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quinta-feira, 2 de julho de 2015

El-rei regressa na apresentação do livro

Quem não gosta de ler um bom livro? Acaba por ser uma intimidade singela, esta do autor para com o leitor, quase num universo paralelo em que, longe compreensão, nos compreendemos perfeitamente. Desde cedo me habituei a ler: primeiro veio as Minas de Salomão traduzidas pelo Eça, depois o jornal expresso acabou por despertar uma veia mais crítica no sentido literal da palavra.

Como vos dizer..., sempre tive por gosto ler e, sobretudo, ler bons livros, bons jornais (subentenda-se aqui escritores extraordinários e cronistas de referência). A loucura de Dostoievski transposta num pedaço de papel, o universo apocalíptico em que Dumas construiu a personalidade de Edmond Dantès, em paralelo a mágoa profunda e o espasmo futurista de Álvaro de Campos, isso fez de mim o que sou hoje (os tais génios literatos), não duvidem disso nem por um segundo. As questões mais profundas, politico-económicas, político-sociais, democrático-concretas e democrático-abstractas, aprendi-as com os tais cronistas de referência, nomeadamente Miguel Sousa Tavares, Ricardo Costa, Daniel Oliveira, Pacheco Pereira (e por aí fora...).

Mas agora de volta à realidade. O que vos trago aqui é o recente lançamento do livro de Miguel Relvas. Não se apoquentem, ele nem é o autor como os autores que em cima falei nem é tão pouco "autor" na concepção nua da palavra; entenda-se: organizou o lançamento de um livro escrito a "meias" com Paulo Júlio e chamou os pesos pesados da política e do PSD.

"O outro lado da governação" - esse é o nome da grande obra. Eis que a cooperação entre Relvas e Paulo Júlio trouxe ar puro à literatura portuguesa e aos portugueses. Especialmente porque são dois ex-membros do governo, colocados na boca do povo injustamente. «Houve uma reforma profunda que não foi terminada, mas que foi bem feita», atira Miguel Relvas na apresentação de hoje.
Saiu por cima hoje. De consciência limpa, afinal trabalhou muito intensamente na reforma da administração local, fez muito pelo seu país. Miguel Relvas não apresentou um livro, fez política, aquilo a que está habituado portanto, e fê-la da pior maneira que há: a mentir e sem um pingo de vergonha.

Álvaro Machado - 23:29 - 02-07-2015

terça-feira, 30 de junho de 2015

Dias cinzentos para o Governo Português

Guardo sábias palavras na minha memória. Uma das que mais fazem sentido, nos dias de hoje, são certamente as de Ricardo Araújo Pereira: «Eu prefiro não ser racional no futebol, não o sou de todo, mas sou-o na política. Sou muito racional. Vejo as coisas imparcialmente e contesto o que está mal. Agora, não me peçam é para defender custe o que custar um partido, uma cor partidária.».

O coligação PSD-CDS tem passado, nos últimos dias, um período menos reluzente no seu percurso governativo, claro que, com isso, supõe-se que algum dia foi passado assim. Façam vocês as vossas suposições.

i. O Tribunal de Contas pronuncia-se, em pleno dia de sol, quanto à privatização da EDP e da REN. O governo não «acautelou os interesses estratégicos do Estado Português após a conclusão do processo de privatização.»

E aí está: eis como destruir num ápice toda uma crença abléptica dos simpatizantes deste governo e da sua política de privatizações. Mas não façamos por menos, desde já ressalvando o papel fulcral da Parpública em todo este processo: permitiu, em todo o caso, que o BESI (Banco Espírito Santo Investimento) fosse avaliador do Estado, inicialmente, e fosse, à posteriori, consultor das empresas que manifestaram interesse no negócio.

Não se comecem já a rir. Contenham-se mais uma bocado, por favor. Vamos supor que o BESI foi honesto e não proporcionou conflitos de interesses nesta matéria, parece menos grave a coisa? Parece-me que sim, eu também concordo; mas revertam o sentido disso: vamos agora supor um cenário hipoteticamente mais drástico: que a CTG e a State Grid não cumprem o acordo... Pasme-se, o governo não colocou qualquer cláusula no contracto em caso de incumprimento!
(Agora sim, partam-se a rir...)

ii. Por cá, já estamos habituados a uma particularidade de Portugal aquando que comparado com outros países da União Europeia: quando se trata de progresso, desenvolvimento na estrutura produtiva e do tecido empresarial, redução da despesa do país ou crescimento económico mantemos a fasquia no lixo; em contrário, se estiver a ser avaliado os níveis de desemprego, de fuga de impostos, de corrupção..., aí já somos colocados na ribalta.

Hoje foi o dia de nos lavarem o rosto impregnado de mentiras: Portugal tem níveis de desemprego nos 13,2%, ficando assim no 5º lugar dos países com mais desempregados da UE; já no desemprego jovem, subimos mais uns pontos, ficando assim com o 4º lugar dos países com mais jovens desempregados (33,3%).

Em suma, apesar de certos indivíduos não terem qualquer consciência do estado em que realmente está o nosso país, os dados continuam, diariamente, a prová-lo em contrário. Esperemos avidamente pelos sorrisinhos de Paulo Portas e de Passos Coelho.

Álvaro Machado
 - 21:19 - 30-06-2015

segunda-feira, 25 de maio de 2015

O sucesso do FMI em Portugal

Sabendo que, à partida, o Fundo Monetário Internacional se havia tornado na última esperança para os portugueses voltarem a ver a luz do dia, e após tantos sacrifícios os membros do governo exaltarem esses mesmos feitos alcançados pelo povo lusitano, eis que o próprio FMI nos dá o primeiro alerta: afinal não é bem assim.

