quinta-feira, 2 de abril de 2015

Tu Fazes Parte: um apelo à participação

22 de Abril de 2012 | Manifestação pela electrificação da linha do Douro | Estação do Marco
Explicar a preponderância da participação cívica activa de cada um torna-se uma tarefa particularmente difícil nos tempos actuais. Talvez por isso tenhamos escolhido a imagem da manifestação pela electrificação da Linha do Douro para ilustrar esta publicação e o apelo que lhe está inerente - não vão as palavras fugir e tal intento sair frustrado. 

Vivemos numa época em que o desemprego jovem é avassalador, em que a credibilidade dos políticos atinge "mínimos históricos", em que a justiça social não é mais do que utopia, em que a desmantelação do sistema nacional de saúde parece ser o caminho a seguir - mas, paradoxalmente, nada disto parece ser justificação suficiente para que, no mínimo, o inconformismo nos mova e nos faça cidadãos mais participativos. Ora, nos tempos que correm, deveria ser fácil tornarmo-nos civicamente activos, propensos para a reflexão, para o debate e consequente confrontação de ideias. Não é isso, contudo, que se verifica: a indiferença e um certo comodismo parecem levar a melhor. 

Apesar de tal diagnóstico, a JS Marco ainda não desistiu. Os jovens socialistas marcoenses prosseguem na sinalização de problemas e fragilidades do concelho e da região, mas não deixam de apontar vias alternativas e de apresentar propostas concretas. Nós, jovens socialistas, também sabemos apontar as virtudes e salientar os êxitos do concelho e da região, porque o que de bom existe deve ser destacado. A JS Marco quer, pois, prosseguir este caminho que tem trilhado, mas não quer, nem pode, fazê-lo isoladamente. Estamos conscientes de que este percurso deverá ser acompanhado de um envolvimento geral dos jovens (e dos menos jovens) e do desenvolvimento de uma consciência crítica, que então depois dê origem a posições vincadas e coerentes. Deste modo, continuamos a acreditar no valor inegável que o contributo de cada um pode ter na construção de uma sociedade mais justa e solidária. Na verdade, é importante que cada um de nós não se demita de ser cidadão e que queira fazer parte da solução.

Este blog que hoje se inaugura pretende ser, então, uma forma (de entre várias possíveis) de contribuir para essa participação cívica activa tão urgente. Este espaço é nosso, mas é também vosso. É de quem quiser fazer parte. 

P.S: Após um prolongado interregno, a JS Marco volta à actividade na blogosfera. Fazemo-lo de uma forma renovada, mas com o mesmo espírito e postura que tentamos sempre imprimir nas nossas acções. 

sábado, 15 de novembro de 2014

Hilariante Partido Comunista

http://www.avante.pt/pt/2136/internacional/132905/#.VF0TEVzsA_M.facebook
Este texto e este apelo do Partido Comunista Português não só se imbui massivamente de ideologia densa e extremista como também de um irrealismo deveras assustador.

Confesso-vos: ler tantas barbaridades num texto choca e de que maneira. Pois ainda há quem tente usar palavras como "capitalismo", "federalismo" ou "neoliberalismo" para camuflar as reais intenções de um partido que nos tempos da URSS aglutinava cerca de 15 Repúblicas Socialistas e onde todas elas se subordinavam ao poder central, presente no artigo nº81 da Constituição Soviética de 1977.

Constituição essa que, curiosamente, apela a uma união dos trabalhadores, a uma igualdade devidamente justa e mais que merecida, mas que, no fundo, não passa de uma «Ditadura de Proletariado» onde os trabalhadores não têm realmente nenhuma influência, onde as classes têm claramente uma hierarquia por de trás e onde todo e qualquer trabalhador não se opõe aos senhores do poder quando são tomadas decisões com relevo. Contra o federalismo? Tenham um pouco de dignidade, por favor.

