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quinta-feira, 2 de julho de 2015

El-rei regressa na apresentação do livro

Quem não gosta de ler um bom livro? Acaba por ser uma intimidade singela, esta do autor para com o leitor, quase num universo paralelo em que, longe compreensão, nos compreendemos perfeitamente. Desde cedo me habituei a ler: primeiro veio as Minas de Salomão traduzidas pelo Eça, depois o jornal expresso acabou por despertar uma veia mais crítica no sentido literal da palavra.

Como vos dizer..., sempre tive por gosto ler e, sobretudo, ler bons livros, bons jornais (subentenda-se aqui escritores extraordinários e cronistas de referência). A loucura de Dostoievski transposta num pedaço de papel, o universo apocalíptico em que Dumas construiu a personalidade de Edmond Dantès, em paralelo a mágoa profunda e o espasmo futurista de Álvaro de Campos, isso fez de mim o que sou hoje (os tais génios literatos), não duvidem disso nem por um segundo. As questões mais profundas, politico-económicas, político-sociais, democrático-concretas e democrático-abstractas, aprendi-as com os tais cronistas de referência, nomeadamente Miguel Sousa Tavares, Ricardo Costa, Daniel Oliveira, Pacheco Pereira (e por aí fora...).

Mas agora de volta à realidade. O que vos trago aqui é o recente lançamento do livro de Miguel Relvas. Não se apoquentem, ele nem é o autor como os autores que em cima falei nem é tão pouco "autor" na concepção nua da palavra; entenda-se: organizou o lançamento de um livro escrito a "meias" com Paulo Júlio e chamou os pesos pesados da política e do PSD.

"O outro lado da governação" - esse é o nome da grande obra. Eis que a cooperação entre Relvas e Paulo Júlio trouxe ar puro à literatura portuguesa e aos portugueses. Especialmente porque são dois ex-membros do governo, colocados na boca do povo injustamente. «Houve uma reforma profunda que não foi terminada, mas que foi bem feita», atira Miguel Relvas na apresentação de hoje.
Saiu por cima hoje. De consciência limpa, afinal trabalhou muito intensamente na reforma da administração local, fez muito pelo seu país. Miguel Relvas não apresentou um livro, fez política, aquilo a que está habituado portanto, e fê-la da pior maneira que há: a mentir e sem um pingo de vergonha.

Álvaro Machado - 23:29 - 02-07-2015

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Voltando ao assunto TurboLicenciatura...

Não sou grande fã daquele tipo de abordagens exaustivas a assuntos cuja relevância política é ínfima. Este é um dos casos: a TurboLicenciatura de Miguel Relvas. Politicamente não tem que existir tão simplesmente porque Miguel Relvas não pode mais existir num cargo público. E não é apenas pela questão da TurnoLicenciatura... Não é possível esquecer os episódios Mussolinianos de pressão à jornalista do Público bem como a utilização criminosa de informação proveniente dos serviços secretos. Estes dois casos são, a meu ver, consideravelmente piores que a sua TurboLicenciatura numa Universidade cuja imagem está, agora, seriamente danificada. Contudo, voltando ao assunto que me levou a publicar este texto: a TurboLicenciatura! Queria deixar aqui o texto de João Lemos Esteves no jornal Expresso acerca do assunto, intitulado "Miguel Relvas e o erro monumental da JSD". Bom proveito!



