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terça-feira, 14 de maio de 2013

Divagações .... sobre os “malandros” dos funcionários públicos e dos pensionistas


 
Constatamos e sofremos na pele, todos os dias, a incompetência e os erros de cálculo na folha de excell de Vítor Gaspar.

E por causa disso e só por cauda disso mesmo, zás, sem dó nem piedade, arresta-se os direitos constitucionais duns tantos “privilegiados”, que se arrogam exigir somente aquilo a que sempre tiveram direito, os subsídios de férias e de Natal e, no caso dos pensionistas, as suas pensões de reforma, convictos que depois de terem cumprido a sua parte num acordo entre partes, funcionário e Estado, este último se comportaria como pessoa de bem. Não parece ser o caso!

Aconteceu, surpresa (?) para a “troika portuguesa”, que os juízes do Tribunal Constitucional consideraram como inconstitucional o corte dos subsídios, daí a sua decisão ser favorável àquele grupo de “malandros”, os funcionários públicos e pensionistas da função pública.

Mas se há coisa que minga à nossa troika, não é a desvergonha, pois quem aconselha a aproveitar a grande oportunidade, oferecida aos nossos jovens através da emigração,  para que possam exibir e aplicar os seus méritos culturais e profissionais em terceiros países, jovens esses, que segundo os nossos mentores políticos, merece que lhes devam ficar “gratos” pela oportunidade proporcionada e jamais esquecê-los.

Em consequência da “polémica” decisão do tribunal Constitucional, a troika portuguesa para resolver mais um dos erros de Vítor Gaspar e poder garantir o ajustamento financeiro e o equilíbrio orçamental, decidiu à semelhança da justiça jesuita  considerar ímpios e merecedores de punição exemplar, os tais “malandros”dos funcionários públicos e pensionistas.

 Despedem-se, para começar, só uns 50 mil funcionários, mandam-se para o desemprego sem direito a subsídio e, cortam-se, nunca menos de 10%, às pensões dos reformados “capitalistas”, amealhando-se os tais milhões, que os nossos usurários requerem, perdão, que a folha de excell de Gaspar exige.

Porque nos deveremos preocupar com as pessoas e com os seus problemas, se o mais “importante” é pagar os juros agiotas dos nossos empréstimos?

E com isto, vem-me à memória a parfenália de argumentos e louvaminhas à troika portuguesa pelo “excelente” esforço ao colocar no mercado secundário 3 mil milhões de euros em títulos da dívida pública portuguesa a 10 anos.

Claro que não convém esmiuçar os contras, pois a taxa de juros é só de 5,7% , que não é nenhum feito se comparada com a taxa média de juros de 4,3% da dívida pública do Estado. Nem desta vez recordar, que serão os vindouros a pagar tal “aventura”, que mais não passou dum balão de ensaio para Bruxelas ver. Nem sequer fazer umas contitas e concluir que a Alemanha em empréstimo da mesma ordem paga só menos 1.200 milhões de euros.

Portanto, obrigado Gaspar.

Ah! Algo mexeu na minha memória. Vítor Gaspar afirmou, que este dinheiro, 3 mil milhões de euros, se destina a entesourar para 2014.

E 2014 ainda vem longe, faltam 7 meses!

Haverá tempo e logo veremos quantas mais idas ao mercado vão ser necessárias para tapar os buracos da folha de excell para 2014.

Quanto a vós, meus caros jovens, aguentem, ai que não aguentem, a coisa está a ficar preta.

Quando os vossos pais e avós não vos puderem ajudar, quando o vosso país vos virar as costas em definitivo, quando todos chorarmos lágrimas de raiva, acordareis então para a luta, para aquela luta que a minha geração também travou, luta dura sem desalento contra uma feroz ditadura, mas que acabou vitoriosa.

O sofrimento faz-nos crescer, fortalece a nossa convicção, aumenta a nossa determinação e assim moldará o nosso carácter de democratas dispostos a ir à luta se necessário for para a defesa acérrima dos nossos direitos constitucionais.

A Constituição da República não é uma bíblia, que penso saibam tem variadas e diferentes interpretações conforme as  diferentes crenças dos seus seguidores, é um código de uma única interpretação. Recordo-vos a preocupação expressa por Pedro Passos Coelho sobre o conteúdo daquele livro de leis, que regem a Democracia em Portugal, logo após a sua vitória eleitoral, afirmando da necessidade da sua revisão, revisão que a sua ideologia de neo-ultraliberal exigia alterar.

Agora reparem, mesmo sem o apoio necessário de 2/3 de deputados na A.R., para conseguir tal desiderato, a revisão da constituição, PPC, mentiroso compulsivo, consegue por caminhos enviesados e com a ajuda dum Presidente da República partidário, esquecendo e desonrando o cargo que ocupa, lograr os seus fins, impor decisões não respeitando, no mínimo, a equidade de sacrifícios.

Insiste em vilipendiar os funcionários públicos e os pensionistas considerando-os como privilegiados, esquecendo, convenientemente, todas as mordomias duma classe política presente e passada, mordomias inaceitáveis numa democracia,  só próprias dum país do terceiro mundo, onde a sociedade se divide em castas superiores e párias.

Os exemplos vindos dos países nórdicos não lhes convêm, não dizem com o seu modo de viver à grande e à francesa.

O Povo, esse que se amole, que se desunhe. A ânsia pelo Poder cega-os, bloqueia-lhes a memória passada, inibe-lhes o raciocínio.

