assunto, em consonância em diversos momentos, com uma postura construcionista. Foram sessões profícuas, muito devido à prestações destes convidados. A ambos o meu profundo agradecimento.
 
6. As sessões de esclarecimento levavam a pensar que estes partidos estariam disponíveis para dialogar e conseguir a melhor solução para os marcoenses. Ao mesmo tempo que a JS Marco trabalhava no sentido de conseguir o melhor para os marcoenses, a Comissão criada por António Coutinho paratrabalhar no assunto NADA FAZIA. Foram cerca de 7 meses sem reunir, debater ou avançar.
 
7. Posteriormente António Coutinho apresenta uma proposta de Reorganização Adminstrativa como base de trabalho, porém recusa a sua paternidade. A Comissão responsável desconhecia a mesma. Todavia ela nasceu e ALGUÉM A CRIOU. Aqui entra novamente o PAVOR de Manuel Moreira. Com estes episódios quebra-se, irreversivelmente, o clima de diálogo que houve até Fevereiro na Comissão e até Julho nas Sessões da JS Marco.
 
8. Entrando agora no campo hipotético e, portanto, falível e pouco fiável apresento a minha teoria perante o decorrer dos acontecimentos:

MANUEL MOREIRA COM RECEIO DO IMPACTO NEGATIVO DA RA QUEBRA  O CLIMA DE DIÁLOGO ENTRE OS PARTIDOS PARA, POSTERIORMENTE, MANDATAR ANTÓNIO COUTINHO A APRESENTAR UMA PROPOSTA MENOS INCISIVA, LOGO MENOS NEGATIVA PARA A IMAGEM DO EXECUTIVO. COM CONTROLO ABSOLUTO DA SITUAÇÃO MANUEL MOREIRA NEGOCEIA ESTA PROPOSTA NO SEIO DO SEU PARTIDO E EXECUTIVO E DÁ O AVAL À PROPOSTA FINAL APRESENTADA PELO PSD NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL EXTRAORDINÁRIA, FAZENDO APROVAR A PROPOSTA COM UMA SUPOSTA "LIBERDADE DE VOTO" DOS DEPUTADOS SOCIAL DEMOCRATAS. MANUEL MOREIRA CONSEGUE O SEU DESÍGNIO DE MINORAR O IMPACTO NEGATIVO DO PROCESSO NA IMAGEM DO EXECUTIVO E, CONCOMITANTEMENTE, FAZER PASSAR A SUA PROPOSTA.

9. Será isto PAVOR? Manuel Moreira, a meu ver, fez aprovar uma proposta que lhe agrada. Não sei qual o adjetivo para alguém que apresenta uma proposta às custas de outros (Rui Cunha Monteiro e António Countinho), nem quero com isto insinuar o que quer que seja acerca de Manuel Moreira, gostaria apenas de saber a leitura dos acontecimentos por parte de outras pessoas: qual o adjetivo para esta atitude de oferecer o corpo de outrém às balas dirigidas a si?
 
10. Conclusão: Uma proposta de RA FRACA, INCOMPLETA, SEM FUNDAMENTO TÉCNICO E COM INCOERÊNCIAS POLÍTICAS CLARAS (penso que a maior coerência deste novo mapa foi a aglomeração de freguesias onde candidaturas independentes/AFT venceram com freguesias onde o PSD venceu em 2009).
 
11. Quem mais ganha com isto? Manuel Moreira pois consegue aprovar uma proposta do seu agrado sem que se tenha pronunciado acerca de NADA; O PSD Marco pois concretiza agregações estratégicas no plano político.
 
12. Quem mais perde com tudo isto? Os MARCOENSES que vêem concretizada uma RA DEMASIADO MÁ e que permite a manutenção da gestão autárquica com base nas "capelas", isto é, no poder de alguns nas freguesias, ainda sem dimensão para exigir um constante debate em torno dos assuntos mais importantes; os JOVENS MARCOENSES que vêem com esta proposta limitada a possibilidade de desenvolvimento de mais eficientes e potenciadores modelos de gestão autárquica para o futuro, tal como lhes é limitada a possibilidade de no futuro fazer algo melhor pela gestão administrativa (surgirá o argumento "já foi feita uma reforma administrativa há poucos anos"); Rui Cunha Monteiro pois foi a ele que coube a árdua tarefa de apresentar a proposta na Assembleia Municipal (o meu humilde reconhecimento pela coragem e verticalidade com que o fez).