A República Democrática Alemã (RDA) inseria-se num contexto político-social subdesenvolvido, em grande parte agrícola e com a agravante de Estaline adoptar uma política de auto-suficiência; claro está que a auto-suficiência é incansável quando o território tem recursos naturais escassos, trabalhadores pouco instruídos e, por conseguinte, uma produção muito aquém do desejado. Consequências, na prática, dessa situação? Importação, importação e importação. (E lá se vai toda a bíblia sagrada comunista por terra...)
Onde a cultura levaria uma exaustiva perseguição, que resultaria na censura a toda e qualquer música que não fosse escrita e cantada em alemão. Enquanto que, do outro lado, os tais "capitalistas" e "federalistas" mantinham-se livres, coesos e respeitadores da democracia, de tal modo que estavam abertos a todos os produtos e a todo o tipo de ideias. Porém, nesta tal RDA, o que podíamos constatar era uma república fechada ao exterior, que censurava todo e qualquer produto vindo de fora (como é caso da 'Cola-Cola') e que lançava doses sucessivas de informação a enaltecer os trabalhadores, os heróis da nação.
Mas adiante. Não vim aqui dar-vos lições de história (ainda que muitos merecessem), nem vou tampouco explicar-vos por que é o comunismo tão extremista como é. Nacionalizar tudo? Auto-suficiência? Deixar-mos os trabalhadores tomar conta de tudo? Deixemos o fanatismo de lado, pois Lenine e Estaline já adoptaram esses mesmo ideais e o resultado foi claro: resultou em privatizações, num país atrasado e completamente desigual.

O que vim aqui falar-vos é deste texto do PCP. E gostaria de perceber onde é que vêem coisas como: «a RDA, pelas suas notáveis realizações nos planos económico, social e cultural e pela sua política antifascista e de paz, impôs-se e fez-se respeitar no conserto das nações como Estado independente e soberano e tornando-se depois de anos de duro combate membro de pleno direito da ONU (1973) em simultâneo com a RFA». Como podem ver os planos económicos, sociais e culturais fracassaram e fracassaram categoricamente.

Ora, falemos mais sobre este Estado independente e soberano. Vejamos, por exemplo, como foi eleito o primeiro governo da República Democrática Alemã (e, posto isto, transcrevo factos): «Em maio daquele ano, os participantes do Congresso do Povo (Volkskongress) haviam sido apontados em uma lista unitária. Essa votação seria a primeira de uma longa série de eleições falsificadas na República Democrática Alemã (RDA).

Na votação, 31,5% do eleitorado havia respondido com "não" aos nomes apresentados, enquanto 7% se abstive, o que levou a uma recontagem dos votos. Dessa vez, nomes riscados e cédulas em branco foram considerados "sim". Com isso, 61,1% dos votos passaram a ser a favor da lista única.» - ou seja, uma transparência incontestável, camaradas.

Isto levou-nos à célebre frase de "Tem de parecer democrático...". Ulbricht ordenou que se tentasse encobrir as falcatruas do processo, mostrando-o democrático, e, mais do que isso, não quis abdicar do "controlo de tudo" por parte do SED - mais uma vez, transparência máxima, liberdade nos níveis máximos.
Agradecido por este momento grotesco proporcionado pelo PCP, termino com mais uma citação que, a meu ver, arremata por completo toda e qualquer dúvida sobre o fanatismo ideológico a que já estamos habituados:

«A proibição de deixar o país e a vigilância do próprio povo pelo "Ministério de Segurança Estatal" contribuíram para a derrocada do sistema, da mesma forma como a construção do Muro de Berlim, em Agosto de 1961, ou os slogans vazios dos senis funcionários do SED.
Após 40 anos de opressão da liberdade de expressão e limitação do desenvolvimento individual, o sonho do suposto "melhor Estado alemão" acabou de forma tempestuosa.»

Álvaro Machado - 20:06 - 09-11-2014

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A Gaitada da Decadência. O Curioso caso da Livração que nunca o foi e sempre o é.




Livração, Santo Isidoro e Toutosa – A guerra da reforma administrativa em miúdos.
“ Temos mais de 750 anos de história” esfarrapados pela foice e martelo do eleitoralismo de café, mercearia e padaria.