Os défices foram reduzidos e o financiamento do mercado recuperado. E depois disso? Quando se exalta um feito memorável, creio eu, ele irá perdurar no tempo infinitamente, mas será assim neste caso em concreto?
Ora vejamos: existem, segundo estes especialistas, cinco prioridades a médio-longo prazo:

1) Garantir um equilíbrio interno (que significa, por exemplo, não ter uma taxa de desemprego demasiado alta)

2) Conseguir um equilíbrio externo (não ter défices externos sucessivos)

3) Aumentar o crescimento potencial

4) Reduzir o endividamento dos privados

5) Assegurar a sustentabilidade orçamental

Então, tendo em conta estes cinco factores ou estas cinco prioridades, deparámo-nos, diria, com o primeiro fracasso deste programa de ajustamento – o insucesso.
E ao contrário do feito que exaustivamente os membros do governo proclamam (as vozes do PSD, entenda-se) no que toca ao desaparecimento, no exterior, dos défices, eis que o FMI emite um parecer na corrente oposta, afirmando a insustentabilidade dessas alterações, bem como se mantém tudo menos impressionado com o crescimento das exportações em termos brutos: «Não é prova de que Portugal tenha aumentado de forma significativa a competitividade», arrematam.

Pois bem, isto leva-nos a duvidar daquilo que até hoje alguns defenderam afincadamente como «único caminho possível». Se bem me recordo, as bandeiras de campanha para as próximas legislativas erguidas pela coligação têm sido, efectivamente, a diminuição do desemprego (que os dados do INE vieram deitar por terra tal teoria), o equilíbrio da balança (que vemos ter sido possível pela diminuição das importações, e que também curiosamente é um factor ilusivo porque num futuro próximo irão aumentar consideravelmente; e também pela falsa questão das exportações brutas, que vemos não ser algo viável), a melhoria das condições de vida (se internamente a população não tem poder de compra como poderá fazer a economia crescer e consequentemente melhorar as condições da população?)…

Já se diz, e bem, que nem tudo o que parece é. O (in)sucesso do FMI está à vista de todos.

Álvaro Machado - 00:47 - 25-05-2015

sábado, 23 de maio de 2015

Restaurante social no rés-do-chão da Igreja

Envolvemo-nos num silêncio profundo, submissos ao fundamento da vida, e deixámos o orgulho e a essência dos nossos sonhos num pequeno baú, imperceptível à grande maioria, como se fossemos enterrando lentamente o nosso próprio corpo.

Portugal, país que vi desde que abri os olhos e país que provavelmente irei ver até ao último suspiro, deixou-me agora um estilo de vida bem diferente daquele que em tempos havia encontrado no livro de Herberto Helder. Parece-me claro: tenho de admitir a vergonha, o embaraçoso destino fatalista que se me ergueu, a impureza, o marginalismo de ser pobre, de não ter dinheiro para pôr pão ou restos de comida à mesa.

O meu país - e os que indecentemente o fazem seu sem o sentir na verdade – tornou-me num intolerado, num homem de extremos, num vadio que se humilha todas as santas noites quando recorre àquela exígua sala do restaurante social, no rés-do-chão da Igreja. Como eu há milhares. Milhares que me pesam mais do que o eu estar ali comendo que nem um desvairado. Sinto-lhes a vergonha a subir no sangue, o coração numa batida tão veloz que parece iminente um ataque, e o ambiente pesado que os acerca é tão obscuro como quando nos sentimos abandonados ou esquecidos por alguém que amámos.

Os rostos lívidos diante dos meus olhos doem só de ver. As histórias que todas as noites oiço do vizinho que está desempregado há quatro anos, com os seus dois filhotes pequenitos e com a mulher internada há um mês deixam-me de rastos.

Eu, que não passo de um miserável, de um pobre sem rumo, todas as noites morro um pouco mais por dentro; todas as noites levo horas desperto porque tu, Portugal, não nos levaste só dinheiro nem nos privaste somente do trabalho ou de caprichos que eventualmente havíamos tido. Privaste-nos, isso sim, da nossa dignidade, do nosso orgulho, dos nossos sonhos que agora se encontram num baú pequeno sem possível abertura.

Portugal, não me humilhes mais, por favor.

Álvaro Machado - 21:48 - 23-05-2015

domingo, 26 de abril de 2015

O 25 de Abril de outrora

O povo que agora consente outrora disse não a quem os governava, conspirou contra o poder e ansiou derrubá-lo. Dias e noites passadas a vislumbrar a queda do regime, a querer saborear a liberdade por fim.
Muito abdicaram estes homens para o conseguir, privados foram da sua vida, sujeitados foram a repressão violenta na tentativa de os diminuir enquanto homens íntegros.

A verdade é que isso nunca os demoveu. Privá-los das suas famílias e da sua liberdade não os fizera, nunca, jamais, abdicarem da crença de um país melhor, antifascista, e plenamente democrático.
A música que cedo entoava a saída à rua da revolução, com o «E Depois do Adeus» de Paulo Carvalho, até à confirmação de toda a operação com a «Grandola Vila Morena» de Zeca Afonso, fizeram os portugueses vibrar com a determinação de todos os revoltosos e com a permanente incerteza quanto ao desfecho do desenrolar dos acontecimentos.