13. Acredito que os jovens, os futuros responsáveis pela gestão autárquica terão a serenidade, a coragem e a lucidez para, em momentos vindouros como este, conseguir soluções onde os SUPERIORES INTERESSES DO MARCO DE CANAVESES E DOS MARCOENSES sejam defendidos e colocados a um nível de preponderância inigualável... Ao contrário do que se passou com esta Reforma Pavor (feita a vapor).
 
Muito mais haveria a dizer acerca do assunto, muito mais e melhor deveria ser feito... Ficará para umas boas conversas de café. Termino sublinhando o enorme orgulho que tenho quando afirmo que a JS Marco Canaveses esteve, a meu ver, à altura dos acontecimentos, tendo procurado, no momento em que é esperado que os eleitos se excedam, criar espaços de diálogo, tendo construído pontes de comunicação, tendo aproximado os marcoenses do debate e dos responsáveis pela decisão e tendo, mais que tudo, tido a coragem de assumir a sua posição de forma clara e inequívoca com uma ÚNICA COISA EM MENTE:
 
CONSTRUIR UM MELHOR MARCO DE CANAVESES.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A eterna desculpa de Manuel Moreira

Os anos podem passar, as condições podem mudar, mas há algo que permanecerá igual: a desculpa constante de Manuel Moreira com o passado. 


De facto, a dívida que o actual presidente da Câmara Municipal do Marco de Canaveses herdou, não pode ser esquecida. As condições não foram (nem são) fáceis. No entanto, há que destacar que a desculpa do passado não serve para tudo. 



Já lá vão quase oito anos desde a tomada de posse e muito pouco mudou. Se antes éramos já um dos concelhos mais atrasados do país, agora essa condição agravou-se. De acordo com um estudo elaborado pela Universidade da Beira Interior, somos agora o 12.º pior município do país para se viver (ver aqui), entre os 308.



E há problemas que são bem conhecidos dos marcoenses: a reduzida cobertura da rede de água e saneamento (uma das mais baixas do país), a falta de dinâmica da economia concelhia, as ligações ferroviárias entre a cidade e a estação de Caíde (Lousada), a destruição da linha do Tâmega, a inexistência de uma política de mobilidade interna, uma falsa agenda cultural...


São só alguns exemplos do que sente a população que cá vive. Há acções e iniciativas para as quais pouco ou nenhum dinheiro será preciso, mas a vontade de fazer parece tão pouca que chega a causar vergonha alheia. 


Precisamos de uma câmara municipal mais aberta, de um presidente que sinta diariamente todos estes problemas, que tente fazer mais e melhor. Não precisamos de festas, não precisamos de falsas promessas, não precisamos de obra para inglês ver. Precisamos sim de mais trabalho, de coisas que por mais pequenas que possam parecer, acabem por fazer toda a diferença. 



Não precisamos que nos mintam. O Marco não tem turismo ou uma boa qualidade de vida. Mas podia ter. A culpa não é toda sua, senhor presidente, mas vai ter de concordar, já podia ter feito bem melhor.



E se o passado não pode servir para Manuel Moreira se desculpar perante os marcoenses, também o futuro não o poderá ser. Isto porque por aí tem surgido (novamente) o medo do regresso de Ferreira Torres. E, tendo isso em conta, muitos já se aproveitam do facto para não deixar fugir o "voto útil". 



Voto útil será aquele que rompa com o passado. E do passado já faz parte o actual presidente... Por muito que ele se esqueça disso. 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Quem quer ser presidente da Câmara?

"Candidatos procuram-se", li num destes dias por aí, numa referência ao mistério que teima em permanecer quando se fala em candidatos à Câmara Municipal do Marco de Canaveses. 

Numa altura em que por todo o distrito já existem candidatos aos vários executivos para as autárquicas deste ano, no Marco paira a dúvida (e o medo), mais uma vez. Se já é dado como certo, para alguns, que Avelino Ferreira Torres tentará novamente a sua sorte, o mesmo não poderá ser dito acerca dos possíveis adversários.

