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segunda-feira, 25 de março de 2013

Divagando... pela Inércia Presidencial


 
Numa das minhas divagações, dei comigo a questionar o mais alto representante da Nação, sua Ex.cia o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.
Que mais será preciso, Senhor Presidente da República, para que V.Excia tome a decisão mais acertada da sua vida política, a demissão imediata, porque já tardia, deste des(governo) de incompetentes, de mentirosos compulsivos, chefiados por um carreirista da política social-democrata (pessoalmente tenho aversão a esta espécime de indivíduos, que nunca souberam o  que foi trabalhar) e que, no limite, não me causa qualquer desconforto, apelidaria como o novo Miguel de Vasconcelos da nossa História Pátria.
A sua rígida e total vassalagem às directrizes da poderosa “monarca” alemã, a chanceler Angela Merkel e a cega obediência aos ditames dos defensores dum capitalismo selvagem, por interpostas agências de rating, é a maior manifestação da sua completa falta de patriotismo.
A notória perda de soberania pós -  memorando e consequente resgaste financeiro, não foram estímulo suficiente para se rodear de gente capaz de fazer a melhor defesa dos nossos interesses.
A cabal prova disso mesmo, é atual ministro das finanças, considerado por muitos como um técnico conceituado, mas que dia a dia, mais se revela como um autêntico logro.
Quando se falham e erram previsões financeiras e não só, repetidamente, umas atrás de outras, quando se anunciam e se aplicam gravosas medidas de austeridade aos cidadãos, impondo-lhes os maiores sacrifícios, medidas que afetam a nossa economia de modo tão irresponsável (falências diárias de empresas, taxa de desemprego a crescer e a atingir números nunca antes atingidos) e aos pensionistas depois duma vida inteira de trabalho se negam direitos constitucionais, quando se cortam direitos adquiridos na Saúde, na Escola Pública, na Acção Social, sem que desses sacrifícios o país real obtenha resultados, questiono, Senhor Presidente da República, que mais precisa V.Excia para exercer o poder que a sua magistratura lhe confere, o poder de demitir o governo mais incompetente que os Portugueses algum dia conheceram?
Como sempre os nossos licenciados na Universidade da Vida na sua proverbial sabedoria têm razão ao proferir que, “Atrás de mim virá quem bem de mim falará”.
A cassete da culpabilização de Sócrates está gasta, senhores laranjas, limitem-se a fazer os vossos atos de contrição e penitenciem-se pelos vossos votos. Têm no próximo ato eleitoral a possibilidade de o fazer.

Um abraço a todos
João Valdoleiros

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Carta de despedida de Pedro Marques

Porque a JS Marco é MUITO + Que POLÍTICA, mas também porque política também é isto. Palavras que temos o dever de conhecer e sobre as quais vale a pena refletir.

Excelência,

Não me conhece, mas eu conheço-o e, por isso, espero que não se importe que lhe dê alguns dados biográficos. Chamo-me Pedro Miguel, tenho 22 anos, sou um recém-licenciado da Escola Superior de Enfermagem do Porto. Nasci no dia 31 de Julho de 1990 na freguesia de Miragaia. Cresci em Alijó com os meus avós paternos, brinquei na rua e frequentava a creche da Vila. Outras vezes acompanhava a minha avó e o meu avô quando estes iam trabalhar para o Meiral, um terreno de árvores de fruto, vinha (como a maioria daquela zona), entre outros. Aprendi a dizer “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite” quando me cruzava na rua com terceiros. Aprendi que a vida se conquista com trabalho e dedicação. Aprendi, ou melhor dizendo, ficou em mim a génesis da ideia de que o valor de um homem reside no poder e força das suas convicções, no trato que dá aos seus iguais, no respeito pelo que o rodeia.

Voltei para a cidade onde continuei o meu percurso: andei numa creche em Aldoar, freguesia do Porto e no Patronato de Santa Teresinha; frequentei a escola João de Deus durante os primeiros 4 anos de escolaridade, o Grande Colégio Universal até ao 10º ano e a Escola Secundária João Gonçalves Zarco nos dois anos de ensino secundário que restam. Em 2008 candidatei-me e fui aceite na Escola Superior de Enfermagem do Porto, como referi, tendo terminado o meu curso em 2012 com a classificação de Bom. Nunca reprovei nenhum ano. No ensino superior conclui todas as unidades curriculares sem “deixar nenhuma cadeira para trás” como se costuma dizer.

