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sexta-feira, 19 de junho de 2015

Não nos rendemos.



Uma palavra de apreço a estes dois senhores que têm lutado pelos seus cidadãos, pelos interesses do seu país e sempre com a intenção de fazer um acordo com os parceiros internacionais.

Recusam a austeridade e recusam-na afincadamente, apesar de terem cedido em algumas das exigências europeias (porque numa união verdadeira há-que saber exigir e ceder no tempo adequado). A austeridade provou-nos como tornar um país já de si vulnerável ainda mais desprotegido, com mais assimetrias e sem mais nenhuma alternativa senão cortes em sectores sensíveis como o são as pensões.

Força. Não cedam perante pressões e interesses económicos. Se o impasse são 2 mil milhões de euros, batam-se de frente, com propostas além-austeridade e não pré-concebidas, porque uma união é mais do que credores, economistas e moralizadores. Uma união é ajudar os que estão no chão a erguer-se novamente, plenos de vitalidade.

Álvaro Machado - 01:20 - 19-06-2015

segunda-feira, 25 de maio de 2015

O sucesso do FMI em Portugal

Sabendo que, à partida, o Fundo Monetário Internacional se havia tornado na última esperança para os portugueses voltarem a ver a luz do dia, e após tantos sacrifícios os membros do governo exaltarem esses mesmos feitos alcançados pelo povo lusitano, eis que o próprio FMI nos dá o primeiro alerta: afinal não é bem assim.

Os défices foram reduzidos e o financiamento do mercado recuperado. E depois disso? Quando se exalta um feito memorável, creio eu, ele irá perdurar no tempo infinitamente, mas será assim neste caso em concreto?
Ora vejamos: existem, segundo estes especialistas, cinco prioridades a médio-longo prazo:

1) Garantir um equilíbrio interno (que significa, por exemplo, não ter uma taxa de desemprego demasiado alta)

2) Conseguir um equilíbrio externo (não ter défices externos sucessivos)

3) Aumentar o crescimento potencial

4) Reduzir o endividamento dos privados

5) Assegurar a sustentabilidade orçamental

Então, tendo em conta estes cinco factores ou estas cinco prioridades, deparámo-nos, diria, com o primeiro fracasso deste programa de ajustamento – o insucesso.
E ao contrário do feito que exaustivamente os membros do governo proclamam (as vozes do PSD, entenda-se) no que toca ao desaparecimento, no exterior, dos défices, eis que o FMI emite um parecer na corrente oposta, afirmando a insustentabilidade dessas alterações, bem como se mantém tudo menos impressionado com o crescimento das exportações em termos brutos: «Não é prova de que Portugal tenha aumentado de forma significativa a competitividade», arrematam.

Pois bem, isto leva-nos a duvidar daquilo que até hoje alguns defenderam afincadamente como «único caminho possível». Se bem me recordo, as bandeiras de campanha para as próximas legislativas erguidas pela coligação têm sido, efectivamente, a diminuição do desemprego (que os dados do INE vieram deitar por terra tal teoria), o equilíbrio da balança (que vemos ter sido possível pela diminuição das importações, e que também curiosamente é um factor ilusivo porque num futuro próximo irão aumentar consideravelmente; e também pela falsa questão das exportações brutas, que vemos não ser algo viável), a melhoria das condições de vida (se internamente a população não tem poder de compra como poderá fazer a economia crescer e consequentemente melhorar as condições da população?)…

Já se diz, e bem, que nem tudo o que parece é. O (in)sucesso do FMI está à vista de todos.

Álvaro Machado - 00:47 - 25-05-2015

sexta-feira, 15 de março de 2013

Incompetência vergonhosa

Não tenho qualquer apetite de escrever acerca deste assunto, como tal serei conciso quanto ao que penso:
 
1. O GOVERNO ERROU EM 130% A PREVISÃO DA DIMENSÃO DA RECESSÃO PARA 2013 EM APENAS 3 MESES. Expliquem-me a validade deste governo por favor.
 
2. O GOVERNO ERROU EM APROXIMADAMENTE 25% A PREVISÃO DO DÉFICE ORÇAMENTAL PARA 2012. Expliquem-me qual a validade deste governo por favor.
 
