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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Marcoenses, vamos mudar ou continuar a dança?

A campanha para as Autárquicas 2013 está já a todo o vapor no concelho do Marco. O Partido Socialista apresenta-nos um candidato independente, com uma vasta experiência e um conhecimento útil da região. O PS quer, definitivamente, neste ato eleitoral, definir-se e afirmar-se. Por isso, tem mostrado a todos os marcoenses a união que existe dentro e fora do partido em torno de um verdadeiro projeto de credibilidade. Com ideias e planos para o nosso concelho, Lino Tavares Dias garante fazer o melhor que sabe e o que faz falta à nossa terra.

Do lado de lá, temos um presidente da Câmara em funções. Alguém que tem demonstrado que ser político de carreira numa autarquia endividada não funciona. Manuel Moreira continua com a mudança tranquila (ou a dança tranquila, como dizem por aí), uma mudança que dura há oito anos e que tem muito que se lhe diga, ou não. Eu acredito que os marcoenses querem mudar de rumo, que querem um novo futuro.

Até 29 de setembro, espero assistir a uma campanha limpa, com boas ideias, sem demagogias e falsas promessas. Acima de tudo, espero eu, estamos todos a lutar por um Marco melhor! 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

João Proença e Paulo Paraty com Lino Tavares Dias

João Proença, ex-secretário geral da UGT, e Paulo Paraty, antigo árbitro internacional, estarão na sessão «Desporto e associativismo», organizada pela candidatura de Lino Tavares Dias à Câmara Municipal do Marco. A não perder, este sábado, a partir das 21h30 no auditório municipal. 


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Lino Tavares Dias estará em Penha Longa com presidente da AE Marco

Marcoenses têm sido voz ativa na candidatura do PS à Câmara Municipal. Penha Longa recebe o próximo debate já na sexta-feira.

 
 
 
Depois das sessões muito participadas em Alpendorada e Vila Boa de Quires nas últimas semanas, Lino Tavares Dias estará em Penha Longa para mais um debate do ciclo «Uma política para o território e para as pessoas».
O candidato do Partido Socialista à Câmara Municipal do Marco de Canaveses vai contar com a participação de José Reis, presidente da Associação Empresarial marcoense no próximo dia 14 de Junho, sexta-feira, pelas 21 horas, na Junta de Freguesia de Penha Longa.
Com o tema «atividades económicas, dinâmicas empresariais», o evento continua a ouvir os marcoenses na busca por soluções para o concelho nas mais variadas áreas.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

ATUALIZAÇÃO | Lino Tavares Dias: Ciclo de Debates continua em Vila Boa do Bispo



Nota de Imprensa

A candidatura do Partido Socialista à Câmara Municipal do Marco de Canaveses, liderada por Lino Tavares Dias, tem vindo a promover um conjunto de debates pelo concelho com o lema «uma política para o território e para as pessoas».
A iniciativa, que tem contado com muita participação, tem como objectivo principal a recolha de propostas junto dos marcoenses num clima de proximidade com a população. Depois de ter passado por Constance, o ciclo de debates esteve na Livração, no passado dia 25 de Abril, e em Soalhães, no último dia 30.
Na Livração, e num encontro que teve como tema «a educação, a formação e as políticas de juventude», esteve o convidado António Leite, ex-diretor regional de educação do norte, numa sessão em que esteve também o maestro Pedro Teixeira.
Da iniciativa foi possível recolher algumas ideias que serão prioritárias na candidatura do PS à Câmara Municipal do Marco de Canaveses, como a valorização da escola como espaço central da educação e de valorização da participação cívica e social, a promoção da articulação entre instituições, a valorização das capacidades humanas instaladas, nomeadamente através de incentivos para o regresso de adultos à escola e o estabelecimento de uma política de incentivo para a educação artística.
Já em Soalhães, no último dia do mês de abril, Eduardo Vítor Rodrigues, professor universitário e candidato à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, dirigiu um debate sobre «inclusão, economia social, saúde e qualidade de vida».
A quarta sessão deste ciclo de debates acontece no dia 18 de Maio, às 21 horas, na junta de freguesia de Vila Boa do Bispo e o tema será «política cultural, turismo, planeamento e desenvolvimento». O evento contará com a presença de Ricardo Magalhães, ex-vice presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Ciclo de Debates: Uma Política para o Território e para as Pessoas