Hoje, por força da nossa inconsciência, esquecemo-nos que muito do que temos é fruto de homens corajosos como Mário Soares, Álvaro Cunhal, Francisco Sá-Carneiro, Manuel Alegre, e por aí fora, que recusaram sempre colaborar com Estado Novo e nunca se amedrontaram face à pressão que a PIDE lhes fizera – praticamente não faziam outra coisa senão estarem presos, sendo altamente conspiradores contra o regime salazarista, e quando não era atrás das grades seriam alvos de uma perseguição devastadora às suas casas, às suas relações pessoais, ao seu trabalho, tendo como ponto de partida a censura…

Ainda assim, não lhes fizera a prisão e os exílios frequentes aquilo a que hoje em dia comummente estamos habituados: a um povo calado que consente a fome e a miséria e oportunismo político. Sejamos outra vez 25 de Abril, sejamos outra vez sonhadores!

Álvaro Machado - 19:11 - 25-05-2015

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Um breve dizer, um longo sacrifício

Lembro-me que há dias sua santidade havia dito que os homens tinham arranjado um eufemismo para a morte dos idosos, para a razão de todo aquele doloroso sofrimento. Essa palavra seria nada mais do que «eutanásia».

O mesmo poder-se-á aplicar aos nossos políticos e aos que fervorosamente lhes mantêm apoio incondicional. O que temos assistido, neste últimos anos de governação PSD/CDS, é a um aproximar flagrante do abismo, onde os sacrifícios exigidos aos portugueses foram tomados em vão, ou não será do vosso entender que o desemprego de milhares de nós, a fome galopante que os interesses económicos e o sector bancário impingem, a completa estagnação da economia e a queda livre do investimento nos tornam um país pior?

Como podemos dar uma chance ao mesmo Passos Coelho que disse que o «estar desempregado era uma oportunidade»? Como o podemos dizer aos contribuintes que investiram na educação e na formação dos jovens dos dias de hoje que foi tudo em vão? Afinal de contas, emigraram mais de 165 mil jovens. Os beneficiados, como sempre, são os países que os receberão: não lhes sendo dispendiosa a formação, é com bom grado que recebem jovens qualificados para desenvolver os sectores mais diversos.

Ah, um momento. Esqueci-me que estão em preparação de eleições e portanto o país tem estado melhor. Já se adoptam palavras como «crescimento» e «emprego» ao invés da já referida estagnação e desemprego; o que se esquecem de dizer é que, e permita-me o senhor tal franqueza momentânea, esses dados estatísticos não passam de pura demagogia. Senão reparemos: os níveis de desemprego em Portugal descem porquê? Porque a classe média e os recém-formados emigram, bem como os que não estão inscritos no centro de emprego, e é por isso que, não sendo contabilizados, o desastre passa de uma hipérbole para um eufemismo.

Continuam a esquecer-se do essencial. Continuam a passar despercebidos ao facto de sermos um país sem uma agricultura sustentável onde importámos mais de 60% da alimentação; onde os nossos barcos são essencialmente artesanais e, por isso, não rentáveis para as pescas num mar longínquo em que a refrigeração é crucial; onde o interior é desertificado, sem nenhum investimento, sem nenhum incentivo que potencialize a entrada de novas empresas para desenvolver essas regiões fantasma…
Tentam convencer-nos que as exportações tendem a aumentar. O que não esmiúçam é que, efectivamente, exportar demasiado nem sempre é sinal de ‘peso’ na economia. Somos um país que depende em mais de 60% do turismo e onde as exportações não têm um valor acrescentado forte e capaz de competir no mercado internacional. Exportar têxteis e vinho não é suficiente. Falemos da Alemanha e tiremos dos alemães os bons exemplos: refiro-me a um país que não tem quase nenhuns recursos no solo, mas que, ainda assim, é dos países com a indústria pesada mais forte, que transforma, p.e, o cobre em produtos de grande valor acrescentado no mercado; ou então falemos da indústria automóvel, que exporta quantidades bíblicas de Mercedes para os EUA. E é por acaso que isto acontece, meus amigos? Não, não é. Tiveram e têm uma grande visão para o seu país e sabem aquilo que realmente querem. Só isso.

Mas não me venham com ilusões. Uma breve palavra como «flexibilização» é só um eufemismo barato que um ignóbil qualquer usa no parlamento, vamos lá ver, até soa bem.
Como a eutanásia encobre a morte, a flexibilização encobre a degradação das condições dos portugueses como nunca antes se viu. Essa é a verdade. Nua e crua.

Álvaro Machado – 02:26 – 28-03-2015

sábado, 15 de novembro de 2014

Hilariante Partido Comunista

http://www.avante.pt/pt/2136/internacional/132905/#.VF0TEVzsA_M.facebook
Este texto e este apelo do Partido Comunista Português não só se imbui massivamente de ideologia densa e extremista como também de um irrealismo deveras assustador.

Confesso-vos: ler tantas barbaridades num texto choca e de que maneira. Pois ainda há quem tente usar palavras como "capitalismo", "federalismo" ou "neoliberalismo" para camuflar as reais intenções de um partido que nos tempos da URSS aglutinava cerca de 15 Repúblicas Socialistas e onde todas elas se subordinavam ao poder central, presente no artigo nº81 da Constituição Soviética de 1977.

Constituição essa que, curiosamente, apela a uma união dos trabalhadores, a uma igualdade devidamente justa e mais que merecida, mas que, no fundo, não passa de uma «Ditadura de Proletariado» onde os trabalhadores não têm realmente nenhuma influência, onde as classes têm claramente uma hierarquia por de trás e onde todo e qualquer trabalhador não se opõe aos senhores do poder quando são tomadas decisões com relevo. Contra o federalismo? Tenham um pouco de dignidade, por favor.