Vamos à luta!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Divagando... pela Inércia Presidencial


 
Numa das minhas divagações, dei comigo a questionar o mais alto representante da Nação, sua Ex.cia o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
Que mais será preciso, Senhor Presidente da República, para que V.Excia tome a decisão mais acertada da sua vida política, a demissão imediata, porque já tardia, deste des(governo) de incompetentes, de mentirosos compulsivos, chefiados por um carreirista da política social-democrata (pessoalmente tenho aversão a esta espécime de indivíduos, que nunca souberam o  que foi trabalhar) e que, no limite, não me causa qualquer desconforto, apelidaria como o novo Miguel de Vasconcelos da nossa História Pátria.
A sua rígida e total vassalagem às directrizes da poderosa “monarca” alemã, a chanceler Angela Merkel e a cega obediência aos ditames dos defensores dum capitalismo selvagem, por interpostas agências de rating, é a maior manifestação da sua completa falta de patriotismo.
A notória perda de soberania pós -  memorando e consequente resgaste financeiro, não foram estímulo suficiente para se rodear de gente capaz de fazer a melhor defesa dos nossos interesses.
A cabal prova disso mesmo, é atual ministro das finanças, considerado por muitos como um técnico conceituado, mas que dia a dia, mais se revela como um autêntico logro.
Quando se falham e erram previsões financeiras e não só, repetidamente, umas atrás de outras, quando se anunciam e se aplicam gravosas medidas de austeridade aos cidadãos, impondo-lhes os maiores sacrifícios, medidas que afetam a nossa economia de modo tão irresponsável (falências diárias de empresas, taxa de desemprego a crescer e a atingir números nunca antes atingidos) e aos pensionistas depois duma vida inteira de trabalho se negam direitos constitucionais, quando se cortam direitos adquiridos na Saúde, na Escola Pública, na Acção Social, sem que desses sacrifícios o país real obtenha resultados, questiono, Senhor Presidente da República, que mais precisa V.Excia para exercer o poder que a sua magistratura lhe confere, o poder de demitir o governo mais incompetente que os Portugueses algum dia conheceram?
Como sempre os nossos licenciados na Universidade da Vida na sua proverbial sabedoria têm razão ao proferir que, “Atrás de mim virá quem bem de mim falará”.
A cassete da culpabilização de Sócrates está gasta, senhores laranjas, limitem-se a fazer os vossos atos de contrição e penitenciem-se pelos vossos votos. Têm no próximo ato eleitoral a possibilidade de o fazer.

Um abraço a todos
João Valdoleiros

quarta-feira, 13 de março de 2013

João Valdoleiros em divagação...