3. O GOVERNO APRESENTA UMA TAXA DE DESEMPREGO DE 19% PELO FINAL DO ANO DE 2013. Projeção completamente infundada e, pior que isso, sem qualquer solução apresentada para o problema. Expliquem-me por favor a validade deste governo.
 
4. O GOVERNO FOI ELEITO COM UM PROGRAMA POLÍTICO NOS ANTÍPODAS DO QUE TEM SIDO A SUA AÇÃO. Expliquem-me por favor qual a validade deste governo.
 
5. O GOVERNO PROTEGE E SEGURA MIGUEL RELVAS. Expliquem-me a validade deste governo por favor.
 
6. ...
 
Ou muito ignorante sou ou muita margem política têm estes senhores... A política, muito frequentemente, enoja-me. Imenso. Pior de tudo?! Do outro lado da barricada não há propostas, há vazio, há retórica imaterial, há discurso inócuo, há palavras gastas... Ideias, projetos, visões... Onde andarão? Entre uma classe política que muito me envergonha e uma sociedade civil que muito crítica e nada faz... Está, algures, uma nação. Um coletivo de pessoas. Um espaço comum. Uma memória. Uma identidade...
Desculpem-me a expresão, mas só isto me ocorrer: Estamos entregues à bicharada. Pronto, lá se foi o políticamente correto!

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Borges, Coelho e os Salários

Uma breve nota introdutória ao texto de Luis Reis Ribeiro no site Dinheiro Vivo que pode abaixo transcrevo: António Borges fala em 80%, Passos Coelho fala em 70%. Estes são os números que o pseudo-ministro (12º ministro) Borges e o Primeiro Ministro utilizam para demonstrar a preponderância dos salários da função pública na despesa do Estado. Mas que grande MENTIRA!


O segundo erro de António Borges: o verdadeiro peso dos salários públicos

António Borges, o consultor do Governo para as privatizações, inflacionou brutalmente o peso real dos salários dos funcionários públicos. Disse que o peso desta despesa no total seria de 80%, quando na verdade é de apenas 20%. Em termos absolutos, o economista está a cometer um exagero superior a 200% relativamente à realidade oficial.

Num fórum empresarial que decorreu no fim-de-semana, no Algarve, Borges inflamou novamente o debate sobre a desvalorização fiscal – chamou os empresários portugueses que não concordaram com a redução da Taxa Social Única (TSU) de “completamente ignorantes” –, mas não se ficou por aí.

O ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) cometeu ainda um erro substancial nas contas que fez ao peso dos salários dos funcionários públicos face à despesa total.

“Toda a gente fala em Portugal que é preciso que o peso do Estado na Economia desapareça... Ora bem, 80% da despesa do Estado são vencimentos de funcionários públicos, portanto, ou bem que nós resolvemos esse problema, ou tudo o resto é para esquecer”, afirmou no primeiro Fórum Empresarial do Algarve, em Vilamoura, mostrou a RTP.

No entanto, o peso dos vencimentos nunca poderá ser de 80%, nem sequer um valor aproximado. Dados relativos a 2011, inscritos no Orçamento do Estado para 2012, mostram que, seja qual for o critério seguido, a despesa com salários será sempre muito inferior. As remunerações cercas e permanentes no Estado tem um peso de 20% face à despesa corrente primária total ou de 16% (face à despesa efetiva total.

Considerando a rubrica mais alargada da despesa com pessoal, que inclui bónus e prémios salariais e os descontos para a CGA/Segurança Social, o peso dos referidos gastos sobe para 26% e 21%, respetivamente.

Analisando todo o universo do sector público (Estado, institutos, empresas públicas, Segurança Social, regiões e câmaras), a despesa com pessoal assume um peso de 23% na despesa corrente e de 21% nos gastos totais. Bem abaixo dos 80% referidos por Borges.

Estes cálculos mantém-se válidos para os valores relativos a 2012 e a anos anteriores.

Em termos absolutos, significa que António Borges está a argumentar que o Estado gasta 32 mil milhões de euros em remunerações certas quando na realidade gasta oito mil milhões (erro de 204%); ou que as Administrações Públicas despendem em termos correntes cerca de 58,6 mil milhões de euros com o pessoal quando na verdade esse gasto ronda os 17 mil milhões de euros.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A Culpa por João Cardoso Rosas

Texto da autoria do professor universitário João Cardoso Rosas no Económico

Ao contrário do que por aí se diz, este Governo tem uma excelente estratégia de comunicação. Em pouco tempo, conseguiu impor um discurso que uma boa parte da sociedade e dos fazedores de opinião absorveu acriticamente. Como caracterizá-lo?
 