A República Democrática Alemã (RDA) inseria-se num contexto político-social subdesenvolvido, em grande parte agrícola e com a agravante de Estaline adoptar uma política de auto-suficiência; claro está que a auto-suficiência é incansável quando o território tem recursos naturais escassos, trabalhadores pouco instruídos e, por conseguinte, uma produção muito aquém do desejado. Consequências, na prática, dessa situação? Importação, importação e importação. (E lá se vai toda a bíblia sagrada comunista por terra...)
Onde a cultura levaria uma exaustiva perseguição, que resultaria na censura a toda e qualquer música que não fosse escrita e cantada em alemão. Enquanto que, do outro lado, os tais "capitalistas" e "federalistas" mantinham-se livres, coesos e respeitadores da democracia, de tal modo que estavam abertos a todos os produtos e a todo o tipo de ideias. Porém, nesta tal RDA, o que podíamos constatar era uma república fechada ao exterior, que censurava todo e qualquer produto vindo de fora (como é caso da 'Cola-Cola') e que lançava doses sucessivas de informação a enaltecer os trabalhadores, os heróis da nação.
Mas adiante. Não vim aqui dar-vos lições de história (ainda que muitos merecessem), nem vou tampouco explicar-vos por que é o comunismo tão extremista como é. Nacionalizar tudo? Auto-suficiência? Deixar-mos os trabalhadores tomar conta de tudo? Deixemos o fanatismo de lado, pois Lenine e Estaline já adoptaram esses mesmo ideais e o resultado foi claro: resultou em privatizações, num país atrasado e completamente desigual.

O que vim aqui falar-vos é deste texto do PCP. E gostaria de perceber onde é que vêem coisas como: «a RDA, pelas suas notáveis realizações nos planos económico, social e cultural e pela sua política antifascista e de paz, impôs-se e fez-se respeitar no conserto das nações como Estado independente e soberano e tornando-se depois de anos de duro combate membro de pleno direito da ONU (1973) em simultâneo com a RFA». Como podem ver os planos económicos, sociais e culturais fracassaram e fracassaram categoricamente.

Ora, falemos mais sobre este Estado independente e soberano. Vejamos, por exemplo, como foi eleito o primeiro governo da República Democrática Alemã (e, posto isto, transcrevo factos): «Em maio daquele ano, os participantes do Congresso do Povo (Volkskongress) haviam sido apontados em uma lista unitária. Essa votação seria a primeira de uma longa série de eleições falsificadas na República Democrática Alemã (RDA).

Na votação, 31,5% do eleitorado havia respondido com "não" aos nomes apresentados, enquanto 7% se abstive, o que levou a uma recontagem dos votos. Dessa vez, nomes riscados e cédulas em branco foram considerados "sim". Com isso, 61,1% dos votos passaram a ser a favor da lista única.» - ou seja, uma transparência incontestável, camaradas.

Isto levou-nos à célebre frase de "Tem de parecer democrático...". Ulbricht ordenou que se tentasse encobrir as falcatruas do processo, mostrando-o democrático, e, mais do que isso, não quis abdicar do "controlo de tudo" por parte do SED - mais uma vez, transparência máxima, liberdade nos níveis máximos.
Agradecido por este momento grotesco proporcionado pelo PCP, termino com mais uma citação que, a meu ver, arremata por completo toda e qualquer dúvida sobre o fanatismo ideológico a que já estamos habituados:

«A proibição de deixar o país e a vigilância do próprio povo pelo "Ministério de Segurança Estatal" contribuíram para a derrocada do sistema, da mesma forma como a construção do Muro de Berlim, em Agosto de 1961, ou os slogans vazios dos senis funcionários do SED.
Após 40 anos de opressão da liberdade de expressão e limitação do desenvolvimento individual, o sonho do suposto "melhor Estado alemão" acabou de forma tempestuosa.»

Álvaro Machado - 20:06 - 09-11-2014

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Divagando... Por João Valdoleiros

Caros leitores,
Divulgamos aqui no nosso espaço, com enorme prazer, um texto da autoria de João Valdoleiros... Uma pequena amostra do que estará por vir, brevemente... No nosso blogue.
Divagando....
 
Sobre a recente e muito publicitada colocação de dívida pública portuguesa nos mercados, ou seja, os custos da credibilidade.
As trombetas dos mass-média ao serviço do Poder instituido soaram vibrantemente com esta vitória de Pirro, esquecendo como então, que os custos da vitória eram tão dolorosos, que jamais o mundo (leia-se Portugal), se esqueceria de tal.
Hoje, depois duma desmesurada euforia, regressamos à realidade do país que temos, recordando os custos de tal vitória pírrica – um desemprego galopante, uma sucessão de falências em geral de micro, pequenas e médias empresas (afinal aquelas que suportam o tecido empresarial e garantem postos de trabalho), uma economia numa crescente espiral recessiva (até o FMI chama à atenção de Gaspar), à evasão fiscal generalizada (salve-se quem puder, porque os off-shores são só para os tubarões do sistema), a um orçamento de estado totalmente inexequível (logo se verão os “buracos” da Madeira, dos BCPês, dos Banifs e das Galileis deste Portugal, que Gaspar na sua prática político-financeira irá tapar, com o dinheiro dos funcionários públicos e pensionistas).
Não interessa e muito menos importa esclarecer os contribuintes portugueses do valor dos juros que se vão pagar aos mercados por estes empréstimos. O mínimo que se pode concluir e que é do conhecimento geral, é que, como Portugal aumentou a sua credibilidade externa (não é o que apregoam?), os juros vão ser mais elevados que os praticados pelas instâncias europeias (ora digam lá se não é outra vitória de Pirro?).
A crediblidade paga-se, não?