Jean – Claude Juncker, ex - presidente do Eurogrupo em entrevista à conhecida revista alemã “Der Spiegel” revela a sua preocupação e alerta para a possibilidade de novo conflito militar europeu, considerando que as medidas de austeridade implementadas para resolver(?) a crise financeira na Europa, criaram grande e grave instabilidade social em vários países, como a Grécia e a Itália, denunciando mesmo o facto da chanceler alemã Angela  Merkel ter sido recebida em Atenas por manifestantes com o uniforme  das tropas nazis e, em Itália, a campanha eleitoral ter sido demasiadamente anti-alemã e anti-europeia.
Jean-Claude Juncker apesar dos seus receios afirma que, se os líderes da Alemanha, França e Inglaterra unirem as suas vozes, tornarão a voz duma Europa unida, mais forte e certa de demonstrar que não a poderão marginalizar neste processo de resolução da crise, mas, e aqui é que a porca torce o rabo, opina que o caminho a seguir será sempre o da via da austeridade, mesmo se considerado impopular e tão contestado.
Afirma mesmo, que quem governa não deverá temer não ser reeleito pelo facto de manter essas medidas duma austeridade gravosa, prenhe da maior insensibilidade social.
Em resumo, o Sr. Ex-Presidente do Eurogrupo, Jean – Claude Juncker não se inibe em revelar o seu cinismo e a maior hipocrisia perante o sofrimento de milhares e milhares de famílias europeias (gregas, italianas, portuguesas, espanholas, irlandesas,etc.), que sofrem as agruras da pobreza, da falta de assistência social, de carências nos justos cuidados na saúde, rvelando-se apenas muito preocupado, que os governos desses países cumpram o pagamento atempado das suas dívidas, mesmo que extrapoladas por juros de autênticos usurários, insensíveis a questões, que consideram tão comezinhas, como o respeito pela condição humana, o direito à dignidade de cada um, enfim, o direito de no mínimo sermos considerados cidadãos europeus em pé de igualdade com ele próprio.
Não sei se este senhor, agora primeiro-ministro do Luxemburgo, está ou não preocupado com o futuro do seu país, que como todos sabemos deve muito do seu poder económico ao esforçado trabalho dos emigrantes, onde ressalta uma muito significativa taxa de portugueses.
Não sei se o sr. Jean-Claude Juncker temerá que a teta da vaca seque, que os salários dessa mão de obra acabem equiparados aos nacionais.
O que sei é que pertence à linhagem daqueles que defendem a austeridade, custe o que custar, morra quem morrer e como o outro, goste de se ouvir dizer “ai aguentam, aguentam”, pelo menos até quando os espezinhados não se decidirem vestir os tais uniformes em vez de impunhar o cravo e terminem a julgar os verdadeiros responsáveis por esta crise financeira.
E não me venham com a estafada treta “a culpa é do Sócrates”,pois tanto quanto sei não foi o responsável pela gestão governamental da Islândia, da Irlanda, da Grécia, da Itália, etc., nem o criador dos célebres “produtos tóxicos” que “envenenaram” a banca mundial e nacional, nem o responsável pelas bolhas imobiliárias dos U.S.A. e da Espanha.
Recordo aos tais que aceitam sem esforço intelectual, que o culpado da nossa crise foi o Sócrates, duas ou três pequeninas situações, que os ajudarão a ser, penso, mais esclarecidos e melhor informados.
Não pretendendo ser exaustivo, recordarei que a crise financeira se iniciou em 2008 nos U.S.A. depois da falência dum dos maiores bancos norte-americanos – o Leman Brothers – que arrastou a queda de toda uma série de médios e pequenos bancos, companhias seguradoras, etc.ou seja, uma abalo na economia norte-americana de tal ordem, que ameaçou um novo “crash” da conhecida Wall Street.
Ora, renomados economistas portugueses sempre afirmaram que a dependência da economia europeia e portuguesa era tão grande da americana, que quando esta desse um espirro a europeia apanhava uma gripe e a portuguesa uma pneumonia. Mais coisa, menos coisa, dá para perceber da nossa fragilidade – isto desde sempre, muito antes do tal “criminoso” Sócrates.
Regressando ao que entretanto se passava em nossa casa, avivarei a memória desses tantos, que os orçamentos de estado de 2010 e 2011 apresentados por um governo socialista, minoritário, só foram aprovados na Assembleia da República com os votos favoráveis do P.S.D. – sim, em 2010 e abstenção, em 2011. Relembro também que os tão difamados PEC´s I, II e III foram igualmente aprovados pelo grupo parlamentar do P.S.D. com Passos Coelho à cabeça.
Será que isto não corresponsabiliza Passos Coelho e o seu P.S.D. no estado a que chegaram as finanças públicas?
E alguém se recorda da evolução dos juros dos empréstimos logo após a queda do governo de Sócrates, provocada pelo P.S.D. ao não aprovar o PEC IV?
Em consequência da crise governamental, somente em 3 dias, os juros subiram do valor aproximado de 6% para um valor de 10% , ou seja, quase duplicaram, para além da credibilidade junto das agências de renting ter caído a pique – recordo também, que o “licenciado” Miguel Relvas afirmou quando da queda de Sócrates, que imediatamente os juros iriam DESCER. Depois foi o que se viu.
Uma enorme campanha de desinformação, subscrita pelo sr. Silva de Belém, que quando do discurso de tomada de posse da sua recandidatura, afirmou que a crise era nacional – aos mais distraidos recordo que o tal senhor é economista – para mais tarde com a evolução catastrófica dos resultados da gestão dum governo avalizado por ele, vir afirmar que afinal a crise era europeia e até mundial.
Pobre coerência do mais alto responsável da nação, que passou recentemente por um periodo de reflexão, cujos frutos afinal, se revelaram completamente estéreis, por manifesto comprometimento com a ideologia ultra-liberal, dominante, num governo disposto a desmontar tudo quanto a Democracia de Abril nos trouxe.

Até um dia!
Um abraço a todos
João Valdoleiros

segunda-feira, 11 de março de 2013

Divagando... Passos de Pedro Coelho


Sou um leitor assíduo dum conhecidíssimo blogue “O jumento” e confesso que desta vez vou plagiar a ideia do meu caro Jumento.
Vem isto a propósito de nas minhas divagações sobre tudo quanto decorre neste triste e apagado jardim à beira-mar plantado, na sua cada vez mais conturbada vida política com as conhecidas nefastas consequências sobre a nossa economia, sobre o bem-estar social das famílias, de todos quantos necessitam e pensam contar com o apoio das estruturas da Saúde para cuidarem dos seus males, daqueles inúmeros jovens que esperam encontrar na Escola Pública a realização dum sonho, que pretendem preparar-se para enfrentar o seu futuro profissional com um capital seguro de saber e conhecimento, de outros muitos milhares,que viam na Acção Social a esperança duma velhice tranquila ou dum apoio indispensável em situações de desemprego, enfim, de tantos que foram e continuam a ser iludidos por políticos cuja palavra, verdade, sentido da honra, dignidade, se perdem no emaranhado duma retórica sem respeito pela própria ética.

Assim e para dar ênfase às minhas palavras, transcrevo na íntegra as palavras de Passos Coelho, na circunstância de então, líder do P.S.D.:
“ Se nós temos um Orçamento e não o cumprimos, se dissemos que a despesa devia ser de 100 e ela foi de 300, aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa também têm que ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos e pelas suas acções”
e mais adiante continua Passos Coelho a afirmar, que:
“Não podemos permitir que todos aqueles que estão nas empresas privadas ou que estão no Estado fixem objectivos e não os cumpram. Sempre que se falham os objectivos, sempre que a execução do Orçamento derrapa, sempre que arranjamos buracos financeiros onde deviamos estar a criar excedentes de poupança, aquilo que se passa é que há mais pessoas que vão para o desemprego e a economia afunda-se”

E prossegue na sua retórica enganadora
“não se pode permitir que os responsáveis pelos maus resultados andem sempre de espinha direita, como se não fosse nada com eles”
E acaba questionando os presentes num jantar em Viana do Castelo organizado pelo P.S.D. :
“Quem impõe tantos sacrifícios às pessoas e não cumpre, merece ou não merece ser responsabilizado civil e criminalmente pelos seus actos?”
Palavras bem actuais proferidas pelo 1º Ministro Passos Coelho, num jantar em Viana do Castelo, perante os seus acólitos e publicadas pelo jornal “O Público” de 06/11/2010.
Nem me valerá a pena perder tempo a comentá-las, tal o arrepio à justiça e o ataque desmiolado à integridade dos seus opositores políticos.
Quem diria que Passos Coelho na altura se limitava a interpretar ao seu modo um qualquer oráculo laranja.