Durante estes 20 anos em que vivi no Grande Porto, cresci em tamanho, em sabedoria e em graça. Fui educado por uma freira, a irmã Celeste, da qual ainda me recordo de a ver tirar o véu e ficar surpreendido por ela ter cabelo; tive professores que me ensinaram a ver o mundo (nem todos bons, mas alguns dignos de serem apelidados de Professores, assim mesmo com P maiúsculo); tive catequistas que, mais do que religião, me ensinaram muito sobre amizade, amor, convivência, sobre a vida no geral; tive a minha família que me acompanhou e me fez; tive amigos que partilharam muito, alguns segredos, algumas loucuras próprias dos anos em flor; tive Praxe, aquilo que tanta polémica dá, não tendo uma única queixa da mesma, discutindo Praxe várias vezes com diversos professores e outras pessoas, e posso afirmar ter sido ela que me fez crescer muito, perceber muita coisa diferente, conviver com outras realidades, ter tirado da minha boca para poder oferecer um lanche a um colega que não tinha que comer nesse dia. Tudo isto me engrandeceu o espírito. E cresci, tornei-me um cidadão que, não sendo perfeito, luto pelas coisas em que eu acredito, persigo objetivos e almejo, como todos os demais, a felicidade, a presença de um propósito em existirmos. Sou exigente comigo mesmo, em ser cada vez melhor, em ter um lugar no mundo, poder dizer “eu existo, eu marquei o mundo com os meus atos”.

Pergunta agora o senhor por que razão estarei eu a contar-lhe isto. Eu respondo-lhe: quero despedir-me de si. Em menos de 48 horas estarei a embarcar para o Reino Unido numa viagem só de ida. É curioso, creio eu, porque a minha família (inclusive o meu pai) foi emigrante em França (onde ainda conservo parte da minha família) e agora também eu o sou. Os motivos são outros, claro, mas o objetivo é mesmo: trabalhar, ter dinheiro, ter um futuro. Lamento não poder dar ao meu país o que ele me deu. Junto comigo levo mais 24 pessoas de vários pontos do país, de várias escolas de Enfermagem. Somos dos melhores do mundo, sabia? E não somos reconhecidos, não somos contratados, não somos respeitados. O respeito foi uma das palavras que mais habituado cresci a ouvir. A par dessa também a responsabilidade pelos meus atos, o assumir da consequência, boa ou má (não me considero, volto a dizer, perfeito).

Esse assumir de uma consequência, a pro-atividade para fazer mais, o pensar, ter uma perspetiva sobre as coisas, é algo que falta em Portugal. Considero ridículas estas últimas semanas. Não entendo as manifestações que se fazem que não sejam pacíficas. Não sou a favor das multidões em protesto com caras tapadas (se estão lá, deem a cara pelo que lutam), daqueles que batem em polícias e afins. Mais, a culpa do país estar como está não é sua, nem dos sucessivos governos rosas e laranjas com um azul à mistura: a culpa é de todos. Porquê? Porque vivemos com uma Assembleia que pretende ser representativa, existindo, por isso, eleições. A culpa é nossa que vos pusemos nesse pódio onde não merecem estar. Contudo o povo cansou-se da ausência de alternativas, da austeridade, do desemprego, das taxas, dos impostos. E pedem um novo Abril. Para quê? O Abril somos nós, a liberdade é nossa. E é essa liberdade que nos permite sair à rua, que me permite escrever estas linhas. O que nós precisamos é que se recorde que Abril existiu para ser o povo quem “mais ordena”. E a precisarmos de algo, precisamos que nos seja relembrado as nossas funções, os nossos direitos, mas, sobretudo, principalmente, com muita ênfase, os nossos deveres.

Porém, irei partir. Dia 18 de Outubro levarei um cachecol de Portugal ao pescoço e uma bandeira na bagagem de mão. Levarei a Pátria para outra Pátria, levarei a excelência do que todas as pessoas me deram para outro país. Mostrarei o que sou, conquistarei mais. Mas não me esquecerei nunca do que deixei cá. Nunca. Deixo amigos, deixo a minha família. Como posso explicar à minha sobrinha que tem um ano que eu a amo, mas que não posso estar junto dela? Como posso justificar a minha ausência? Como posso dizer adeus aos meus avós, aos meus tios, ao meu pai? Eles criaram, fizeram-me um Homem. Sou sem dúvida um privilegiado. Ainda consigo ter dinheiro para emigrar, o que não é para todos. Sou educado, tenho objetivos, tenho valores. Sou um privilegiado.