A candidatura de Lino Tavares Dias à Câmara Municipal de Marco de Canaveses vai organizar um ciclo de debates com o propósito de aprofundar e partilhar uma “Política para o Território e para as Pessoas”. Esta iniciativa consistirá numa série de debates – complementados por visitas in loco – que se debruçarão sobre temáticas consideradas estruturantes no processo de construção de um projeto político para o Marco de Canaveses. A deslocalização dos eventos e proximidade com a população são também condições basilares da iniciativa, procurando discutir de modo personalizado e realista os problemas e as visões dos marcoenses. Através da discussão pública e dos contributos de especialistas pretende-se otimizar respostas para seis perguntas fundamentais. São elas:
Primeira: O que estamos a gerir em 2013?

Segunda: O que se pretende para o território e para as pessoas?

Terceira: Que políticas transversais devemos desenvolver neste território?

Quarta: Que políticas transversais devemos desenvolver para as pessoas que usam este território?

Quinta: Que políticas sectoriais podemos aplicar a curto, médio e longo prazo, para desenvolver e melhorar o que temos?

Sexta: Como gerir com inovação?
Projetar uma Política para o Território e para as Pessoas,  consiste na ousadia de desenvolver leituras estratégicas que valorizem as suas capacidades identitárias. Estes debates são contributos para a construção participada da estratégia política, assumindo a prioridade de valorizar as Pessoas, não só porque é fundamental para o seu desenvolvimento, mas também porque tem efeitos na economia regional e na empregabilidade.
Convidamos todos os marcoenses a participar e contribuir para a construção deste projeto político para o Território e para as Pessoas.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Que Sistema Político para o Território e a Cidadania? por Lino Tavares Dias


 
Que Sistema Político para o Território e a Cidadania?
Nós, Cidadãos, em Março de 2013, temos sorte!
Reparem. D. Afonso Henriques pode ter conhecido Tongobriga mas nunca teve o privilégio de ler D. Dinis ou conhecer a fachada do palácio do Fidalgo em Vila Boa de Quires, nem D. Dinis teve o privilégio de ler Camões ou atravessar a Ponte ferroviária D. Maria Pia, nem Camões leu Eça de Queirós e não conheceu Paris como cidade da luz ou a Torre dos Clérigos, nem Eça leu Fernando Pessoa, nem Fernando Pessoa teve o privilégio de ler Vergílio Ferreira, Torga ou Saramago e conhecer a Ponte da Arrábida ou a Igreja de Siza Vieira no Marco.
Nós temos, à nossa disposição, toda esta grandiosa herança. Mas, porque temos este privilégio, também temos responsabilidade acrescida.
Tal responsabilidade obriga-nos a refletir sobre a Capacitação e Sustentabilidade do Território.
Que capacidade cultural tem o nosso território?
Qual o limite da sustentabilidade para o território?
O nosso território está sustentado numa riqueza cultural construída e reconstruída ao longo de milénios.
Recordo o que Adriano, imperador do século II d.C., salientava: “construir é colaborar com a terra” e “reconstruir é colaborar com o tempo”.
Perante a riqueza cultural do território surge, por vezes, a tentação de o gerir como se de um museu se tratasse. É uma mera perspetiva.
Em contrapartida, ignorar, total ou parcialmente, a riqueza intrínseca desse mesmo território também origina desequilíbrios colossais.
Desequilíbrios que têm sido autorizados pela Administração Pública, e que só serão minimizados quando se valorizar a identidade dos territórios, quando forem culturalmente reconhecidos pelas populações e tratados com proximidade pelas administrações.