O seu tema central é a culpa. Tudo começou pela interiorização do chamado "discurso alemão" sobre a crise. De acordo com essa visão, os culpados pela crise do euro são, em exclusivo, os países da periferia. Por isso eles devem pagar pelos seus pecados, ainda que isso implique o sacrifício da racionalidade na própria solução da crise.
Passos Coelho e os seus amigos nunca desafiaram esta ideia, nunca pensaram a crise em termos estruturais e em função do sistema de incentivos perversos criados pelo euro. A narrativa alemã da culpa convinha-lhes porque ia ao encontro da sua própria narrativa de demonização do anterior primeiro-ministro. Para os alemães a culpa era nossa, dos portugueses no seu conjunto, mas a liderança política do Governo assumia de bom grado essa culpa porque podia, ao mesmo tempo, transferi-la para outrem.
Esta interiorização, seguida de transferência para um "bode expiatório", prosseguiu em todas as áreas da vida colectiva. Assim, para o primeiro-ministro os desempregados têm culpa do seu desemprego porque não saem da sua zona de conforto. Os beneficiários de RSI têm culpa da sua dependência porque não querem trabalhar. Os reformados têm culpa pelo descalabro orçamental porque recebem pensões pelas quais não descontaram. O Estado social tem de ser refundado porque, em suma, há muita gente a viver à custa dele e são esses os culpados.
Mas a estratégia de culpabilização acaba por abranger quase toda a sociedade. Os portugueses são culpados porque se endividaram, compraram casa e carro, quiseram comer bife em vez de batatas. Os trabalhadores por conta de outrem são especialmente culpados porque ficaram parados nos seus postos de trabalho, inamovíveis, difíceis de despedir. Os funcionários públicos são ainda mais culpados porque são eles os responsáveis pela despesa pública. Por isso é necessário tornar precário o trabalho em geral e o da função pública em particular, assim como diminuir salários e regalias.
Passos Coelho e os seus amigos, dentro e fora do Governo, vêem-se como uma espécie de sacrificadores dos "bodes expiatórios" nos quais eles próprios agruparam todos os pecados do passado. Daí terem um espírito de missão e uma linguagem moralista. O seu objectivo não é a reforma social, é a purificação. Os sacrifícios que aplicam, longe de incomodá-los, provocam neles a satisfação dos justos.
Quanto à compaixão, mesmo quando não se sente, encena-se. Basta uma mensagem no Facebook. Afinal de contas, o Pedro é um sentimental. Quem diria.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O ano de todos os perigos por Nuno Ramos de Almeida