1.O episódio da licenciatura de Miguel Relvas continua a gerar a indignação e a crítica dos portugueses. Estes já estão fartos de ser governados por políticos cujo passado é feito de esquemas, favores ou esquemas muito pouco claros. E se já eram muitas as suspeitas que recaíam sobre Miguel Relvas, a confirmação de que Relvas vive bem com "ofertas" e títulos conquistados à margem de qualquer lei mais comezinha decência pública tem um efeito verdadeiramente devastador da sua credibilidade e respeitabilidade pública. De facto, bem se poderá argumentar que Miguel Relvas não actuou, nem desenvolveu nenhum esforço para que a Universidade lhe concedesse o curso - mas a verdade é só uma: Miguel Relvas obteve um diploma universitário com uma facilidade tremenda, tendo sido objectivamente um frete da Universidade a Relvas. Parece que o que acabei de referir resulta evidente.
2. Mas não para todos: é que o líder da JSD, Duarte Marques, veio alegar que Miguel Relvas não é culpado pela forma como tirou o curso: o grande responsável é o autor material da lei, o ex -Ministro Mariano Gago. E que este é um "não-caso", pois Miguel Relvas nunca utilizou o curso em benefício pessoal. Ora, eu conheço relativamente bem Duarte Marques: é um jovem trabalhador, esforçado, com um excelente sentido de organização, mais prático do que teórico. E um parlamentar que tem tentado fazer trabalho. E que normalmente rejeita fazer fretes a membros do PSD, quando sabe que eles não merecem. Duarte Marques chegou à liderança da JSD - lembre-se - depois de um percurso em Bruxelas, como chefe da representação do PSD no Parlamento Europeu, sendo o braço-direito de Carlos Coelho. E curiosamente na JSD sempre foi um lutador pela exigência de rigor na educação, desde o ensino básico até ao secundário. Fiquei, pois, estupefacto quando o ouvi assumir a defesa de Miguel Relvas: Duarte Marques matou assim todo as suas causas políticas e negou o seu passado activista na JSD em favor de uma educação exigente e de rigor: como é que alguém pode defender a exigência e o rigor e depois vem defender um Ministro que tirou um curso "pré-fabricado"? A bota não joga com a perdigota. Duarte Marques, este fim de semana, por sugestão certamente de alguém do Governo, não honrou a juventude portuguesa (que acredita num sistema de ensino superior a sério, quer de natureza pública, quer de natureza privada) e afectou seriamente a credibilidade da JSD. De facto, revelo aqui que, num mail que criei para comunicar com jovens que seguiam programa televisivo em que participei, recebi numerosas mensagens de jovens que me comunicavam a sua opinião que o problema do sistema político era as jotas: aí se aprendia a mentir e a dar o dito por não dito. Com muita pena minha, este fim de semana, Duarte Marques cometeu um erro político gravíssimo.
3. Até porque, convém ainda lembrar, Duarte Marques foi igualmente um dos responsáveis pela campanha da JSD que qualificava José Sócrates como Pinócrates e colocava em causa o seu passado universitário. Ou seja, o critério é partidário: se for um curso feito à pressão, cientificamente nulo de alguém do PS é mau; se for alguém do PSD que tire um curso faz de conta, então, já é muito bom. Por estas e por outras, os jovens se afastam da política. Oxalá recuperes desta, Duarte Marques. Estou a torcer por ti. Todos nós erramos. Tu erraste no domingo - e sabes disso.


Pequeno comentário ao assunto: Dizer apenas que achei fantástico a culpa da TurboLicenciatura de Miguel Relvas ser do ministro Mariano Gago! Hilariante mesmo... Não fosse o assunto muito sério! Brincar com assuntos sérios, em cargos sérios e, pior que tudo isso, remunerados pelo trabalho dos portugueses é muito pouco hilariante! Este assunto não merece grande discussão.

terça-feira, 10 de julho de 2012

As juventudes partidárias não são uma brincadeira!

Aqui há uns dias a Dra Constança Cunha e Sá, em vários comentários na tvi 24, afirmou que as juventudes partidárias servem para que os jovens que nelas integram paguem menos propinas e façam cursos de três anos em apenas um. Já disse também que as juventudes partidárias servem para os jovens brincarem.
O curso menos transparente do "doutor" Miguel Relvas, não pode servir para que esta comentadora faça perigosas e falsas generalizações.

São opiniões como estas, num total descrédito pela iniciativa jovem, que afastam a juventude da politica!
Não! Doutora Constança Cunha e Sá, nós não andamos a brincar à politica nas juventudes partidárias, nós lutamos pela defesa dos interesses e direitos dos jovens; tentamos sempre representar a juventude e mostrar-lhe que a politica é interessante e importante para as nossas vidas, enquanto pessoas singulares, mas principalmente para exercermos uma melhor cidadania junto da sociedade.

São visões como esta, de uma certa superioridade geracional (felizmente cada vez mais raras), que conduzem a um distanciamento entre gerações, muito nefasto para uma possivel solução para a situação degradante em que nos encontramos.

Mas, se continua a pensar que as juventudes partidárias são apenas uma brincadeira de crianças pense nisto: - Lembre-se que a geração que agora governa e sustenta o país, está a entregar a esta nova geração uma país falido e com um grau de desemprego jovem insuportável. Já que não nos deixam trabalhar ( e assim aplicar os cursos sérios que a maioria dos jovens politicos tiram), ao menos deixem-nos brincar!