Um abraço a todos
João Valdoleiros

quarta-feira, 6 de março de 2013

Divagações por João Valdoleiros




O Presidente da República deveria ser, mas prima por não querer ser o garante dos princípios e direitos constitucionais dos cidadãos, já que  jurou defender a Constituição da República. Parece mais interessado, e ele lá saberá porquê, em demonstrar exatamente e constantemente o contrário, com o seu ruidoso silêncio.
Em consequência de tal, ocorre-me a ideia, que sua Ex.cia possa ter sido sequestrado (ideologicamente, pelo menos), coisa preocupante sem dúvida. Diria até, fora de todas as especulações possíveis à volta do seu mutismo, dado o temperamento sereno, pacífico, do nosso bom povo lusitano, incapaz de se revoltar para cuidar e exigir os seus direitos constitucionais, mas antes e sempre disposto a revelar o seu masoquismo.
Os mass-média deram à estampa, que 90% dos guarda-costas da P.S.P., se encontram ao serviço de suas Ex.cias os ministros e outros governantes deste “jardim plantado à beira-mar”, garantindo-lhes a plena integridade física, 24 horas sobre 24 horas. E por acréscimo, um sono de justos.
Ora, tal decisão, com toda a certeza saída dum cérebro tão tortuoso, como engenhoso dum tal Relvas (Macedo, parece-me bem menos timorato e apenas uma figura de retórica) só revela, até nisto, a mais completa incongruência. Ou seja, não diz “a cara com a careta”.
Obviamente, que me refiro à bravata, que um tal Relvas teve ao “atropelar” a música e a letra da canção de Zeca Afonso, “Grandola, vila morena”, talvez o maior símbolo da nossa libertação dum regime ditatorial iníquo e desumano.
Percebemos, agora, donde lhe veio a “coragem”, afinal paga pelos dinheiros de todos nós.
Deixo aqui, ao licenciado Relvas a letra da canção de Zeca Afonso, para que possa pedir os devidos “créditos” à universidade do Zé Povo.

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ò cidade

Dentro de ti,ò cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola,vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola,vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade

Grândola, a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Divagando por João Valdoleiros


Depois da sanha revelada contra os idosos em diversas partes do Mundo – Japão, Grã – Bretanha, Portugal, etc. –  por pretenderem continuar a defraudar os cofres dos serviços de saúde com a sua exigência em permanecer vivos, surgem agora movimentações e apelos que se diriam de carácter caritativo, vindos principalmente da Finlândia e da Alemanha, se tivessem tido uma génese apoiada realmente numa moral cristâ.
Não foi com toda a certeza o caso.
O Ministro do Desenvolvimento alemão, senhor Dirk Niebel duma penada só, tentou tapar o escandalo da existência de produtos erradamente (?) rotulados contendo carne de cavalo à venda nas grandes superfícies de distribuição alimentar, afirmando que, como na Alemanha também há pobres e pessoas a passar fome, tais produtos retirados pelas entidades fiscalizadoras (as ASAEs da Sra. Merkel), dever-se-iam aproveitar e serem distribuidas aos pobres e assim ultrapassar em magnidade o deputado conservador (nota-se logo, não?) Senhor Hartwiger Fischer, que se deixou fotografar para um dos jornais de maior circulação na Alemanha comendo uma lasanha contendo carne de cavalo a fim de convencer os ditos pobres, os tais necessitados a aceitar esta oferta “envenenada”, declarando mesmo de cima da sua autoridade de bom gastrónomo não encontrar diferenças em relação às outras lasanhas.
Tamanha desfaçatez, só mesmo vindo dum simpatizante da direita. O homem nem se deu ao cuidado de se auto-criticar. Será parente do Fernando Ulrich?
Porém e só para aqueles que estejam fora do assunto em causa acrescentarei que, para além da burla em si (engano intencional na rotulagem do produto), na dita carne de cavalo foram detetadas substâncias químicas, mais concretamente do grupo analgésico e anti-inflamatório das butazolidinas, que poderiam criar situações de risco à saúde dos consumidores.
Ora, o ministro boche do Desenvolvimento alemão, pouco se terá preocupado com tal possibilidade, desde que fossem os pobres a consumir tais “petiscos”- esquisita esta  falta de preocupação, não vos parece?
A velha guarda nazista não faria melhor e como propaganda, nada melhor que encher o papo ao pobre, ao inculto, ao desafortunado, que na sua simplicidade ainda agradece e acaba venerando tais políticas.
Concluindo, acabamos todos a saber pela boca dum dos ministros da Sraª Merkel, que na Alemanha há duas classes de cidadãos – os arianos, os puros e os outros, os pobres, os miseráveis, os descendentes dos turcos, dos portugueses,etc., enfim, de todos aqueles que com o seu trabalho ajudaram a levantar dos escombros um povo vencido, mas não convencido e derrotado.
Cuidado, para eles somos apenas PIGGs.
Um abraço a todos
João Valdoleiros

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Divagações....