O Estado produz legislação generalista para todo o País. Depois, as administrações do Estado preocupam-se com quem manda no território. Não se preocupam como mandam no território. São meras leituras administrativas, por vezes com suportes técnicos pouco certificados, de que resultam decisões tomadas por gosto pessoal ou por imposição de influências. Como tal, tais decisões podem variar com os humores e com os ritmos políticos.
Será que o cidadão e as instituições conhecem as regras em que se movimentam?
Neste ambiente administrativo como pode ser reconhecida a inovação e a qualidade?
O território é gerido, a partir de legislações nacionais, por municípios e por órgãos desconcentrados da AP que mais não são que emanações nomeadas e exemplos de “centralismo desconcentrado”.
Para além desta mentalidade crónica da AP de atuar por “subdelegação” sobre todo o território das diferentes regiões, há outras dificuldades práticas na gestão.
Na região norte, por exemplo, o território está dividido em 86 espaços administrativos (ou espaços territoriais) que são geridos por 86 municípios, com abordagens técnicas diferentes e por vezes conceitos distintos.
Perante as propostas dos cidadãos em intervir, normalmente através de propostas de construção e edificação, a AP responde com exigência administrativa na apresentação e nos conteúdos dos projetos. Por vezes seguem-se consultas técnicas, constituindo-se um somatório de pareceres, muitas vezes com dispersão de decisões por diversas instituições.
Por experiência própria confirmo que na gestão do território as decisões não só não são suportadas em análises transdisciplinaridades, como também o procedimento administrativo se sobrepõe ao conteúdo do projeto.
É indispensável que o território seja assumido como suporte de Identidade e de Cidadania e, para isso, não pode ser capturado.
Como salientou Gonçalo Ribeiro Teles “há três elementos fundamentais para os países, incluindo Portugal, se manterem como tal: os lugares, as potencialidades e os recursos que nos dão a Terra-mãe e as suas Gentes”. Havendo estas três condições, há lugar à autenticidade, sinónimo de Identidade. Uma coisa autêntica é aquela que tem passado, que tem alicerces e que tem também um presente que se vê, que se sente, mas que também tem futuro, onde a criação é fundamental.
Qualquer desenvolvimento regional, nomeadamente para a região norte, exige planeamento estratégico plurianual para o seu território. Mas é fundamental que tal planeamento não resulte do somatório de diretivas setoriais do “centralismo centralizado” ou do “centralismo desconcentrado”, mas, em contrapartida, resulte da articulação da economia com a ciência, com a investigação e com as identidades regionais que suportam as nossas paisagens culturais milenares.
Seria fundamental a existência de órgãos regionais transdisciplinares responsáveis pela salvaguarda das identidades dos territórios.
Assumindo que as Comissões de Coordenação, ou Comissões de Coordenação e Desenvolvimento, são órgãos com provas dadas ao longo de décadas, poderia ser aqui que se agregavam os serviços desconcentrados da Administração Pública.
Mas, para além desta mera medida administrativa que, em contrapartida, exigiria solidez e maior representatividade das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, permitindo-lhes a plenitude da coordenação, sinto que é fundamental mudar o ato de decidir, reduzindo a interpretação pessoal sobre mero parecer técnico.
É indispensável qualificar as decisões, reduzir as arbitrariedades e dar garantias de equidade aos Cidadãos.
A minha experiência de cerca de três décadas na gestão de áreas da Cultura, leva-me a identificar a grande dificuldade que existe em “qualificar uma decisão” e em “torná-la ato assumido de cidadania”.
Neste sentido, as regiões deveriam constituir órgãos colegiais, consultivos, vinculativos, com constituições transdisciplinares que reunissem membros da Administração Pública setorial, membros das Universidades e dos Politécnicos, representantes dos Municípios e das economias regionais.
Desta forma participada, técnica e cientificamente suportada, poderíamos falar de decisões estratégicas, ao contrário do que atualmente acontece muitas vezes, em que as decisões resultam de mero gosto pessoal, teimosia ou convicção de qualquer diretor geral.
Podem ter a certeza de que o nosso território “reconhecerá e agradecerá” todos os cuidados que lhe prestemos e que permitam garantir-lhe uma maior sustentabilidade e identidade cultural.
Recordo que temos, à nossa disposição, uma grandiosa herança. Mas, porque temos este privilégio, também temos responsabilidade acrescida.
Temos o privilégio de ter território com sustentabilidade cultural, mas tal impõe-nos a obrigação cívica de desafiar as novas gerações.
Será indispensável assumir algumas atitudes. Saliento dez:
1)    Será importante assumir como prioritária a criação e existência de órgãos regionais colegiais, transdisciplinares, estratégicos e técnicos, de consulta obrigatória;
2)    Será importante implementar investigação permanente sobre o território, sobre o património e a paisagem cultural;