Certo e sabido é que Manuel Moreira tem dois grandes amores: o Marco de Canaveses e o concelho onde reside, Vila Nova de Gaia. Continuará o actual presidente apostado em fazer a "mudança tranquila" no interior do distrito, ou rumará ao litoral?

Com certeza, as decisões estarão tomadas de ambos os lados, mas ainda nada é oficial. 

Do lado do PS, seria interessante, pela primeira vez, perceber se existe vontade política de uma união à esquerda. Há, certamente, vontade disso também por parte de muitos comunistas e também socialistas.

No entanto, o PS saberá indicar, seguramente, o melhor candidato e o que melhor servirá a população marcoense.

Afinal, quem quer ser presidente da Câmara Municipal do Marco de Canaveses?

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Inauguração PR3 MCN "Caminho do Rio"

Foi inaugurado no passado dia 17 de Junho o terceiro percurso de Pequena Rota no concelho do Marco de Canaveses. Este percurso ligou o Parque de Merendas de Montedeiras à praia Fluvial de Vimeiero em Sande, estendendo-se por 9,5 km. A Associação de Amigos do Rio Ovelha foi um dos elementos da organização (a par com a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia de Sande) e disponibilizou no seu blogue - que podem consultar no conjunto de ligações, do lado esquerdo, do nosso espaço - o vídeo relativo à ocasião.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

O POVO faz toda a diferença III

As ligações ferroviárias para o Marco de Canaveses representam um serviço essencial ao desenvolvimento da nossa comunidade, ajudando a esbater diferenças entre o litoral do distrito, com índices de desenvolvimento superiores, e a zona mais interior do mesmo. Este serviço é, de facto, basilar, não apenas para a comunidade marcoense mas também para os concelhos circundantes, visto que esta representa uma oferta de mobilidade valiosa, sustentável e eficiente. É, aliás, surpreendente o argumento que a CP utiliza da inviabilidade financeira da ligação Marco - Caíde, uma vez que esta se verifica apenas porque a eletrificação da linha não foi ainda concretizada. Neste ponto em particular, não posso deixar de atribuir parte da culpa aos governos socialistas, uma vez que esta é uma promessa política que remonta já a 1997, não isentando, por isso, também os governos social-democratas. É importante, todavia, salientar um aspeto central nesta contenda marcoense: nunca o anterior governo [socialista] colocou em causa a ligação ferroviária urbana Marco - Caíde, ao contrário do que está, atualmente, em cima da mesa, pelo que não se compreende as injúrias sucessivamente concretizadas pelo atual executivo camarário e pelo PSD Marco.
Importa então clarificar alguns aspetos de todo este processo, de forma a situar os marcoenses, conferindo uma noção mais exata da matéria:

1. Está, neste momento, em negociação a alteração de algumas ligações, nomeadamente o ajuste de horários do serviço inter-regional, entre a CP e a Comissão de Utentes; as ligações que estão em estudo são as abaixo indicadas.


2. A CP propôs o usufruto dos comboios inter-regionais a tarifas urbanas, isto é, mais económicas, de forma a não prejudicar a população pela supressão e ajustamento das ligações atualmente existentes.

3. Deverão ser mantidas 90% das ligações Marco - Caíde, ou seja, serão suprimidas apenas 4 a 5 ligações, de acordo com o volume de utilização das mesmas, diminuindo, deste modo, o impacto negativo da medida;

4. Estes ajustes serão concretizados caso - ISTO É IMPORTANTE - seja assegurada a concretização da eletrificação da linha ferroviária até ao Marco de Canaveses. Quer isto dizer que o SERVIÇO APENAS SE MANTERÁ CASO O GOVERNO ASSUMA O COMPROMISSO DE ELETRIFICAR A LINHA FERROVIÁRIA.

5. Caso NÃO SEJA ASSUMIDO O COMPROMISSO DE ELETRIFICAÇÃO DA LINHA FERROVIÁRIA o serviço de ligação Marco - Caíde TERMINARÁ.