Tomei conhecimento através dos mass-média, que o SNS britânico, considerado como exemplar durante décadas e que serviu de modelo para o nosso S.N.S. estaria a funcionar de tal modo, que a opinião pública britânica se sentiria chocada e perplexa, perante factos dados a conhecer pelos mass-média.
Referem os meios de comunicação, situações de falhas muito graves na prestação de serviços, especialmente a idosos alectuados em permanência, quantas vezes incontinentes, e  incapacitados de se alimentarem pelas suas próprias mãos.
Na primeira das situações referidas, chegam a ser os seus familiares a efectuar a higiene pessoal, como mudanças de fraldas, lavagens corporais,etc..
Na segunda das situações, os doentes idosos sofrem as agruras da fome e da sede, considerando que um número maior ou menor destes idosos, padece de alterações cognitivas devido ao processo de envelhecimento cerebral, tornando-se presas fáceis da incúria pessoal dos responsáveis pelo seu acompanhamento.
Se nos recordarmos da minha chamada de atenção para o dislate do Ministro das Finanças do Japão, que preconizava uma intervenção de poupança tão austera nas despesas ao apoio e tratamento dos idosos japoneses, especialmente aos acamados e com doenças crónicas exigindo gastos significativos, levando até ao extremo, a recomendação de lhes abreviarem a morte, como uma das soluções para o reequilíbrio financeiro do ministério da saúde japonês – a população de idosos atinge cerca de 30% naquele país
Se nos recordarmos, que também neste triste e vil Portugal de Direitas, já todos ouvimos e lemos declarações, no mínimo polémicas, duma ex-responsável pela pasta das finanças, Manuela Ferreira Leite, colocando a possibilidade dos doentes idosos, insuficientes renais crónicos a necessitar de hemodiálise para a sua sobrevivência, arcarem com os custos dessa terapêutica, e mais recentemente, o actual Ministro da Saúde, Paulo Macedo, tentando, ou conseguindo mesmo, por uma interposta comissão de ética na saúde, comissão escolhida a dedo já se vê, recusar os quimioterápicos mais recentes a doentes oncológicos, considerados em fase terminal, assim como dificultar o acesso à hemodiálise aos insuficientes renais crónicos, em especial aos que pela sua avançada idade, não se enquadram nos parâmetros médicos indispensáveis para que se possam candidatar e beneficiar dum transplante renal.
Se me recordar da leitura dum livro da autoria de Rob Riemen, filósofo e ensaísta, fundador e director do Instituto Nexus da Holanda, intitulado “O Eterno Retorno do Fascismo”, com as devidas comparações em relação às minhas preocupações de idoso, temo que a Humanidade esteja em entrar numa espiral recessiva de afectos, de injustiça, para com aqueles, que deram certamente o seu melhor, toda a sua dedicação, o seu esforço  em prol da constituição duma sociedade mais igualitária, mais equitativa e, em especial, mais fraterna.
Os genocidas da época moderna parecem agora revelarem-se dum modo que diria ainda mais desabrido e afoito. A Humanidade ao eliminar genocidas como Hitler e Staline, julgou ter expurgado do seu seio todos aqueles que pela sua frieza de carácter, pela sua total falta de humanidade, pela mais completa insensibilidade poderiam ser os novos déspotas da era moderna.
Enganou-se redondamente. A semente frutificou e os resultados aparecem-nos todos os dias sob as mais variadas máscaras.
Chegados aqui, recordo sempre uma velha estória da minha infância, que rezava mais ou menos assim, e na qual entravam três personagens – Avô, Filho e Neto.
“Numa determinada tribo de pastores, cumpria-se a tradição de depositar os velhos incapazes para trabalhar, como tal inúteis e pesos mortos para a tribo, no cimo dum monte elevado de clima inóspito e povoado por lobos. Uma manta velha e esburacada para se abrigarem do frio cortante e um recipiente com água para se dessedentarem, era tudo quanto a que tinham direito.
O Velho (da estória) acabou depositado no cimo do monte, cumprindo assim o seu Filho a tradição, até que, anos depois, chegou finalmente a vez do Filho (já idoso) ser levado para o cimo do monte pelo Neto desta estória.
 Receoso perante a morte anunciada, pois os lobos já faziam sentir a sua presença, implorou ao filho que não o abandonasse à morte certa no cimo do monte.
Aquele, limitou-se a questioná-lo. Recordas-te do que fizeste ao teu Pai e meu Avô?
Limito-me a chamar a atenção duns tantos jovens, que sempre se acham protegidos destas decisões polémicas, quer porque a morte ainda vem longe, quer porque isso é problema dos velhos.
Extraiam a moral da estória e logo se aperceberão do futuro que vos espera com estas políticas de Direita.
Da eutanásia política ao suicídio compulsivo é apenas um curto passo, acreditem.