3)    Será importante, e indispensável, que a investigação sobre a região seja articulada, através de planos plurianuais de médio e longo prazo, entre as instituições públicas e privadas, as universidades e os politécnicos. Deste modo rentabilizam-se orçamentos e recursos humanos muito qualificados e impõe-se, em concreto, a investigação aplicada e desenvolve- se a partilha cívica com as comunidades;

4)    Será importante inserir a identidade do território nas preocupações quotidianas das crianças, dos jovens e dos adultos, assumindo formação ao longo da vida;

5)    Será importante assumir o património construído como âncora identitária de desenvolvimento regional e não só como mero produto pontual e acabado, usado como peça bonita para mostrar ao turista;

6)    Será importante que os espaços patrimoniais sejam assumidos como oportunidades de investimento, não só para servir o turismo mas também para desenvolver sistemas motivadores de micro economias regionais promotoras da fixação de pessoas e de multiplicação de massas críticas;

7)    Será importante que as tutelas que gerem espaços classificados, se assumam prioritariamente como promotores da manutenção e conservação da paisagem cultural milenar mas, também, como parceiras estratégicas e suportes à criação e ao reuso qualificado dos sítios.

8)    Será importante que as tutelas se preocupem menos com a animação festiva;

9)    Será importante desenvolver estratégias de programação, para retirada de espúrios de forma a corrigir os malefícios que levaram à degradação de espaços urbanos e rurais;

10) Será importante respeitar o território, repensando o investimento megalómano no crescimento da rede urbana e, em contrapartida, assumir a assunção de responsabilidade na requalificação identitária e na reutilização. 

Em síntese, temos que assumir o território como coisa frágil e finita mas também temos que o saber usar de tal modo que até o ócio seja negócio.
 
LINO AUGUSTO TAVARES DIAS

terça-feira, 5 de março de 2013

Que futuro queremos para o Marco?


Este continuará a ser um ano agitado, não só a nível nacional, mas também local. Até finais de Setembro, as eleições autárquicas voltarão a trazer-nos a uma realidade mais próxima, que, embora nunca esquecida, tem sido deixada um pouco mais de parte devido à realidade nacional.

O desafio que enfrentamos no Marco de Canaveses é deveras importante e merece uma avaliação profunda. Já lá vão quase oito anos de governação de Manuel Moreira e, por isso, é necessário que dispensemos algum tempo para fazermos um pequeno mas central raciocínio: o que mudou nos dois últimos mandatos autárquicos no Marco e o que poderia ter mudado?

Antes de mais, é importante recordar o que somos: Temos uma das mais baixas coberturas das redes de água e saneamento do país; temos uma rede de transportes públicos que tem vindo a ser profundamente e continuamente prejudicada, colocando em causa a mobilidade da população; não temos um documento orientador da estratégia territorial actualizado (PDM), que tem provocado um desregulado e, muitas das vezes, ilegal crescimento urbano; assistimos a uma tendência assustadoramente crescente da taxa de desemprego, que já está entre as mais altas da região Norte; emigração crescente de jovens num concelho sem uma verdadeira política para a juventude; incapacidade de potenciar uma dinâmica de turismo sustentável que valorize o património natural e arquitectónico do território; incapacidade de atracção de investimento económico; enfraquecimento e perda de valências no sector da saúde; aposta tímida na educação.

Obviamente, a herança deixada por anteriores executivos condicionou muito a acção do actual presidente da câmara, mas esta não pode ser a eterna "desculpa" de Manuel Moreira. Muito se pode fazer com pouco dinheiro. A principal incapacidade do actual executivo parece ser a ausência de vontade em traçar um futuro, um plano a longo prazo para o Marco. A estratégia tem vindo a ser "ir vivendo", mas os marcoenses pedem mais do que isso: é necessário pensar, idealizar e traçar uma visão estratégica. Não chega elaborar projectos irrealistas para apresentar nos momentos eleitorais e depois tudo cair num saco sem fundo, como tem acontecido até aqui: são exemplos a prometida renovação da biblioteca municipal, a construção do centro cultural da Casa dos Arcos ou do parque fluvial de Alpendorada, a requalificação da zona ribeirinha do Torrão ou os projectos para a Casa de Quintã e para o Carrapatelo.