6. A decisão de eletrificar a ligação ferroviária Marco - Caíde é da competência da tutela das empresas CP e REFER (o investimento nas infra-estruturas deve ser feito pela REFER e não pela CP), assim sendo, a decisão cabe ao Secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro (tal como já havia indicado aqui).


7. Este é o momento de aguardar pela decisão do governo relativamente a esta questão, tendo presente que foram reprovadas recomendações do PS e do BE para a eletrificação e aprovada a recomendação, no mesmo sentido, do PSD.

À luz destes factos, é perentório assumir que esta é uma luta que não foi ainda vencida. Os marcoenses conseguiram vencer a batalha da supressão das ligações ferroviárias, de forma temporária, uma vez que, caso não avance a eletrificação, essa vitória terá sido em vão. Não podemos dar a luta por vencida até estar concretizada a eletrificação. Os marcoenses não podem deixar este assunto cair no esquecimento, sob a ameaça de não o conseguirem, caso seja demasiado tarde, reavivar.

Aguardam-se mais desenvolvimentos acerca deste assunto, sendo certo que a JS Marco Canaveses dará conta de todos os avanços e novidades, partilhando com os marcoenses as informações que tão fulcrais são para o seu quotidiano. ESTIVEMOS, ESTAMOS E ESTAREMOS SEMPRE do lado dos marcoenses nesta e noutras lutas, por isso asseguro-vos... PODEM CONTAR COM A JS MARCO DE CANAVESES.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O POVO faz toda a diferença II





Não era própria a intenção de escrever este texto de modo segmentado (I, II e III), porém fi-lo, de forma a evitar qualquer indução de erro relativamente aos factos sucedidos nas semanas transatas, almejando somente enaltecer um pequeno-grande aspeto a ter em conta: com esta segunda parte quero deixar um pequeno tributo ao trabalho feito pelos fantásticos militantes da JS Marco de Canaveses. A estrutura concelhia da JS Marco esteve, como disse antes, desde o primeiro momento com a população marcoense (mesmo que, para alguns, o 1º momento seja 2010: sim estivemos com os marcoenses, fizemos TANTO quanto outras forças políticas fizeram nesse momento!).

Existiu, contudo, um momento de viragem da nossa ação: 15 de Abril de 2012. Se, antes, tínhamos acompanhado o desenrolar da situação, tínhamos dado a conhecer aos marcoenses a realidade que se desvendava (através do blogue, páginas e grupos nas redes sociais), tínhamos entrado em contacto com os intervenientes (Comissão de Utentes, CP, REFER e até deputados da Assembleia da República) alertando para a possibilidade da supressão das ligações, a partir desse dia a nossa ação tornou-se muito mais incisiva, concisa e pragmática. A JS Marco Canaveses sabia que os marcoenses teriam de sair à rua, teriam de mostrar toda a sua indignação e descontentamento perante uma hipótese que não deveria nunca ter sido colocada.

A JS Marco Canaveses fez então uso de todos os meios possíveis e impossíveis no sentido de mobilizar o máximo de marcoenses e não só para uma causa que ultrapassa, indubitavelmente, as fronteiras do município.

Fizemos uso intensivo das redes sociais (quantos de vocês não souberam do que se iria suceder através de comunicações da JS e dos seus membros?), criamos suportes de divulgação, tais como imagens, cartazes, banners, tarjas e ainda vídeos (todos estes elementos estão visíveis ao longo do texto). Esta face mais visível da nossa ação permitiu, na minha perspetiva, divulgar a manifestação de forma muito eficaz.

Por outro lado, concomitantemente, estava a ser desenvolvido um trabalho menos visível aos olhos dos munícipes: movimentações no sentido de assegurar a maior abrangência regional possível. Os resultados estavam à vista de todos: TODAS AS ESTRUTURAS CONCELHIAS DA JS PORTO ESTIVERAM COM OS MARCOENSES, marcando presença na manifestação; além disto, verificou-se ainda a presença dos presidentes das Câmaras Municipais de Baião e Amarante, demonstrando a solidariedade dos Socialistas para com o povo marcoense. Mais ainda, entramos em contacto com diversos autarcas marcoenses, procurando assegurar a sua presença na mesma manifestação (foi fantástico, neste particular aspeto, o contributo da Junta de Freguesia do Torrão: quem não escutou o grupo de bombos, liderados pelo Sr. Manuel Lopes?).