Um abraço a todos
João Valdoleiros

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

+ Opinião: Divagações


Divagando sobre ....
tudo quanto nos possa interessar,merecer a nossa atenção e ainda, eventualmente,servir para transmitir um pouco da nossa experiência de vida àqueles, certamente poucos, que poderão  revelar-se curiosos de tais ensinamentos.
Tenho a certeza que a grande maioria dos leitores do blogue da J.S.,pertencem a uma geração de marcoenses culturalmente bem preparada e como tal mais sensibizada para os gravíssimos problemas que a todos nos afetam, geração de jovens profundamente insatisfeita com o modo como vêem os “eleitos” do Povo, gerir os destinos da sua (nossa) terra,este lindo concelho de Marco de Canaveses,território com uma das localizações geográficas mais privilegiadas de todo o Portugal – um enclave entre dois rios de grande importância – o Douro e o Tâmega.
Infelizmente não poderei deixar de estar de acordo com a vossa opinião.
Possuir acesso a dois cursos de água deste volume e de enorme potencial no desenvolvimento das suas regiões ribeirinhas e verificar que praticamente estão ao abandono, sem que nos possamos aperceber duma política consequente  – não será uma fluvina no Tâmega e um cais de acostagem sem grandes condições de Bitetos, Várzea do Douro – que serão obra meritosa deixada aos nossos vindouros e lhes permita orgulharem-se do  património herdado.
E por hoje, não falemos das bárbaras agressões ambientais ao nosso património – a permanente eutrofização da albufeira do Tâmega  e a exploração desenfreada e descuidada dos nossos granitos.
Limito-me por hoje a uma chamada de atenção à juventude marcoense sobre estes tópicos, recordando-lhes que é o seu futuro património que está em causa.
E parece que Cultura é muito mais que aquilo que nos têm proporcionado.
Fico gratificado como velho marcoense verificar, finalmente, que temos uma juventude atenta, preparada, exigente. Bom seria que outros jovens não confundissem os reais interesses do Marco e dos seus filhos, com jogos e interesses partidários.
Fico profundamente triste e algo deprimido, quando se me proporciona a oportunidade de assistir a intervenções no forum público de jovens com reconhecidas capacidades intelectuais, mas encantados pelas sereias da partidocracia alienando o presente e o futuro da sua terra por troca de mordomias meramente materiais, éfemeras e sem que marquem de modo positivo as suas vidas.
Luís Vaz de Camões, Fernando Pessoa, Chopin, Amália Rodrigues, porque não Eusébio e tantos outros, ficaram para sempre na memória dos homens, alcançaram o top certamente pelos seus méritos, que não por processos enviesados.
Eu sei, eu estou atento, que aqueles que não pensam a vida à maneira deles são os “choninhas”. Epíteto usado para amesquinhar todos aqueles, que como diz Miguel Esteves Cardoso, não alinham no servilismo e no “culambolismo”.
Ora, meus caros jovens, não imaginam quanto me orgulho de poder andar na rua de olhos bem levantados e saber quanto os meus filhos se orgulham do pai que têm.
Um grande abraço a todos deste marcoense que se limita a divagar.
João Valdoleiros

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

JS Marco estreia novo espaço de opinião

O blogue da Juventude Socialista do Marco de Canaveses vai inaugurar um novo espaço de opinião semanal. Todas as quartas-feiras terá «+ opinião» neste espaço. 

João Valdoleiros, que é já uma referência habitual, irá permanecer por cá com as suas «divagações». 

O ex-líder da JS Marco Bruno Caetano trará mensalmente crónicas de «política avulsa». 

A «Gaitada da Decadência» continua também a prometer, com José Vieira ao leme. 

Por fim, uma vez por mês, o nosso blog contará com um convidado diferente. Para começar, quem melhor do que o secretário-geral da JS, João Torres?!

Este espaço continua a prometer novidades! Acompanha-nos. Junta-te a nós!




quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Divagando... Pelo Carnaval


Divagando....
A quadra carnavalesca parece ter chegado mais cedo a Portugal, e também ao nosso Marco, alegremo-nos com tal antecipação, pois sobram os motivos para o nosso gáudio e risonha crítica, passíveis de serem apresentados nos corsos carnavalescos, proporcionando-nos uma excelente terapêutica ( leia-se, “purga”) para a cura, pelo menos temporária, da crise económica, financeira e social que a muitos afeta. Intoxicados, que andamos pela ingestão das receitas miraculosas da troika, este período de verdadeiro pré-carnaval vem a calhar.
Gaspar, promovido a candidato para encarnar a figura do Rei Momo, esforça-se com os seus esgares para a todos nos convencer, que o seu carnaval é um sucedâneo do conhecidíssimo e reputado Carnaval de Munique, deixando escapar assim a sua faceta germanófila.
Enfim, gostos não se discutem e cada um, democraticamente falando, come do que gosta, mas considero imperdoável e inaceitável, que o Rei Momo Gaspar me obrigue a gostar dos cozinhados da Sraª Merkel ou do seu adjunto Olli Rehn.
Não, não me esqueci que no nosso Marco também a quadra carnavalesca já começou. O povo ainda terá que aguardar uma boa temporada para ver desfilar o corso com as mais diversas figuras, desde as que se desunham a tentar convencer os seus pares que eles, sim, são os melhores para se candidatarem a reis momos, até aqueles, que pretendem disfarçar-se de “anjinhos” isentos de todos os pecados, ou querendo apenas desfilar com máscaras de bons samaritanos, sempre atentos a cuidar de sarar toda a espécie de feridas.
Não fora estes carnavais e morreriamos de pasmo, pois a cassete da partidocracia está gasta, de tão repetida e com cheiro a mofo.Necessita-se dumas lufadas de ar puro, bem oxigenado, sem odores envenenados.
Usa dizer-se que cada um come do que gosta e neste carnaval ainda não se foge à regra, cada um disfarça-se com a máscara que lhe dá mais jeito, até que um dia se faça luz na mente daqueles que realmente têm o poder nas suas mãos, o direito de voto. Vivo com a esperança de um dia assistir a uma boa e desejada vassourada.
João Valdoleiros