Nuno Ramos de Almeida, editor-executivo jornal i
 
Se um dia os portugueses, sentindo que não tinham nada a perder, pura e simplesmente deixassem de obedecer: não pagassem impostos crescentemente injustos, recusassem ser despejados de suas casas, se negassem a desembolsar exorbitantes aumentos de transportes e ocupassem as empresas fechadas e os milhares de casas devolutas, como poderia qualquer governo sobreviver apenas pela repressão quando milhões o ignoravam activamente?
Quem está no poder tem de perceber que manda porque as pessoas aceitam obedecer e que esse facto é garantido pelo facto de as populações acharem que a democracia é um regime legítimo em que os governantes não estão acima da lei. E que as leis da República são justas e iguais para todos.
A troika e os governos que executam as suas ordens acham que a lei, a democracia e a liberdade são descartáveis e que tudo se deve subordinar aos seus planos de austeridade, que levam no regaço a destruição completa do modelo social europeu.
Só assim é possível perceber o total seguidismo do executivo de Passos Coelho em relação às declarações da Comissão Europeia que se atiram ao Tribunal Constitucional Português, acusando-o de ser um factor de instabilidade. Cairia o Carmo e a Trindade germânica se uma instituição europeia fosse contra a necessidade de se respeitarem as leis da Alemanha, mas como Portugal é actualmente uma colónia dos interesses do capital financeiro, disfarçados de instituições comunitárias, o governo cala-se convenientemente.
A democracia em Portugal foi construída depois de décadas de ditadura, e é fruto da luta de gerações, tal como o modelo social europeu é resultado das conquistas dos trabalhadores ao longo de décadas. A implosão dos dois cria uma situação com consequências difíceis de prever. O fim de uma Europa que redistribui de uma forma menos injusta os rendimentos entre capital e trabalho e a pressão para que sejam destruído o edifício da legalidade democrática fazem antever uma transformação autoritária nos países do Sul da Europa.
Na sua ânsia de darem tudo aos privados, de liquidarem o sector público, de aumentarem desmesuradamente os lucros de muito poucos e roubarem os salários de muitos, os executores destas políticas deviam recordar que o poder pode exercer-se episodicamente por repressão, mas só é duradouramente aceite caso as pessoas não o achem completamente intolerável.
À força de espremerem sempre os mesmos, trabalhadores por conta de outrem e reformados, há um momento em que as pessoas deixam de ter alguma coisa a perder, e nesse instante os governos apenas conseguem mandar pelo medo. Quando vemos que a activista Myriam Zular é acusada do crime inexistente de “manifestação não autorizada” por distribuir panfletos à porta de um centro de emprego e que se vai buscar aos baús da ditadura a acusação de motim para processar os arguidos dos incidentes da manifestação da greve geral, percebe-se que 2013 vai ser um ano de repressão. Não se esqueçam os mandantes que também pode ser o ano em que se acabe o medo.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Nicolau Santos e o menino que Gaspar não conhece

Vale a pena ler e divulgar este texto de Nicolau Santos no seu blogue "Keynesiano, Graças a Deus" do Jornal Expresso
 
 
Supermercado do centro comercial das Amoreiras, fim da tarde de terça-feira. Uma jovem mãe, acompanhada do filho com seis anos, está a pagar algumas compras que fez: leite, manteiga, fiambre, detergentes e mais alguns produtos.
Quando chega ao fim, a empregada da caixa revela: são 84 euros. A mãe tem um sobressalto, olha para o dinheiro que traz na mão e diz: vou ter de deixar algumas coisas. Só tenho 70 euros.
Começa a pôr de lado vários produtos e vai perguntando à empregada da caixa se já chega. Não, ainda não. Ainda falta. Mais uma coisa. Outra. Ainda é preciso mais? É. Então este pacote de bolachas também fica.
Aí o menino agarra na manga do casaco da mãe e fala: Mamã, as bolachas não, as bolachas não. São as que eu levo para a escola. A mãe, meio envergonhada até porque a fila por trás dela começava a engrossar, responde: tem de ser, meu filho. E o menino de lágrima no canto do olho a insistir: mamã, as bolachas não. As bolachas não.
O momento embaraçoso é quebrado pela senhora atrás da jovem mãe. Quanto são as bolachas, pergunta à empregada da caixa. Ponha na minha conta. O menino sorriu. Mas foi um sorriso muito envergonhado. A mãe agradeceu ainda mais envergonhada. A pobreza de quem nunca pensou que um dia ia ser pobre enche de vergonha e pudor os que a sofrem.
Tenho a certeza que o ministro Vítor Gaspar não conhece este menino, o que seria obviamente muito improvável. Mas desconfio que o ministro Vítor Gaspar não conhece nenhuns meninos que estejam a passar pela mesma situação. Ou se conhece considera que esse é o preço a pagar pela famoso ajustamento. É isso que é muito preocupante.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Campanha política


Estive a ler algumas partes do programa eleitoral do PSD. Nunca é tarde para relembrarmos algumas demagogias surdas que foram, pouco a pouco, moldando um percurso de tal ordem destrutivo que parecia, todavia, a qualquer cidadão, um bom programa eleitoral pelo simples facto de ser inexorável.
Não pude deixar de verificar que, ao longo do programa, a palavra "crescimento económico" é repetida até à exaustão; outras como justiça social, reforçar a economia, combater o desemprego, também se fizeram ouvir, ainda que surdas.