sábado, 10 de novembro de 2012

Novembro, dia 10

Como de costume, hoje foi dia de almoço fora de portas. Frio e chuva com ventos infernais na parte de trás da porta, calor e intensidade pela parte de dentro. Foi assim.
A conversa fluía à medida que os segundos transitavam entre o tempo indefinido de estarmos ali sentados e o espaço eternamente intenso de ali estar... Temas foram abordados de forma simples, ainda que sublime, e a esperança ganhou novo fôlego: o mar das nossas vidas pela primeira vez era navegado por nossas naus; a igreja, representada por um padre defronte, parecia, à primeira vista, ser honesta e séria; a família de camponeses por de trás de nós conversando sobre pesca e agricultura, que enfim é a sua vida; e o dono, padecendo de embriaguez, abrindo portas à chuva exógena, gritava altivamente: "entrai sobre este calor intenso!".
Não podia precisar o que realmente se passou naquele instante. Porém, sei que aconteceu. Enquanto estava sorridente no diálogo catastroficamente cómico chegou uma mulher que, diga-se de passagem, não caminha para nova, de cabisbaixo nos desejou bom apetite - ela que, alias, sempre sorridente nos fala abertamente - com a perna mórbida. Não ficando contente com o que via, ergui a voz ao alto e perguntei-lhe:
- Afinal, o que lhe aconteceu? - disse-o espantado
Uns breves segundos de silêncio fizeram sentir-se na sala de jantar até que, de repente, respondeu resignada:
- Dei cabo desta perna, senhor.
- E já tratou de ir ao médico? Olhando para si, parece ser grave. - disse eu
- Oh, é claro que já tratei de ir. Mas só tenho vaga para dia 21. Infelizmente é o país que temos...
A conversa por ali seguiu sem nexo e acabou sem desfecho. Não esperei mais. Talheres arrumados, café a chegar e este trecho termina assim.
Álvaro Machado - 14:53 - 10-11-2012

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Carta de despedida de Pedro Marques

Porque a JS Marco é MUITO + Que POLÍTICA, mas também porque política também é isto. Palavras que temos o dever de conhecer e sobre as quais vale a pena refletir.

Excelência,

Não me conhece, mas eu conheço-o e, por isso, espero que não se importe que lhe dê alguns dados biográficos. Chamo-me Pedro Miguel, tenho 22 anos, sou um recém-licenciado da Escola Superior de Enfermagem do Porto. Nasci no dia 31 de Julho de 1990 na freguesia de Miragaia. Cresci em Alijó com os meus avós paternos, brinquei na rua e frequentava a creche da Vila. Outras vezes acompanhava a minha avó e o meu avô quando estes iam trabalhar para o Meiral, um terreno de árvores de fruto, vinha (como a maioria daquela zona), entre outros. Aprendi a dizer “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite” quando me cruzava na rua com terceiros. Aprendi que a vida se conquista com trabalho e dedicação. Aprendi, ou melhor dizendo, ficou em mim a génesis da ideia de que o valor de um homem reside no poder e força das suas convicções, no trato que dá aos seus iguais, no respeito pelo que o rodeia.

Voltei para a cidade onde continuei o meu percurso: andei numa creche em Aldoar, freguesia do Porto e no Patronato de Santa Teresinha; frequentei a escola João de Deus durante os primeiros 4 anos de escolaridade, o Grande Colégio Universal até ao 10º ano e a Escola Secundária João Gonçalves Zarco nos dois anos de ensino secundário que restam. Em 2008 candidatei-me e fui aceite na Escola Superior de Enfermagem do Porto, como referi, tendo terminado o meu curso em 2012 com a classificação de Bom. Nunca reprovei nenhum ano. No ensino superior conclui todas as unidades curriculares sem “deixar nenhuma cadeira para trás” como se costuma dizer.

Durante estes 20 anos em que vivi no Grande Porto, cresci em tamanho, em sabedoria e em graça. Fui educado por uma freira, a irmã Celeste, da qual ainda me recordo de a ver tirar o véu e ficar surpreendido por ela ter cabelo; tive professores que me ensinaram a ver o mundo (nem todos bons, mas alguns dignos de serem apelidados de Professores, assim mesmo com P maiúsculo); tive catequistas que, mais do que religião, me ensinaram muito sobre amizade, amor, convivência, sobre a vida no geral; tive a minha família que me acompanhou e me fez; tive amigos que partilharam muito, alguns segredos, algumas loucuras próprias dos anos em flor; tive Praxe, aquilo que tanta polémica dá, não tendo uma única queixa da mesma, discutindo Praxe várias vezes com diversos professores e outras pessoas, e posso afirmar ter sido ela que me fez crescer muito, perceber muita coisa diferente, conviver com outras realidades, ter tirado da minha boca para poder oferecer um lanche a um colega que não tinha que comer nesse dia. Tudo isto me engrandeceu o espírito. E cresci, tornei-me um cidadão que, não sendo perfeito, luto pelas coisas em que eu acredito, persigo objetivos e almejo, como todos os demais, a felicidade, a presença de um propósito em existirmos. Sou exigente comigo mesmo, em ser cada vez melhor, em ter um lugar no mundo, poder dizer “eu existo, eu marquei o mundo com os meus atos”.

