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sábado, 10 de novembro de 2012

Novembro, dia 10

Como de costume, hoje foi dia de almoço fora de portas. Frio e chuva com ventos infernais na parte de trás da porta, calor e intensidade pela parte de dentro. Foi assim.
A conversa fluía à medida que os segundos transitavam entre o tempo indefinido de estarmos ali sentados e o espaço eternamente intenso de ali estar... Temas foram abordados de forma simples, ainda que sublime, e a esperança ganhou novo fôlego: o mar das nossas vidas pela primeira vez era navegado por nossas naus; a igreja, representada por um padre defronte, parecia, à primeira vista, ser honesta e séria; a família de camponeses por de trás de nós conversando sobre pesca e agricultura, que enfim é a sua vida; e o dono, padecendo de embriaguez, abrindo portas à chuva exógena, gritava altivamente: "entrai sobre este calor intenso!".
Não podia precisar o que realmente se passou naquele instante. Porém, sei que aconteceu. Enquanto estava sorridente no diálogo catastroficamente cómico chegou uma mulher que, diga-se de passagem, não caminha para nova, de cabisbaixo nos desejou bom apetite - ela que, alias, sempre sorridente nos fala abertamente - com a perna mórbida. Não ficando contente com o que via, ergui a voz ao alto e perguntei-lhe:
- Afinal, o que lhe aconteceu? - disse-o espantado
Uns breves segundos de silêncio fizeram sentir-se na sala de jantar até que, de repente, respondeu resignada:
- Dei cabo desta perna, senhor.
- E já tratou de ir ao médico? Olhando para si, parece ser grave. - disse eu
- Oh, é claro que já tratei de ir. Mas só tenho vaga para dia 21. Infelizmente é o país que temos...
A conversa por ali seguiu sem nexo e acabou sem desfecho. Não esperei mais. Talheres arrumados, café a chegar e este trecho termina assim.
Álvaro Machado - 14:53 - 10-11-2012

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Época de Saldos abre mais cedo para Enfermeiros

Este é o exemplo que o Estado oferece a todos os portugueses. Esta questão não merece sequer palavras, apenas um espaço no blogue para sublinhar a inexistência de qualquer moralidade neste episódio. Técnicos especializados em cuidados de saúde (não vão distribuir panfletos!), em questões que envolvem o bem-estar e, mais que isso, a saúde e a vida dos portugueses são recrutados com base num só critério: preço. O capital impera sobre qualquer lógica.
Temos sido regularmente convidados a emigrar por parte de Pedro Passos Coelho, somos apelidados de piegas e agora somos (e falo na 1ª pessoa do plural pois entendo que esta situação pode acontecer com qualquer um de nós) recursos humanos altamente qualificados contratados a 3,96€/ hora. Ou seja, isto representa - só o consigo ver desta forma, vindo do estado - um convite à não frequência do ensino superior. Hipérbole da minha parte, obviamente... Mas não se esqueçam que uma empregada doméstica cobra cerca 5€/ hora sem qualquer encargo em impostos. Eu próprio, por serviços indiferenciados, auferi 5€/ hora! Afinal estava a ser muito bem remunerado!!

Enfim... Isto não merece sequer discussão... Apenas repúdio da minha parte!
A verdadeira democracia do CAPITAL.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Palavras para quê?



Nem merece comentários!! À pergunta "Não acha abominável que uma pessoa de 70 anos de idade tenha de pagar a sua hemodiálise?" Manuela Ferreira Leite replica com um MAIS QUE ÓBVIO "Tem sempre o direito, se pagar!".

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