Foi, sem espaço para dúvidas, um trabalho intenso mas, olhando para trás, profícuo e, acima de tudo, justificado... Pois o Marco de Canaveses é uma causa bem maior que qualquer força partidária. Foram dias de suor, dias em que a cor partidária foi, inúmeras vezes, esquecida.


Foram muitos os marcoenses que reconheceram mérito ao trabalho desenvolvido pela JS Marco Canaveses pela causa ferroviária, conferindo algum brilho ao esforço por nós desenvolvido. Um muito obrigado pelas palavras!


Hilariante foi notar as expressões de desagrado de alguns, pouquíssimos (muito poucos mesmo), conterrâneos perante tamanha mobilização da JS Marco Canaveses. Tendo mobilizado mais de 70 camaradas para uma causa que não podia ser perdida, tendo demonstrado a força viva que esta estrutura é, tendo revelado que, quando é o Marco de Canaveses que está em risco, não há energias a poupar e contribuindo, deste modo, para o sucesso da manifestação marcoense... Foi deveras cómico (sempre fui fã de eufemismos) verificar o desagrado de outros! Não era o Marco de Canaveses que estava desagradado... Eram alguns!

Corro o risco, eu sei, de parecer querer glorificar o trabalho da JS Marco Canaveses... Não quero! Pretendo apenas salientar o trabalho que foi desenvolvido e as forças despendidas no sentido de mostrar que o Marco de Canaveses não estava disposto a perder esta batalha. Não quero, muito menos, fazer qualquer aproveitamento político do sucedido (menos aproveitamento político seria impossível, o dia teria sido propício para o fazer!)... Quero que estas sejam as letras de um simples OBRIGADO a todos que ajudaram nesta luta (que não está ainda terminada). Para terminar este capítulo, sublinhar apenas que, na minha ótica, aproveitamento político consiste em pouco ou nada fazer e, no momento certo, aparecer de mãos a abanar e nada para acrescentar à exceção de um "presente". Palavras leva-as o vento...

Continua... Para a 3ª e última parte.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O POVO faz toda a diferença


No passado dia 22 de Abril fiz parte de uma manifestação que, a meu ver, ficará marcada de forma indelével na história marcoense: foram mais de dois milhares de pessoas que, sem quaisquer reticências ou receios, demonstraram a sua insatisfação pela situação em que a CP preparava para colocar o município do Marco de Canaveses - a Imobilidade! Com efeito, devo subscrever as palavras do Tiago Moreira e afirmar, com todo o meu ser, que Abril está-nos no sangue!
Lado a lado com os meus conterrâneos, respirando da mesma revolta e inspirado pela mesma terra, o Marco de Canaveses, não houve lugar a dúvidas, segundas intenções ou agendas escondidas... o Marco de Canaveses estava acima de tudo. Muito acima! Foi deveras inolvidável aquele momento...
Agora, contudo, é momento de fazer um balanço de todo o processo, de toda a sequência de eventos que nos trouxe até ao dia 22 de Abril e, posteriormente, até ao (de momento) desfecho do dia 27 de Abril.