E é por isso que lhe faço um último pedido. Por favor, não crie um imposto sobre as lágrimas e muito menos sobre a saudade. Permita-me chorar, odiar este país por minutos que sejam, por não me permitir viver no meu país, trabalhar no meu país, envelhecer no meu país. Permita-me sentir falta do cheiro a mar, do sol, da comida, dos campos da minha aldeia. Permita-me, sim? E verá que nos meus olhos haverá saudade e a esperança de um dia aqui voltar, voltar à minha terra. Voltarei com mágoa, mas sem ressentimentos, ao país que, lá bem no fundo, me expulsou dele mesmo.
Não pretendo que me responda, sinceramente. Sei que ser político obriga a ser politicamente correto, que me desejará boa sorte, felicidades. Prefiro ouvir isso de quem o diz com uma lágrima no coração, com o desejo ardente de que de facto essa sorte exista no meu caminho.

Cumprimentos,
Pedro Marques

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Esta história não acaba assim por Pedro Santos Guerreiro

 
É muito revelador que o PSD tenha sido lesto a convocar a Comissão Política para reagir às declarações de Paulo Portas de domingo e tenha ficado mudo e quedo ante as manifestações de Sábado. O medo usado pelo Governo foi devolvido pelo povo. Quando o país desparalisou, paralisou o Governo.
Os erros de Pedro Passos Coelho estão listados. É dele e só dele a responsabilidade da crise política que desaba. É dele e só dele o romper abrupto da estabilidade social que acumulava quinze meses de austeridade tolerada. Passos Coelho errou em tudo. No que decidiu, no que comunicou, no que não fez, até na atitude desleal demonstrada na sua última oportunidade. Na entrevista à RTP, os portugueses quiseram ouvi-lo – foi das entrevistas com mais audiência dos últimos anos. Mas o primeiro-ministro voltou a exibir insensibilidade e incoerência, ao culpar os portugueses pela recessão, tinham consumido menos do que era esperado. Como aqui escreveu Manuel Esteves, somos agora acusados de viver abaixo das nossas possibilidades. Como sintetizou Teresa de Sousa, Passos disse que, afinal, o Governo cumpriu, os portugueses não.
As manifestações de Sábado foram muito mais do que numerosas. A tensão e raiva que lá se sentia fizeram das manifestações do 12 de Março (há um ano e meio) uma caminhada pela paz e amor. Nestas, pedia-se justiça, demissões, convulsões. Cada pessoa a quem se perguntava "por que razão está aqui?" respondia com o seu próprio drama. Muitas de lágrimas dos olhos. E agora?
"E agora?" é uma das perguntas que os cépticos das manifestações, e alguns amnésicos sobre o que é a sociedade, costumam perguntar no fim. Como se uma manifestação tivesse apenas dois propósitos: enrolar as bandeiras ou usá-las para partir montras. Errado. Os manifestantes é que perguntam, exigem, "e agora?". É Passos Coelho quem tem agora de responder.
O Governo responde com ameaça de cisão. Paulo Portas respondeu com cinismo a Passos Coelho, dando sequência ao processo de autodestruição da coligação. O pior cenário que temos pela frente é o de eleições, mas deixar apodrecer um Governo de traidores é como usar uma máscara de farinha ao vento. É altura de Cavaco Silva intervir. E resolver.
Passos Coelho já perdeu esta luta porque já perdeu todas. A própria "chamada" de Cavaco Silva a Vítor Gaspar ao Conselho de Estado, tornada pública, é um atestado de menoridade e um insulto ao primeiro-ministro. Cavaco chamou "quem sabe" e quem sabe é Gaspar. É esta a mensagem.
Da manifestação de 15 de Setembro à apresentação da proposta do Orçamento do Estado decorrerá precisamente um mês. Já não é possível reconstituir o que havia colando os cacos, mas é preciso reerguer algo. O aumento da taxa social única para os trabalhadores tem de cair. Até porque, como disse ontem Maria João Rodrigues, há alternativas. Mesmo sendo alternativas de austeridade.
Este é o principal dano provocado pelo Governo: ter destruído a disponibilidade para a dor que existia, porque vigorava o sentimento de que este era um caminho duro mas de injustiça justamente distribuída. Esse selo foi quebrado, irremediavelmente. Como perguntou José Gomes Ferreira, como vão ser agora aceites as próximas medidas de austeridade, que obviamente surgirão daqui até 15 de Outubro? Porque disso não nos livramos. Depois das medidas extraordinárias deste ano (que incluem a concessão da ANA, em vez de privatização), há um ror de austeridade para 2013 que não poderemos evitar. Os cortes na Função Pública e nos pensionistas, os impostos para trabalhadores.
Na delirante mensagem que deixou vai para dez dias no Facebook, o amigo, cidadão e pai Pedro escreveu uma frase certa: "Esta história não acaba assim". Pois não. Acabará de outra maneira. Acaba mal para Passos Coelho. Mas não pode acabar mal para o País.
in Jornal de Negócios

terça-feira, 26 de junho de 2012

Pequenos Gozos d'O Jumento

Transcrevo aqui um post trágico-cómico repleto de ironia e sagacidade publicado no blogue O Jumento que pode, muito bem, refletir a perspetiva de muitos leitores.