Pergunta agora o senhor por que razão estarei eu a contar-lhe isto. Eu respondo-lhe: quero despedir-me de si. Em menos de 48 horas estarei a embarcar para o Reino Unido numa viagem só de ida. É curioso, creio eu, porque a minha família (inclusive o meu pai) foi emigrante em França (onde ainda conservo parte da minha família) e agora também eu o sou. Os motivos são outros, claro, mas o objetivo é mesmo: trabalhar, ter dinheiro, ter um futuro. Lamento não poder dar ao meu país o que ele me deu. Junto comigo levo mais 24 pessoas de vários pontos do país, de várias escolas de Enfermagem. Somos dos melhores do mundo, sabia? E não somos reconhecidos, não somos contratados, não somos respeitados. O respeito foi uma das palavras que mais habituado cresci a ouvir. A par dessa também a responsabilidade pelos meus atos, o assumir da consequência, boa ou má (não me considero, volto a dizer, perfeito).

Esse assumir de uma consequência, a pro-atividade para fazer mais, o pensar, ter uma perspetiva sobre as coisas, é algo que falta em Portugal. Considero ridículas estas últimas semanas. Não entendo as manifestações que se fazem que não sejam pacíficas. Não sou a favor das multidões em protesto com caras tapadas (se estão lá, deem a cara pelo que lutam), daqueles que batem em polícias e afins. Mais, a culpa do país estar como está não é sua, nem dos sucessivos governos rosas e laranjas com um azul à mistura: a culpa é de todos. Porquê? Porque vivemos com uma Assembleia que pretende ser representativa, existindo, por isso, eleições. A culpa é nossa que vos pusemos nesse pódio onde não merecem estar. Contudo o povo cansou-se da ausência de alternativas, da austeridade, do desemprego, das taxas, dos impostos. E pedem um novo Abril. Para quê? O Abril somos nós, a liberdade é nossa. E é essa liberdade que nos permite sair à rua, que me permite escrever estas linhas. O que nós precisamos é que se recorde que Abril existiu para ser o povo quem “mais ordena”. E a precisarmos de algo, precisamos que nos seja relembrado as nossas funções, os nossos direitos, mas, sobretudo, principalmente, com muita ênfase, os nossos deveres.

Porém, irei partir. Dia 18 de Outubro levarei um cachecol de Portugal ao pescoço e uma bandeira na bagagem de mão. Levarei a Pátria para outra Pátria, levarei a excelência do que todas as pessoas me deram para outro país. Mostrarei o que sou, conquistarei mais. Mas não me esquecerei nunca do que deixei cá. Nunca. Deixo amigos, deixo a minha família. Como posso explicar à minha sobrinha que tem um ano que eu a amo, mas que não posso estar junto dela? Como posso justificar a minha ausência? Como posso dizer adeus aos meus avós, aos meus tios, ao meu pai? Eles criaram, fizeram-me um Homem. Sou sem dúvida um privilegiado. Ainda consigo ter dinheiro para emigrar, o que não é para todos. Sou educado, tenho objetivos, tenho valores. Sou um privilegiado.

E é por isso que lhe faço um último pedido. Por favor, não crie um imposto sobre as lágrimas e muito menos sobre a saudade. Permita-me chorar, odiar este país por minutos que sejam, por não me permitir viver no meu país, trabalhar no meu país, envelhecer no meu país. Permita-me sentir falta do cheiro a mar, do sol, da comida, dos campos da minha aldeia. Permita-me, sim? E verá que nos meus olhos haverá saudade e a esperança de um dia aqui voltar, voltar à minha terra. Voltarei com mágoa, mas sem ressentimentos, ao país que, lá bem no fundo, me expulsou dele mesmo.
Não pretendo que me responda, sinceramente. Sei que ser político obriga a ser politicamente correto, que me desejará boa sorte, felicidades. Prefiro ouvir isso de quem o diz com uma lágrima no coração, com o desejo ardente de que de facto essa sorte exista no meu caminho.

Cumprimentos,
Pedro Marques

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Braga CEJ 2012: Portugal Participa

Conselho Nacional de Juventude (CNJ), em coordenação com o Instituto Português de Desporto e Juventude (IPDJ) e contando com o apoio do Programa Juventude em Acção e da Capital Europeia da Juventude vai realizar o Seminário Nacional do projecto Portugal Participa – Depende de Nós, no Museu D. Diogo de Sousa, em Braga, de 19 a 21 de Outubro. A iniciativa insere-se no conjunto de actividades que o CNJ tem estado a promover, no âmbito do Diálogo Estruturado do Quadro de Cooperação Europeia em matéria de juventude. Organizações de juventude, jovens, decisores políticos, trabalhadores na área da juventude e peritos vão estar reunidos para debater os temas da Democracia, Cidadania Activa e Inclusão Social.
O programa do seminário contempla sessões plenárias, mesas redondas e grupo de trabalho (bem como momentos culturais e de convívio), com o objectivo de serem trabalhadas recomendações sobre políticas de juventude, nas áreas da Participação e Inclusão Social. Será dada continuidade aos cinco seminários regionais já realizados (Açores, Coimbra, Évora, Madeira e Valongo) e serão partilhados os resultados dos eventos europeus de juventude dedicados à Participação (presidências da UE dinamarquesa e cipriota) no âmbito do processo do diálogo estruturado, promovendo a reflexão e a comparação entre a visão europeia e nacional. Os objectivos deste seminário passam também por promover a partilha de informação e troca de experiências sobre programas existentes para o fomento da participação, aprofundando-se o diálogo e parceria entre os vários actores envolvidos, cabendo aos jovens um papel principal.
 