Não. Não queremos projectos populistas para os quais nem sequer se prevê financiamento. Não queremos o discurso demagogo dos últimos anos. Queremos, sim, novas ideias, novas formas de fazer política, mais atenção às pessoas, uma política de proximidade, de sentido comunitário.

Por estes e muitos mais motivos, é urgente que os marcoenses reflictam acerca do que desejam para um futuro próximo. As autárquicas podem marcar um ponto de viragem no rumo do Marco de Canaveses e esse momento depende de todos e de cada um de nós. Daqui a pouco mais de meio ano, seremos chamados a decidir. 

Lino Tavares Dias é o convidado do mês no espaço + Opinião

Em Março, mês que anuncia a primavera, o nosso espaço + Opinião continua. Poderás continuar a ler as crónicas de João Valdoleiros, Bruno Caetano e José Vieira nos seus espaços habituais e, desta feita, poderás ficar a conhecer um pouco mais do pensamento de Lino Tavares Dias. O professor Lino Tavares Dias é doutorado em Arqueologia, professor universitário e até bem recentemente era o diretor da Estação Arqueológica do Freixo, local onde desempenhou funções profissionais diversas ao longo dos últimos 30 anos. Atualmente, como muitos já deverão saber, figura-se como candidato não filiado (ou independente) do PS Marco à presidência da Câmara Municipal do Marco de Canaveses.
 
Boas leituras!
 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Quais as razões porque sou candidato em Marco de Canaveses? por Lino Tavares Dias


Sou arqueólogo há mais de trinta anos.

Um dia, em 1980, fui desafiado a vir do Porto até uma pequena aldeia do Marco de Canaveses, para analisar um sítio onde diziam aparecer “trastes antigos”.

Alguns dias depois, foi com naturalidade que iniciei escavações arqueológicas num lugar aparentemente inóspito dessa aldeia com o topónimo Freixo.

Os trabalhos de investigação nunca mais pararam até hoje. Na aldeia do Freixo foi sediado o laboratório, embora o estudo tenha sido ampliando aos concelhos envolventes, incluindo os da margem esquerda do rio Douro.

Um dia, corria a primavera de 1989, um amigo percorreu comigo as ruínas de Tongobriga, cidade romana que a minha equipa continuava a desenterrar no Marco de Canaveses.

No dia seguinte, esse meu amigo (Luís Varela) ofereceu-me um poema a que deu o título:

AS MÃOS DO ARQUEÓLOGO
Trazem-nos o sol doutros séculos,
Outra luz, pequenos hábitos, rituais.
Revolvem memórias, desvendam
Matérias, leem a vida
De que só tínhamos os sinais.
Vão por dentro do tempo:
Perscrutam as vozes adormecidas
Onde aprendemos a nossa voz.
Escrevem um poema de areia fina
Sobre a cidade que há no futuro.

Neste poema estão evidenciados, de forma implícita, os desafios que me levaram a aceitar o convite do partido Socialista para me candidatar no Marco de Canaveses, cerca de 33 anos depois de aqui ter começado a trabalhar.
No poema que o meu amigo escreveu,
Está o tempo – está a vida do homem ao longo dos séculos, a maturidade
Está a luz - o conhecimento,
Está o homem no seu quotidiano, nos hábitos, na crença de cada um e nos ritos coletivos que procura nas religiões.
Está a memória. Todos nós gostamos de estar bem de memória e de bem com as memórias.
Está a reflexão indispensável ao bom senso porque perscrutamos, escutamos e lemos os testemunhos e os exemplos ao longo dos séculos que nos ajudam a pensar.
Está a experiência da observação que nos permite ter opção de gosto - ser bonito ou feio.
Tudo isto é importante porque o conhecimento e a experiência ajudam a melhorar a nossa voz.
Mas esta aplicação do conhecimento e da experiência é assumida como poema escrito em areia fina, o que é uma salvaguarda inteligente, porque todas as propostas feitas pelo homem são por natureza temporárias, frágeis, com certezas sujeitas a retificações e a alterações mais ou menos subtis.
É a natureza da fragilidade da vida que nos exige que a respeitemos muito, e que, por mais milenar que ela seja, nos aconselha a recusar a existência de homens providência que nunca se enganam e raramente têm dúvidas.
E a materialização das ações deve ser na cidade que há no futuro, não só assumindo a cidade como sinónimo de território organizado mas também, e principalmente, como espaço e modelo em que o cidadão, assumido como indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos, exerce a cidadania e, ao fazê-lo através do voto, está a intervir no futuro.
Ou seja, todo o trabalho de estudo, de investigação, de reconhecimento das estratégias milenares aplicadas ao território é interessante, mas só será importante se tiver perspetiva de futuro, se lançar desafios e se permitir lógicas prospetivas que suportem simultaneamente estratégias para as Pessoas e para o Território.