Desde meados de Março que a Juventude Socialista do Marco Canaveses (JS Marco) tem acompanhado os desenvolvimentos deste processo, dando conta das novidades, dos factos e das incidências diárias dos utentes do serviço ferroviário do Marco de Canaveses (podem ler-se aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Desde há mais de um mês que temos apontado baterias no sentido de procurar esclarecer os marcoenses acerca desta questão, aliás, a prova disso reside no incremento, notório, das visitas diárias ao nosso blogue. Os marcoenses procuraram junto da JS Marco novidades em torno da questão ferroviária. No sentido contrário, ao que tudo indicava, parecia seguir a Câmara Municipal que, tentativa após tentativa, negava a veracidade dos factos, excluía por completo essa hipótese. Hipótese essa que se veio a materializar: os marcoenses estavam prestes a ficar sem um serviço fulcral... E a Câmara Municipal desmentia. Até que não foi mais possível esconder a verdade... O Marco de Canaveses estava em risco, verdadeiro risco de ver apenas passar comboios interregionais, sendo sumprimidas 15 ligações regionais Marco - Caíde. Algo absolutamente inaceitável.
Um facto curioso que verifiquei na reunião da Comissão de Utentes com a população no dia 15 de Abril, foi a comunicação de Manuel Moreira de que as ligações ferroviárias estavam em risco desde o dia 1 de Março! Informação que apenas ele detinha e que corrobora a afirmação de que o executivo tentou ESCONDER esta hipótese dos marcoenses tanto quanto possível. Porém o mesmo Manuel Moreira arregaçou mangas, trabalhou em prol da população e fez os possíveis para que as ligações ferroviárias se mantivessem. Nessa mesma reunião de 15 de Abril foi definida a concentração/manifestação na Estação CP do Marco de Canaveses no dia 22 de Abril pelas 18h... Foi uma semana trabalhosa, plena de vontade, alma e suor sempre com o Marco de Canaveses em mente... Uma semana que culminou numa das maiores manifestações que o Marco de Canaveses já presenciou. Mas muito foi necessário para que assim fosse...

Continua... Em breve!

terça-feira, 3 de abril de 2012

O Congresso do meu Município


No passado fim de semana decorreu o Congresso do Município do Marco de Canaveses, cujo tema era "160 anos ao serviço dos marcoenses". Confesso que a curiosidade não abundava na minha pessoa, com exceção para alguns convidados em específico. Tal como a minha falta de curiosidade por quase tudo o resto se justificou, também as expetativas para esses oradores em particular não saíram defraudadas. Mas, algumas coisas primeiro:

1. Gralha ortográfica monumental: "Empreendorismo"! Conhecem? Eu não! A desconsideração por tal palavra (consigo apenas assumir que é apenas uma palavra para Manuel Moreira, já Miguel Gonçalves, e até Belmiro de Azevedo, sublinharam que é UMA ATITUDE, UMA FORMA DE VIDA) é tamanha que não se deram ao trabalho de ver como se escrevia corretamente! E não! Não fica sem o "de" com o novo acordo ortográfico!


2. Discurso de abertura de Manuel Moreira: o expectável! Fez um sumário bem estudado da história marcoense, obviamente. Esteve muito bem até ao momento em que decide que... Os seus quase 7 anos de governação merecem cerca de 50% do tempo de antena do discurso! Quer isto dizer que Manuel Moreira se considera tão importante quanto os restantes 153 anos de história do nosso concelho!? Mas nada de novo... Alguém estaria à espera de algo menos que uma auto-promoção, uma propaganda desbaratada e despropositada? Claro que não! Pena é que os marcoenses tenham que "pagar tamanho bilhete de entrada" para saber mais acerca do Marco de Canaveses. Manuel Moreira esteve incrivelmente mal, igual a si próprio, a aproveitar todas as oportunidades para vangloriar o seu próprio trabalho (muito dele de qualidade duvidosa).

3. O meu Município não teve um congresso, teve um comício de 2 dias (às suas próprias custas): Fitas laranja, flores laranja, moderadores dos paineis de debate laranja, convidados maioritariamente laranja... Vergonhoso! Tudo isto às custas do município! Nós pagamos um comício organizado por laranjas, para divulgar trabalho laranja através de vetores (exceções existiram, é certo) laranjas! No mínimo condenável... Mas qual o motivo de todos os painéis serem mediados pela câmara municipal? Só porque organizou?! Não vou pôr em causa as escolhas dos oradores, uma vez que, por motivos diversos, existem méritos a ser reconhecidos.

4. Pontualidade precisa-se: Tenho telhado de vidro no que à pontualidade toca... Mas, atraso de 1h 30m ao longo de todo o congresso (por vezes mais ainda) é lamentável. Fossem os convidados e o público pouco flexíveis e estaria Manuel Moreira em muito maus lençóis.