A palavra "austeridade" ganha, neste programa, um novo fôlego: note-se, por exemplo, que ela é defendida pela via da redução de despesas, evitando o aumento das receitas fiscais - como diria o Passos Coelho na campanha eleitoral "Não vamos subir os impostos" ou "O IVA não é para subir. O que temos de fazer se formos Governo é reestruturar o IVA, o que significa que, nas três taxas já existentes, temos de reclassificar produtos e serviços de modo a alargar a receita".
Como entendo agora Luís de Camões no seu poema "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"... Agora evaporada a campanha eleitoral, e já com o governo formado, a história é outra: sobem-se os impostos, sabendo que se trata do aumento de receita fiscal, sobem o IVA de ano para ano e por aí adiante.

Isto tudo apenas para reflectir um pouco. «Fico perplexo quando imagino o que as pessoas podem fazer para alcançar certos e determinados objectivos. Na verdade, coisas como o dinheiro e o poder são manipuladoras ao ponto de fazer mentir ou deturpar o que realmente pensamos...»
Fico com uma certeza quase dogmática em relação à política em geral: qualquer partido que prepare uma candidatura focada, essencialmente, no poder não poderá agir em defesa do seu país, não poderá estabelecer Portugal como um país digno e não poderá ser chamado de patriótico; esta falta de transparência, demagogia e falta de criatividade, como o caso destes programas eleitorais, reduzir-nos-á a escombros somente.

Álvaro Machado – 15:30 – 23-10-2012

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Aumento de impostos



Vão aumentar a electricidade e o gás natural. Mais uma subida de impostos. Agora pergunto-lhe, Vítor Gaspar, se ainda somos o melhor povo do mundo?

Vão subir drasticamente estes bens essenciais. Mas isto é liberalismo económico para quem não sabe. Aliás, ultraliberalismo que é uma palavra mais caricata e ao mesmo tempo mais gravosa.
Vão prejudicar ainda mais a vida à população. E agora pergunto-lhe, Passos Coelho, se as pessoas conseguem, assim, manter vidas dignas e construir projectos de vida?
Assim é fácil governar: destruir famílias em escalas incalculáveis; não tomarem medidas para impulsionar a economia, porque dá muito trabalho; criar medidas somente para cortarem.

Este é o país que nós, portugueses, temos. Este é o caminho da austeridade, se bem que alguns aplaudem isto. De todas as formas e feitos, isto é o caminho mais idêntico ao que os gregos seguiram.

Um dia, não muito distante na história, houve um homem chamado Winston Churchill que disse: "Não adianta dizer: Estamos a fazer o melhor que podemos. Temos que conseguir o que quer que seja necessário.". Pois bem, acho que está tudo dito!
Já o disse várias vezes e repito: não podemos estar nem ser limitados ao ponto de vacilar perante um povo em tempos crise; não podemos simplesmente acatar ordens que, como já foi dito pela própria directora do FMI, Christine Lagarde, até estão erradas, e que austeridade em cima de austeridade não resolve nada.

Mas isto é o capitalismo a funcionar, o liberalismo económico a funcionar e a austeridade a funcionar! Destrói tudo a uma grande escala. E em breve não deixará nada para as próximas gerações.
Julgo ainda que o Orçamento de Estado trará com certeza mais algumas peripécias!

Álvaro Machado - 19:48 - 15-10-2012

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Política e os Portugueses 13

Episódios do dia-a-dia em que sinto no meu bolso (e no de todos) as políticas concretizadas no Hemiciclo (esse lugar que não raras vezes me parece distante):

I. O Expresso notícia o risco que existe de centenas de imóveis ficarem por classificar até ao final do ano. Uma total anormalidade. Como se explica que exista um volume tão elevado de imóveis que não consigam ser considerados (ou não) património?! Este é apenas mais um dos sinais de megacefalia deste governo: centralização total até ao ponto de se tornar inoperante. Desde a segurança social, às finanças públicas, entre muitos outros exemplos, este governo dá CLAROS sinais de lentidão e, por isso, incompetência. Esta necessidade de ter controlo absoluto sobre tudo o que se passa (pseude-fascismo) paralisa o setor público. Note-se que entre os imóveis que aguardam classificação, estão alguns marcoenses: Igreja Santo Isidoro, Igreja do Convento de Alpendorada, Capela de Fandinhães e a Igreja de Santa Maria.