                                           "Ou vencemos juntos,
                                                                        ou caimos juntos..."

Política e os Portugueses 10

Episódios do dia-a-dia em que sinto no meu bolso (e no de todos) as políticas concretizadas no Hemiciclo (esse lugar que não raras vezes me parece distante):

I. Irónico é certamente que meses após o PS ter proposto a prorrogação do período de ajustamento ter vindo a público, em nome pessoal, Miguel Frasquilho - vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, concordar com essa mesma proposta! Este episódio é, claramente, uma manifestação, um fenótipo do pensamento que é cada vez mais consensual no seio do PSD: os prazos e as metas estipulados são impossíveis de alcançar. O problema de tudo isto é que à custa de uma série de jogos de poder (ai e tal não podemos ser nós a pedir isso, tem de ser a Troika a propor! Não podemos dar parte fraca... etc) os PORTUGUESES estão a pagar, do seu bolso, as medidas estipuladas, tão orgulhosamente, "além da Troika". Enquanto uns têm medo de assumir o monumental falhanço do programa de ajustamento outros sentem no corpo o que os primeiros - medrosos - vão determinando no sentido de esconder, com uma peneira, o sol. Mas o jogo há-de continuar... É isto que se acredita ser o melhor para o país: jogar com posições de poder que, NINGUÉM SE ILUDA, são imutáveis: ele não é nem nunca foi nosso!

II. A maioria dos portugueses frequenta aulas, faz frequências, trabalhos, apresentações e é posta à prova por outros instrumentos de avaliação que tais para ter uma licenciatura... 3 semestres é que se exige, em média, para obter o grau de licenciado em qualquer universidade, incluivamente na Lusófona!! Apenas Miguel Relvas parece estar acima de qualquer outro português: 1 ano, 4 avaliações e 32 equivalências são suficiente spara um homem cujo currículo profissional justifica a ausência de quaçquer experiência de aprendizagem universitária/ politécnica. Mais um caso para o panteão dos grandes momentos que dignificam os nossos políticos!!

Vamos mudar isto ou quê?? Não é mais tempo de ficar no café a opinar ou no sofá a barafustar! Ação, intervenção e envolvimento é o que se exige!! Junta-te a nós... O Marco precisa, Portugal precisa de ti!
Porque, frequentemente, a política que ambiciono e projecto é muito distante da política praticada. Mas também porque a política é essencial para o quotidiano equilibrado de uma sociedade sustentável!!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Miguel Relvas tem as luzes da ribalta


O ministro adjunto e dos assuntos parlamentares, Miguel Relvas, é por estes dias um senhor muito requisitado é um foco das atenções mediáticas e motivo de discussões, conversas e fonte de alimentação de muitas colunas de opinião. Pena que tudo isso seja pelas piores razões...

A questão das alegadas pressões a jornalistas do jornal Público teima em não desaparecer, agora com avanços a partir da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC). O presidente desta instituição, Carlos Magno, afirma que estava "convencido", uma expressão curiosa no mínimo, de que a deliberação sustentaria a inadmissibilidade do comportamento do ministro. Estranho que se parta do princípio que iria ser considerado inadmissível o comportamento de Miguel Relvas e, contudo, a deliberação não tenha sido essa. Irá ser corrigido esse lapso? É efetivamente inadmissível o comportamento de um ministro-adjunto que pressiona jornalistas da forma que Miguel Relvas o fez? É, seuqer, razoável denominar o comportamento do ministro de pressão? Não será antes chantagem? O documento espelhas as contrariedades e paradoxos do processo e reflete uma ambiguidade de opiniões que não pode existir quanto ao comportamento de um ministro... ESTAMOS A FALAR DE UM MINISTRO!! O seu comportamento não pode ser nada menos que transparente e ético.

Pessoalmente considero isto inadmissível, mas a minha opinião vale o que vale. É inadmissível este caso como é inadmissícvel qualquer suspeita que possa existir em torno de elementos de governos socialistas, bem como de qualquer deputado. Não me coaduno com este tipo de política: isto não é política! É vergonhoso para a nossa classe política que este tipo de questões seja o assunto mais premente em qualquer órgão de comunicação social...