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Divagando... Por João Valdoleiros



Divagando....desde Terras de Santa Maria
Tive a oportunidade de ler via JN – online, uma notícia vinda das bandas do Oriente, mais precisamente do Japão.
Como todos sabemos aquele país representa uma das maiores civilizações nesse remoto canto do Mundo, com uma cultura sui generis, com facetas que nos deslumbram a nós, ocidentais, como o amor ao ambiente, traduzido na preservação de jardins magníficos, diria quase exemplares únicos no mundo civilizado.
Quem teve a oportunidade de ler a notícia referida acima – o Ministro das Finanças do actual governo japonês senhor Taro Aso numa reunião para resolver os problemas financeiros da segurança social lá da zona, afirmou que, se deveria deixar morrer os idosos, em especial os idosos doentes e depressa, para aliviar os encargos do sistema, ou seja do Estado.
Porque não, senhor Taro Aso, incluir os recém-nascidos com doenças congénitas, com malformações físicas sem solução, os insuficientes renais crónicos a necessitar de hemodiálise para sobreviver, os insuficientes cardíacos a precisar de cirurgia cardíaca (transplantes), os doentes oncológicos em fase terminal, os infectados com o VHS, os doentes do foro psiquiátrico com patologias graves, os dependentes do álcool e do tabaco?
Conseguiria, senhor ministro das finanças, obter facilmente um resultado positivo para as finanças da segurança social, podendo até dar-se ao luxo de despedir uns milhares de funcionários dos ditos serviços, por entretanto se terem tornado excedentários.
Li, reli e, fiquei arrepiado, só por me lembrar, que Passos e Gaspar poderiam optar pela aplicação da mesma terapêutica aos nossos idosos, tanto mais que também já estou nesse grupo etário, altamente representativo, só numericamente falando já se vê e porque alguém com imagem e responsabilidade política dentro do P.S.D. , Manuela Ferreira Leite em tempos, também já sugeriu se recusasse a hemodiálise aos nossos doentes insuficientes renais crónicos atendidos no S.N.S., dado os elevados custos desses tratamentos.
O ministro da saúde português, talvez em bate-papo em qualquer das muitas desnecessárias, inúteis e caras reuniões ministeriais em Bruxelas, parece ter tomado conhecimento antes do jornalista do jornal britânico “O Guardian” da pré-clara ideia de Taro Aso, dado que sugeriu a ideia dos nossos doentes insuficientes renais crónicos, necessitados de hemodiálise, começarem a efectuar tal terapêutica nos seus domicílios.
Facilmente se poderá concluir que o senhor ministro da saúde português não faz a mais pequena ideia de como funciona a saúde e ter-se-á esquecido das mínimas condições necessárias ao seguimento de tais tratamentos. Ou seja, pretende aplicar a “receita” de Taro Aso.
Não fiquei preocupado com os idosos japoneses, não porque a minha sensibilidade tenha qualquer alergia ao seu tom de pele ou ao seu linguajar, mas porque me recordei logo, que a prática do suicídio é de uso corrente na sua cultura ancestral. Contudo deveremos considerar, que o senhor Taro Aso (recuso-me a chamar-lhe ministro, porque entendo que o nome apropriado seria o algoz dos idosos japoneses) aconselha por outras palavras não o suicídio, mas a prática da eutanásia aos prestadores de cuidados médicos a esses idosos.
Ficarei atento à reação da classe médica japonesa e mundial às palavras deste“economista da saúde”, que dado o seu muito provável poder de compra, nunca precisará de cuidados de saúde estatais.
Apoiarei publicamente qualquer movimento cívico no sentido da atribuição do Nobel da Economia e Finanças ao Ministro das Finanças japonês em parceria com o nosso Ministro da Saúde, Miguel ......,pois afinal a solução da crise económico-financeira mundial (vá lá que Cavaco Silva numa das suas últimas fastidiosas intervenções já admitiu que não era só portuguesa e que a culpa do Sócrates era afinal da responsabilidade dos muitos “Sócrates” desse mundo além) estava tão à vista de todos nós, passeava-se nas nossas ruas todos os dias e só os cegos não a poderiam descortinar.
Afinal, tal ovo de Colombo, a solução é o “genocídio dos idosos e doentes crónicos".

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Divagando... Por João Valdoleiros

Caros leitores,
Divulgamos aqui no nosso espaço, com enorme prazer, um texto da autoria de João Valdoleiros... Uma pequena amostra do que estará por vir, brevemente... No nosso blogue.
Divagando....
 