Fica a saber mais aqui.
 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Política e os Portugueses 12

Episódios do dia-a-dia em que sinto no meu bolso (e no de todos) as políticas concretizadas no Hemiciclo (esse lugar que não raras vezes me parece distante):

I. O desemprego sobe. Tal como há dias aqui apontei, os 15,9% de taxa de desemprego são reflexo de uma política completamente orientada para a redução do défice orçamental sem que, para isso, se olhe a meios. Ironia da coisa: o défice e a dívida sobem. Os objetivos são gorados e os portugueses assistem a estimativas e tentativas falhadas... À sua custa! Mas não nos apoquentemos... Isto é apenas um cenário que se desenha, um contexto de oprtunidade que se ergue perante os nossos olhos! Olhemos para o mar de oportunidades que se abrem portanto... São muitos os desempregados, logo são muitas as oportunidades! Lógica simples: pieguiçes à parte, vamos aproveitar as oportunidades.

II. António Borges é um nome que, confesso, me assusta. Não intimida, apenas assusta. O seu intelecto, verdadeiramente superior, absolutamente galático, portentosamente estratosférico - sobre-humano em suma - merece ZERO palavras, visto que Daniel Oliveira já fez uso delas de forma tão primorosa. Nada a acrescentar quanto a isto, portanto. O que me assusta neste nome é a clara noção de que é a isto - sim ISTO - a que estamos entregues. É este senhor que manipula a (pouca) massa encefálica do nosso Primeiro-Ministro. Este é dos conselheiros mais influentes deste governo. Este ser é um dos principais estrategas da política atual. Esta á, sem dúvida, a criatura que mais repúdio me tem gerado nos tempos que correm. Estamos entregues à bicharada... Mas assim continueamos!

Vamos mudar isto ou quê?? Não é mais tempo de ficar no café a opinar ou no sofá a barafustar! Ação, intervenção e envolvimento é o que se exige!! Junta-te a nós... O Marco precisa, Portugal precisa de ti!
 
Porque, frequentemente, a política que ambiciono e projecto é muito distante da política praticada. Mas também porque a política é essencial para o quotidiano equilibrado de uma sociedade sustentável!!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Mais e Mais Austeridade

Este não é o único output das políticas concretizadas... É apenas mais um! O que faz com que seja mais grave ainda! O desemprego aumenta, como um dano colateral das políticas implementadas pelo governo de Portugal, à medida que o défice aumenta também, o controlo da despesa pública é ineficaz, a reforma do estado é nula, o estrangulamento da economia é feroz... Enfim!
Os portugueses sentem no corpo e pagam com o mesmo as políticas deste (des)governo e, não obstante esses sacrifícios e a respetiva ausência de resultados, a política continuará. Sempre!
O gráfico e a tabela que aqui se apresentam não merecem qualquer comentário... APENAS DESPREZO PARA COM OS GOVERNANTES E COMPREENSÃO PARA COM AS SUAS VÍTIMAS.
 
Uma nota apenas: Agosto é um mês que, por regra, a taxa de desemprego dimunui... Imagine-se o que por aí vem!
 

Fonte: Eurostat

 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Tema do Mês... De férias



Hoje é 6ª feira. Hoje é dia de Tema do Mês. Mas... Hoje não. Este mês não.
Em Agosto, tal como muitos de vocês, o Tema do Mês vai de férias. Este é um mês para apreciar os recantos que o nosso jardim à beira mar plantado tem para nós oferecer... Este é o mês de ver e sentir Portugal, não o mês para preparar textos e opiniões bem fundamentados acerca de uma determinada temática.
Já que se fala nisto... Já conhecem a iniciativa Portugal, o melhor destino? Um projeto da empresa marcoense Dreambooks que se propõe a cosntruir o maior álbum fotográfico do mundo com as TUAS fotografias... Participa, os prémios são muitos e, no fim, poderás ver a tua foto impressa num mega-álbum cujas páginas terão 8 x 3,5 m.
Voltando ao assunto de interesse, o Tema do Mês. Como haviamos dito: Agosto é mês de pausa na publicação, mas não no trabalho. Iremos refletir sobre o espaço e sobre a forma de conseguir, a partir dos conteúdos nele introduzidos, concretizar propostas e projetos, dando continuidade ao trabalho que os autores tiveram para desenvolver textos interessantes e repletos de conteúdo e intencionalidade. Durante este mês iremos rever os textos e iremos publicar ligações para os mesmos através da nossa página de facebook. A partir daqui poderás recordar os textos publicados, os autores convidados e os assuntos debatidos. Além disto iremos iniciar uma reflexão com todos os nossos seguidores da página e do blogue no sentido de fazer com que os temas abordados vão de encontro às preferências dos nossos leitores.
O Tema do Mês regressa em Outubro... Melhor que nunca!

Até lá...

Com os melhores cumprimentos,
Miguel Carneiro | Coordenador Concelhio JS Marco Canaveses

segunda-feira, 16 de julho de 2012

"Não estou a propor nada de radical..."


Existem características distintivas, marcas indeléveis quase que selos de garantia de qualidade... Elementos que, não raras vezes parecem secundários e acessórios, mas que, frequentemente, fazem a diferença. Espelham a distância que em muitos outros momentos parece curta mas que, na realidade, é maior que a aquela que separa o continente europeu e o americano.