            Querido leitor amigo, é tempo de Quaresma, tempo de arrependimento, tempo de reflexão sobre as nossas acções, sobre as nossas lutas e sobre as nossas causas. O Cristo cristão, perdoa-nos esta quase tautologia, mas é que há e houve (houveram?) muitos cristos ao longo da história. Uns de toga, outros de sandálias, outros ainda de turbante. Um Cristo que é mil Cristos e mil religiões, pois cada um de nós é uma fé. Mas isso não interessa! Concentremo-nos no que nos trouxe a esta Ágora de cores humanas com laivos de Justiça e Verdade! Eis-nos, pois, perante um tempo de reflexão e mesmo até de meditação!
            Há uns meses atrás – uns bons meses, deveras! – o ponto de ordem era a reforma administrativa, a reorganização das freguesias e suas respectivas implicações. Em Marco de Canaveses, como sempre, tudo foi pensado, estudado, tendo sido o povo, lógico, é Marco de Canaveses!, a decidir como seriam feitas estas alterações. Não estamos a ser irónicos, prezado leitor amigo! Nada disso! Gaitamos, simplesmente!
            Nenhum partido político apresentou uma proposta para essa mesma reorganização, aliás, nem a oposição que, comummente, tem o papel de ser do contra por não ser poder, mas isso de pensar também dá trabalho! Enfim, a única proposta que surgiu foi pelas mãos, cabeça, debate e consciência da finitude das capacidades intelectuais e humanas da Juventude Socialista, que não só apresentou uma proposta para a reorganização das freguesias, estando aberta a propostas de alteração e correcção, mas também organizou debates e conferências em diversos pontos do concelho. Esses debates, melhor dizendo, sessões de esclarecimento, contaram com a presença e apoio de quase todos os partidos com assento na edilidade marcoense. Quase todos, pois o PCP, ou então CDU-PEV, não mostrou sinais de interesse e cooperação.
            Ora, tempo de pararmos um pouco para bebermos um refresco no café enquanto ouvimos os entendidos na vida dos outros cochilarem e verborrearem tanto como nós.
            Das antigas 31 freguesias que tinha, o concelho marcoense passou a ter 16. Contudo, houve duas freguesias que se sentiram lesadas, bastante lesadas, ao ficarem aglutinadas sob o nome de Livração: Santo Isidoro e Toutosa.
            Fez-se a reforma, as respectivas mudanças, os autarcas locais de então acenaram e sorriram. Vieram as eleições autárquicas, o rebuliço da campanha e dos boatos, da caça e pesca ao voto. Em Toutosa até surgiu uma lona a afirmar que a freguesia tem mais de 750 anos de existência. (Houve dinheiro para a lona, mas para a cozinha da escola de Toutosa, que há muito precisa de novos equipamentos e cuja autarca de então tinha sido avisada para esse efeito, não houve, assim como para o cemitério e acessos, ou então até para a construção de uma casa mortuária). Ponto de ordem à mesa ou no balcão do tasco onde te encontrares, leitor amigo. Esquecemo-nos de alguns pormenores no meio de toda esta aventura erótico-eleitoral. A proposta da JS para as freguesias de Santo Isidoro e Toutosa era mais abrangente, pois propunha a criação de uma mega-freguesia de nome Livração, sim, mas onde se agrupassem Santo Isidoro, Toutosa, Constance, Banho e Carvalhosa, visto que o nome Livração é tido não como uma freguesia, mas sim, em primeiro, como um lugar, e segundo, por conta da santa “roubada” cujo nome é Senhora da Livração (ainda que a verdadeira padroeira seja Santa Cristina de Toutosa), em terceiro, este nome é dado a toda essa região que abrange as freguesias supramencionadas, tendo em conta que apresentam um folclore próprio e característico, assim como o antigo Correio da Livração, o afamado vinho da Livração que agora corre para as caves de Penafiel de outros afamados vinhos como o “Aveleda” ou “Casal Garcia”, assim como a estação de caminho-de-ferro e os bordados e casas típicas. A proposta da JS não foi aceite, mas os autarcas das duas freguesias envolvidas também nada fizeram, pois o presidente da então freguesia de Santo Isidoro aceitou tacitamente, não gastando dinheiro em lonas inúteis, mas antes em livros carregados de erros ortográficos, dias antes das eleições, acusando o actual presidente da freguesia da Livração de ser o culpado de toda esta trapalhada! Sim, porque, verdadeiramente, um