Sobre a recente e muito publicitada colocação de dívida pública portuguesa nos mercados, ou seja, os custos da credibilidade.
As trombetas dos mass-média ao serviço do Poder instituido soaram vibrantemente com esta vitória de Pirro, esquecendo como então, que os custos da vitória eram tão dolorosos, que jamais o mundo (leia-se Portugal), se esqueceria de tal.
Hoje, depois duma desmesurada euforia, regressamos à realidade do país que temos, recordando os custos de tal vitória pírrica – um desemprego galopante, uma sucessão de falências em geral de micro, pequenas e médias empresas (afinal aquelas que suportam o tecido empresarial e garantem postos de trabalho), uma economia numa crescente espiral recessiva (até o FMI chama à atenção de Gaspar), à evasão fiscal generalizada (salve-se quem puder, porque os off-shores são só para os tubarões do sistema), a um orçamento de estado totalmente inexequível (logo se verão os “buracos” da Madeira, dos BCPês, dos Banifs e das Galileis deste Portugal, que Gaspar na sua prática político-financeira irá tapar, com o dinheiro dos funcionários públicos e pensionistas).
Não interessa e muito menos importa esclarecer os contribuintes portugueses do valor dos juros que se vão pagar aos mercados por estes empréstimos. O mínimo que se pode concluir e que é do conhecimento geral, é que, como Portugal aumentou a sua credibilidade externa (não é o que apregoam?), os juros vão ser mais elevados que os praticados pelas instâncias europeias (ora digam lá se não é outra vitória de Pirro?).
A crediblidade paga-se, não?

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Mercado Sem Ti: Dr João Valdoleiros

É com enorme prazer que transmitimos através do nosso blogue o contributo do Dr João Valdoleiros, ilustre médico e marcoense, o seu testemunho pessoal acerca dos mercados municipais e da sua interação com a sociedade. Boa leitura
 
 

Os mercados do meu tempo

 
De cima dos meus muitos anos recordo com saudade a minha Avó, sempre preocupada com o bem-estar dos seus, quando atempadamente avivava a memória de minha Mãe de que naquele, ou em próximo dia, era dia de praça, como eram então designados os mercados.
A “praça” realizava-se a céu aberto, na alameda do hospital em terra batida e os “pracistas” rezavam para que S. Pedro não lhe viesse estragar o negócio, já de si pouco compensador, dada a carência e o fraquíssimo poder aquisitivo da clientela habitual.
Mas não deixei de registar na minha memória o tipicismo dessas praças - mercados a céu aberto – onde os mais diversos e frescos produtos hortícolas, da lavra dos nossos agricultores, se misturavam com o gado de “bico” e os láparos vindos de outras terras, a fruta da mais variada, conforme a época, saudavelmente “bichada”, porque livre de toda a química com que nos impingem a de agora.
Recordo ainda, que a “praça” tinha ainda o seu caráter social, pois acabava por ser um ponto de encontro e convívio de pessoas cujas relações iam para lá da mera formalidade. Não havia a TV, monstro tecnológico que veio acabar com o saudável espírito de diálogo e convívio entre todos nós.
Higiene? Ora querem lá ver, que é isso?
Os tempos correram, as coisas mudaram, os mercados passaram a realizar-se em recintos construídos supostamente para esses fins, ou seja, para que se passassem a comercializar todos aqueles produtos hortícolas, carnes, peixes, frutas, etc., sob rigorosas condições de higiene na defesa da saúde pública, dos consumidores, mas também com a finalidade de criar condições dignas de trabalho aos que se dedicam a esse tipo de comércio. Nem sempre tal aconteceu.
Infelizmente, e por aquilo que me é dado ver e apreciar na nossa terra, tais superfícies não são consideradas prioritárias, antes marginalizadas pelos interesses económicos de outro tipo de superfícies mais apelativas, porque fornecedoras de toda a variedade de artigos. É o “cash and carry” na sua expressão maior.
Por vezes dou comigo a pensar por que razão hoje, cada vez mais e num número crescente de localidades, se refaz a história dos mercados medievais e diga-se de passagem, com cada vez maior adesão das nossas populações.
Saudosismo, cansaço e desencanto do “cash and carry” ?

Que me responda quem souber.   

domingo, 1 de abril de 2012

Tema do mês: Liberdade & Democracia

Com a chegado do 25 de Abril, chegam também conceitos que vieram com a Revolução dos Cravos. Liberdade & Democracia é o tema representativo deste mês no nosso blog.

No dia 2 de abril, Alberto Arons de Carvalho, fundador da Juventude Socialista, é o convidado que abre o mês. Jornalista, professor e político, Arons de Carvalho teve um papel importante na transição do país para a democracia e traz-nos uma contextualização da criação da JS e o papel que a organização teve na época.

No dia 9, Rui Bebiano, historiador e professor de história contemporânea na Universidade de Coimbra e investigador do Centro de Estudos Sociais (mais informações aqui) vai revelar-nos a influência dos movimentos estudantis no 25 de Abril. 

Joaquim Moreira é marcoense, foi professor universitário e candidato à Junta de Freguesia de Santo Isidoro pelo PS. No dia 16 deste mês, conta-nos a sua experiência e explica-nos a importância da crise académica no processo revolucionário. 

Elísio Estanque é o convidado do dia 23. Foi ativista sindical e de diversos movimentos sociais no período revolucionário. É formado em sociologia, irreverente, independente e crítico dos abusos de poder de todos os tipos (fica a saber mais aqui). Continua ativista de diferentes causas de esquerda e apresenta-nos, no blog da JS, um texto acerca da mudança de comportamentos e atitudes entre o período anterior à revolução e o pós 25 de Abril.

A fechar o painel de Abril, João Valdoleiros lembra-nos como foi a transição para a democracia no Marco de Canaveses. Actualmente líder da bancada socialista da Assembleia Municipal do Marco de Canaveses, João Valdoleiros, de fortes convicções, é o convidado que encerra o conjunto de convidados de luxo deste mês.