Já alguma vez imaginaram Pedro Passos Coelho proferir palavras como "Não estou a propor nada de radical, só quero que 98% da população que ganha menos de 250 mil dólares por ano mantenha os benefícios fiscais, e retirá-los aos 2% que ultrapassam esse rendimento"? Já lguma vez pensaram ser possível este executivo por em cima da mesa, por momentos que fosse, a desvairada hipótese de, no caso extremo de pedir sacrifícios exacerbados à população, pedi-los em maior quantidade aos ricos. A cidadãos cujos rendiemntos sejam, por exemplo, superiores a 150 000 € anuais? Acham isso possível?
Importa aqui ressalvar um aspeto: o que Obama propõe surge no contexto de existência de benefícios fiscais e não no contexto de estrangulamento fiscal em que o nosso país se encontra. Não obstante isto penso ser plausível propor, de forma veemente, uma taxação ou uma maior limitação de despesas dedutíveis em sede de IRS, por exemplo, a cidadãos cujos rendimentos ultrapassem os 150 000 €/ano. É justo? Não, claro que não, devemos todos contribuir em proporção dos rendimentos que auferimos. Mas não me parece justo também que, auferindo rendimentos substancialmente superiores, concidadãos meus usufruam de todos os serviços que o estado proporciona ao mesmo custo que os restantes e, concomitantemente, não contribuam mais para o mesmo estado. Parece-me também lógico que o conforto e o luxo razoáveis não exigem rendimentos acima dos 150 000 anuais no nosso país, afigurando-se-me, por isso, minimamente lógico que aqueles cujos rendimentos sejam superiores possam contribuir um pouco mais que os restantes portugueses. Mas já estou a divagar...

Com este texto pretendo sublinhar a incapacidade de tomar um decisão destas e não a possibilidade de os mais abastados contribuirem com um pouco que os restantes. E quando me refiro a Passos Coelho poderia muito dirigir-me a dirigentes partidários do arco do poder, uma vez que, quando era governo o PS também não o fez, reconhecendo com a devida cautela que as condições não eram as mesmas que as atuais.

Parece-me óbvio, perante isto, que a nossa classe política não é capaz de tomar as rédeas dos destinos desta nossa nação, não se afigura, a meu ver, capaz de agarrar os problemas pelos colarinhos, de os enfrentar de olhos fixados no seu propósito e tomar uma decisão destas. Não se esqueçam que François Hollande lançou também um conjunto de medidas que visam aumentar a receita fiscal, incidindo maioritariamente sobre os ricos e contornando aumentos de IVA e outras propostas do anterior governo de direita.

Este é, para mim, um dos grandes poderes da esquerda democrática: enfrentar as questões económicas e sociais com o menor número possível de interesses paralelos, alimentando a sociedade através do exemplo e da ação orientada por causas e ideias humanos e humanistas. É certo que nem tudo são rosas, é verdade, mas digam lá se não trocariam qualquer um destes senhores (Obama ou Hollande) pelos senhores que hoje constituem o governo de Portugal?!

Digam o que quiserem, a sério, estejam à vontade: ingénuo, sonhador, leviano... Mas estou certo de que esta Esquerda precisa-se... de que os portugueses precisam dela!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Acreditar nos políticos?


Já houve dias em que senti muito mais orgulho de tentar fazer algo pela minha terra. Já houve alturas em que acreditava piamente que lutar pelos ideais em que acredito poderia mudar o caos que se vive no Marco.


Houve momentos em que rejeitei por completo acreditar na tese em que a maioria dos jovens da minha idade acredita, e que atribui à política e aos políticos todo o mal do mundo e mais algum. 

Continuo a crer nos ideais que um dia me levaram a envolver numa juventude partidária. No entanto, constato que quanto mais vou percebendo das organizações partidárias e dos políticos vazios que “reinam” por esse país fora, mais desiludido eu fico.

Episódios a mais: são as tramoias de quem “reina”, são os desentendimentos com quem quer “reinar”, são as tentativas constantes para conseguir um lugar…

A realidade mostra-nos, por vezes, que remar contra a maré não vale a pena e cansa demais. O Marco de Canaveses merece muito melhor, dos que estão e dos que não estão no executivo da câmara municipal, do poder e da oposição, dos partidos e das individualidades.

Enquanto não houver decência na política, o país não avança. É pena que se esqueçam que os lugares que ocupam, devem-nos aos que os elegem.

É pena que “altos valores” se levantem na hora da escolha de cargos e cadeiras.

É pena que “guerrilhas” interesseiras continuem a ocupar as organizações em que um dia quis acreditar contrariando a maioria.

Pelos que acreditam, não nos desiludam.

sábado, 30 de junho de 2012

Encontros com o cinema Português- Curta "North Atlantic"





Hoje deixo neste espaço da JS Marco mais uma proposta e divulgação de uma curta nacional. O seu nome é North Atlantic da autoria de Bernardo Nascimento. A curta já conta com um excelente reportório de prémios, notório da sua qualidade.


   O enredo leva-nos a pleno Oceano Atlântico, numa noite de tempestade, dois homens,um em terra outro a bordo de um avião.Misturando-se o fim da história com um bater de dedos e um leve assobio ritmado. Uma melodia num tom introspectivo para um final já de si esperado.
 De referir será que North Atlantic é a única curta portuguesa a concurso no primeiro festival de curtas-metragens promovido pelo You Tube. Por isso confirmem a qualidade da obra e dêem o vosso voto.