Financeiramente capados pelo Gaspar, azar que sucedeu a todos os funcionários públicos excepto os que trabalham no off-shore do Banco de Portugal e a todos os pensionistas excepto os que beneficiam do único fundo de pensão de bancário que não foi nacionalizado pelo Gaspar, precisamente e por mera coincidência o do já referido off-shore, resta-nos ter pequenos gozos.

Dá-me um imenso gozo ver um Paulo Portas extasiado de felicidade ao lado da artista Joana Vasconcelos com aquele ar de quem está numa das nossas feiras mas sem aqueles trajes de caçador sentado. Paulo Portas sabe que muitos portugueses conhecem os trabalhos de Joana Vasconcelos graças à exposição da Colecção Berardo exposta no CCB, uma colecção odiada por este governo.

Dá-me um imenso gozo ver muita gente do governo a formar fila para aparecer na Embraer, um projecto dos tempos de José Sócrates. Dá-me gozo ver que muitos dos que querem chamar a si os louros pelo projecto foram os que no passado se divertiram a gozar com o cluster da aviação em pleno Alentejo, o mesmo Alentejo onde os governos do PSD não investiram um tostão porque não tinham votos na região.

Dá-me gozo ver o Passos Coelho elogiar a aposta portuguesa nas energias renováveis a propósito de uma grande conferência internacional. É o mesmo Passos Coelho que veio para o governo apoiado em gente que odiava as renováveis, gentes que só mudou opinião quando foram comprados pela EDP, gente que escorraçou a Nissan de Portugal.

Dá-me gozo ver os que no passado tinham um orgasmo sempre que os juros da dívida portuguesa subiam estarem agora tão atentos aos mercados financeiros como estão quando a selecção portuguesa joga no Europeu. Só que estão a acompanhar os juros da dívida espanhola e quando roem as unhas não é com receio da equipa de Paulo Bento perder mas sim com medo de que os juros da dívida espanhola voltem a subir.
Sinto gozo quando um Passos Coelho que passou meses a afundar a imagem da Grécia numa tentativa desesperada de se apresentar na Europa como um aluno graxista que pede à professora Merkel para lhe bater mais, anda agora preocupado com a situação financeira de Espanha onde o seu amigo Rajoy está a fazer a Portugal o mesmo que ele fez à Grécia. É um gozo ver o mesmo Passos que forçou um pedido de ajuda internacional rezar agora para que a Espanha não o faça.

É um goz ver Passos, Coelho mais os seus ministros e os rapazolas da troika chamarem a si os louros pelo aumento das exportações quando se sabe que ao contrário do que estes aldrabões dizem esse crescimento das exportações é anterior ao actual governo e a qualquer uma das reformas previstas no memorando ou impostas aos trabalhadores pela CIP e pelo sô Álvaro.

Dá-me gozo ver alguns grupos profissionais que usaram todos os meios e poderes de que dispunham para derrubar um governo de que não gostavam e agora estarem farto de comer e ficar calados, professores aceitam qualquer avaliação, magistrados a fazerem contas à vida e jornalistas a comerem do Relvas.

Dá gozo ver o Jerónimo de Sousa que tanto se bateu para derrubar Sócrates e levar Passos Coelho e Paulo Portas para o poder vir agora armado em líder do proletariado a apresentar moções de censura exigindo que o PS vote a favor. Um dia destes ainda vamos assistir a muito do que já se viu, como as manifestações espontâneas convocadas por telemóvel, as esperas ao primeiro-ministro e outras práticas democráticas do Mário Nogueira.

Dá gozo ver os banqueiros que durante tantos anos foram exibidos como o modelo de sucesso das reformas liberais e grandes defensores das vantagens do liberalismo virem agora chular o dinheiro dos contribuintes para reporem capital que destruiram com negócios obscuros.

Dá gozo ver um liberal de mais de 70 anos, ministro do Cavaquismo e contador de pentelhos andar a lamber as botas aos comunistas chineses a troco de uma gorjeta.

Infelizmente são estes os pequenos gozos que nos restam, o que vale é que são cada vez mais as oportunidades de gozar.