presidente de assembleia é quem vai às assembleias municipais e tem poder. O presidente de então candidatou-se não para ser presidente mas para culpar os outros! Mas atemo-nos! Não entremos nas guerrilhas hipócritas. Fiquemos pelos factos e pela zombaria barata e de bordel. Vieram, portanto, as eleições, houve mudanças nos cargos e nos partidos com poder a nível das freguesias, havendo, contudo, desfasamentos interessantes na Livração, tendo em conta que houve duas maiorias absolutas: em Toutosa, para a CDU, em Santo Isidoro, para o PS, o que demonstra não só a divisão da população em termos ideológicos, mas em apego telúrico ou nacionalismo de bolso.
            Há poucas semanas atrás, um grupo de cidadãos, de livre e espontânea vontade, mas com consciência cívica, política e social, começou a visitar as pessoas, recolhendo assinaturas para que se levasse a assembleia a alteração do nome da freguesia da Livração. Houve mais de 800 assinaturas, o que corresponde largamente a mais de metade da população desta nova freguesia.
            Entretanto, a antiga autarca e respectivo séquito lançaram, também, uma proposta de alteração do nome da freguesia. Leitor amigo, estás tu a pensar que esse nome seria, pois, Santo Isidoro e Toutosa, tendo em conta as lonas e o pavoneamento do séquito e da dita  ex-presidencial criatura. Olha que não! A proposta foi Santo Isidoro e Livração! Então e as conversas com as senhoras, sempre as mesmas, nos cafés, nas mercearias e nas padarias? Então e a lona forjada a foice e martelo? Então e os 750 anos de história?
            Ficou assente na assembleia de freguesia, por unanimidade, atenção, voltamos a repetir, por unanimidade!, que, se possível for haver alteração, esta será para Santo Isidoro e Livração! Co’a breca, amigo leitor, companheiro desta quase investigação poirotiana! A mesma foice e martelo que forjaram a lona e todo o seu ideal serviram para destruí-lo com quatro votos! Da famosa expressão Shakespeariana “O meu reino por um cavalo”, passamos a ter “O meu quintal por 4 votos”! Como rapidamente se mudam os ideais, hein? Acreditamos que foi em nome das pessoas que se mudou, ideologicamente, de forma tão rápida, não por conta do eleitoralismo nem dos boatos, nem do facto de chamarem ladrão a este e aquele! Nada disso! Tudo em nome da esquizofrenia ideológica!
            Eis, então, a guerra dos tronos desta bela aldeia, melhor dizendo, a guerra da reforma administrativa em miúdos! Apesar de não morrer ninguém, felizmente, nesta guerra dos tronos morrem figuras como a seriedade, “o trabalho”, a “honestidade” e a “competência”. Em miúdos, não por ser breve, mas por ter sido esfarelada, como aquela pobre lona, por uma foice e um martelo qualquer. Atenção, estimado amigo leitor, não olhes para a lona como uma metonímia ou metáfora de alguém ou de alguma instituição! Nada disso! São somente 750 anos de história esfarelados por quatro votos que ergueram a lona que eles mesmo, sem hesitar, derrubaram.
            Ai Alexandre, César e Napoleão! Oh poderes infalíveis e dogmáticos! Oh sistemas que implodem! Oh golpes certeiros em jugulares morais e éticas!
            Agora é esperar e esperar, com o ensejo que o nome da freguesia se altere. Ao antigo autarca de Santo Isidoro, cabe-nos dizer-lhe que agora, talvez, possa deitar as culpas ao actual executivo, presidente  e pessoas que levaram isto para a frente! Pode culpá-los de terem tido a coragem, a frontalidade e a humildade que ele não teve! Se o fizer, pedimos-lhe que escreva um livro ou um manifesto sem erros ortográficos! Uma coisa decente, por favor! À ex-presidente de Toutosa, bem, com toda a educação e respeito, iremos perscrutar pelas mercearias, cafés e padarias da freguesia o que de novo se inventa em matéria de ficção.
            Como é bom podermo-nos orgulhar de todas estas histórias que mais parecem estórias!
            Enfim, caro leitor amigo, é este o momento para te dizer que esta também poderia ser mais uma ficção ouvida pelas mercearias e cafés daquela bendita freguesia que também é nossa! Acredita que sim, isto é só mais uma ficção! Agora imagina, pensa, se tudo isto fosse verdade! Que Gaitada que daria! Mas não nossa, que não temos voz para isso!


            Vamo-nos rir, e muito, e bastante, pois!