II. Inenarrável a conclusão da Unidade Técnica de Apoio Orçamental: 66% do corte no estado foi feito à custa da redução de salários, nomeadamente através de retenção de subsídios e cortes salariais. Aliada à inoperância do estado (centralizado por este governo) a ineficácia deste governo em restruturar o setor público é uma séria ameaça ao esforço feito pelos portugueses. Este governo apregoava a renovação, o corte nas gorduras, a mudança séria... Mas este governo nada faz. O que podemos esperar quando voltarem os salários? Um estado novamente pesado e tal como estava? O que se vai dizer aos contribuintes? Que em troca de COLOSSAIS esforços contributivos o governo foi incapaz de reformular o estado? Estamos a brincar aos políticos... E as medidas de austeridade continuam a ser anunciadas em catadupa!

Vamos mudar isto ou quê?? Não é mais tempo de ficar no café a opinar ou no sofá a barafustar! Ação, intervenção e envolvimento é o que se exige!! Junta-te a nós... O Marco precisa, Portugal precisa de ti!
Porque, frequentemente, a política que ambiciono e projecto é muito distante da política praticada. Mas também porque a política é essencial para o quotidiano equilibrado de uma sociedade sustentável!!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Política e os Portugueses 12

Episódios do dia-a-dia em que sinto no meu bolso (e no de todos) as políticas concretizadas no Hemiciclo (esse lugar que não raras vezes me parece distante):

I. O desemprego sobe. Tal como há dias aqui apontei, os 15,9% de taxa de desemprego são reflexo de uma política completamente orientada para a redução do défice orçamental sem que, para isso, se olhe a meios. Ironia da coisa: o défice e a dívida sobem. Os objetivos são gorados e os portugueses assistem a estimativas e tentativas falhadas... À sua custa! Mas não nos apoquentemos... Isto é apenas um cenário que se desenha, um contexto de oprtunidade que se ergue perante os nossos olhos! Olhemos para o mar de oportunidades que se abrem portanto... São muitos os desempregados, logo são muitas as oportunidades! Lógica simples: pieguiçes à parte, vamos aproveitar as oportunidades.

II. António Borges é um nome que, confesso, me assusta. Não intimida, apenas assusta. O seu intelecto, verdadeiramente superior, absolutamente galático, portentosamente estratosférico - sobre-humano em suma - merece ZERO palavras, visto que Daniel Oliveira já fez uso delas de forma tão primorosa. Nada a acrescentar quanto a isto, portanto. O que me assusta neste nome é a clara noção de que é a isto - sim ISTO - a que estamos entregues. É este senhor que manipula a (pouca) massa encefálica do nosso Primeiro-Ministro. Este é dos conselheiros mais influentes deste governo. Este ser é um dos principais estrategas da política atual. Esta á, sem dúvida, a criatura que mais repúdio me tem gerado nos tempos que correm. Estamos entregues à bicharada... Mas assim continueamos!

Vamos mudar isto ou quê?? Não é mais tempo de ficar no café a opinar ou no sofá a barafustar! Ação, intervenção e envolvimento é o que se exige!! Junta-te a nós... O Marco precisa, Portugal precisa de ti!
 
Porque, frequentemente, a política que ambiciono e projecto é muito distante da política praticada. Mas também porque a política é essencial para o quotidiano equilibrado de uma sociedade sustentável!!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Mentira colossal

Retirado do blogue Câmara Corporativa


      ‘Se não tivéssemos feito isso [aplicar uma sobretaxa sobre o subsídio de Natal] nem sequer nos tinham deixado utilizar os fundos de pensões para pagar o défice.’
      ‘Foi necessário recorrer à sobretaxa sobre o subsidio de Natal deste ano para que o país desse um sinal claro de que pretende emendar as suas contas públicas e só nessa circunstância é que o triunvirato - o FMI e a União Europeia - aceitaram a receita extraordinária dos fundos de pensões.’

Depois de a troika ter desmentido Passos Coelho e Paulo Portas, é o próprio ministro das Finanças que tira hoje o tapete a Passos e a Portas, garantindo que o corte de metade do subsídio de Natal de 2011 foi “uma opção do Governo” e não uma imposição da troika.

O primeiro-ministro e o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros podem mentir ao país e nada acontece?