5. Diversidade de temas: Foi deveras saudável a diversidade de temas e abordagens à realidade marcoense. Foi um exercício saudável pensar o Marco de Canaveses de diferentes perspetivas e perceber que temos um concelho rico, diversificado, com enorme potencial (humano e natural essencialmente).

6. Turismo: O convidado foi o Eng. António Mota... Exato! Numa intervenção pragmática, capaz de captar a audiência e muito ilustrativa... Da inexistência, na realidade, do "Marco no Turismo" que Manuel Moreira ostenta em todos os seus eventos. Ausência de oferta de alojamento, deficiências de conteúdo no panfleto turístico (que empunhou durante a intervenção) da Câmara Municipal, ausência de oferta (apenas informação), ausência de estratégia, incapacidade de exploração de uma costa fluvial imensa (Manuel Moreira e o seu slogan dos rios... É só palavras), inoperância no sentido de criação de oferta, de potenciação da mesma... Enfim! Conclusão: o Marco no Turismo não existe!





7. Belmiro de Azevedo: O nosso grande grande empresário (não esquecer que estivemos perante um conterrâneo que pontifica entre os 1000 mais ricos do mundo da revista Forbes) massacrou Manuel Moreira. Desde a lentidão de processos da Câmara Municipal, passando à lentidão operacional na mesma ("parece que há medo que o trabalho acabe" sublinhou o empresário), uma facada na falta de visão da Câmara Municipal, na incompetência da mesma quanto à "lixeira a céu aberto" que é o rio Tâmega, o sublinhar da falta de condições mínimas de progresso e qualidade de vida - leia-se água e saneamento, a descaraterização da zona industrial ("o estado a que deixaram aquilo chegar")... Poderia continuar por aqui a fora... Mas Manuel Moreira merece um descanso! Belmiro de Azevedo referiu ainda a necessidade de sermos móveis (automóveis, telemóveis... móveis), da necessidade de nos deslocarmos para os locais onde há riqueza para gerar e, por último, da necessidade de eliminar a palavra "emigrante" do dicionário! Foi uma pequena (curta) grande lição, aquilo a que se assistiu! Obrigado Eng. Belmiro de Azevedo por ter engrandecido o evento!



No cômputo geral, fiquei com uma clara sensação de que este foi um evento de promoção a Manuel Moreira e ao seu executivo... Relegando o Marco de Canaveses para segundo plano! Foi notório o destaque dado a tudo o que poderia ter um selo laranja... Salvaram-se algumas intervenções que, pessoalmente, me ficaram na retina:



a) José Carlos Meneses: uma perspetiva muito bem fundada e riquíssima em conhecimento acerca da nossa história;
b) Manuel António Moreira Teixeira: uma abordagem completa e integrada do associativismo, sustentada em dados estatísticos oficiais, com um toque pessoal (sublinhou as dificuldades dos Bombeiros Voluntários) que conferiu um valor acrescentado a esta intervenção;
c) António Mota: já acima referido, porém, em suma, o turismo marcoense abordado por quem é conhecedor da matéria e está solto de obrigações políticas no Marco de Canaveses. Resultado: Há muito trabalho a fazer no Marco de Canaveses.
d) Belmiro de Azevedo: uma honra ouvir a sua intervenção, quem não esteve fica, sem dúvida, em perda.



Não obstante tudo isto, é positivo o facto de se ter proporcionado este congresso, permitiu aos marcoenses saber um pouco mais acerca da realidade que os circunda, olhando-a de uma outra perspetiva. A repetir... Mas, POR FAVOR, DESPOLITIZADO!
Em suma: este foi o congresso de Manuel Moreira, à maneira de Manuel Moreira para publicitar tudo em torno de Manuel Moreira, não foi o congresso do MEU MUNICÍPIO, não foi o congresso do MARCO DE CANAVESES!



PS: Última nota para o "não saber estar" de Gorete Babo e Manuel Moreira que tiveram o descaramento de se justificar perante a intervenção de Belmiro de Azevedo, deixando lamentáveis (vergonhosas até) imagens de si mesmos... Fiquei com sensação de embaraço alheio! Desculpas de quem não tem argumento ou conteúdo com que refutar! Por vezes é NECESSÁRIO SABER OUVIR, ESCUTAR, APRENDER... E CALAR!