Ao longo de mais de três décadas tenho incidido o trabalho como investigador sobre um território vasto em que também se insere o Marco de Canaveses, mas que vai para além dele, indissociável de Montemuro e do Marão, do Tâmega e do Douro, assumindo a bacia do rio Douro, desde a nascente em Castela/Leão até à Foz.
A importância geoestratégica que este território teve desde a presença romana, desde há 2000 anos, é fundamental para percebermos melhor as dinâmicas e os desafios dos nossos dias. E, podem crer, é mais fácil desenvolver políticas quando conhecemos bem as fases e etapas da lenta construção destas paisagens, destes territórios milenares em que os rios servem como verdadeiras espinhas dorsais,
Se este é um território sobre o qual houve preocupações na antiguidade, atualmente deve ser um espaço entendido como suporte de pensamento, de investimento e até de inovação
Este é, também, um território que induz a internacionalização. Se é vulgar assumir-se a relação com a Galiza, neste caso facilmente suportada pelas estradas romanas e medievais que serviram as peregrinações a Santiago, e que continuam a poder ser percorridas, também a bacia do rio Douro induz a relação de proximidade com Castela/Leão.
Temos em evidência os valores patrimoniais que suportam esta leitura cultural do território e que potencia o turismo.
O Marco de Canaveses e a envolvência em que se integra, tem que ser um espaço em que se assuma, como prioridade, o respeito pelo Território e pelas Pessoas que nele nasceram, que nele crescem e envelhecem, que o usam para trabalhar ou para mero ócio.
Neste território, como em muitos outros, reconhecem-se contradições, mas também se reconhecem fortes valores identitários, determinantes em qualquer estratégia que se pretenda desenvolver na vida privada e na vida pública.
Há que valorizar o Território porque atua como elemento gerador de imagem e de reconhecimento de identidade
Há que valorizar o Território como suporte da Economia porque é este, com as Pessoas que o constroem e usam, que gera oportunidades de negócio e assim, converte-se em lugar de emprego e de atratividade.
Há que valorizar o Território como valor social porque é nele e sobre ele que se desenvolvem todos os projetos que contribuem para melhorar a qualidade de vida da população, desde a criança até ao idoso, desde o presunçoso ao humilde.
Procurei desenvolver alguns destes desafios durante os anos em que assumi para toda a região norte, a coordenação dos investimentos da cultura durante o III quadro comunitário, entre 2000 e 2006. Já então foi um desafio bonito e com ele aprendi muito.
Agora, em Fevereiro de 2013, decido aceitar o desafio da candidatura porque sinto que o momento é oportuno. Estamos numa altura em que a conjuntura económica já não sustenta o investimento megalómano de crescimento da rede urbana e, por isso, o proveito reside agora em passar à ação política de responsabilidade, de requalificação e de reutilização. Os próximos anos desafiam-nos a refletir sobre o novo quadro comunitário de apoio, um horizonte para 2020. Mas 2020 é já amanhã e, por isso, temos que pensar mais longe.
Sei que a arte de bem governar andou sempre ligada à arte da poupança.
O povo ironiza, mas aprecia. No poupar é que vai o ganho, dizem há muito tempo. O talento do pé-de-meia ainda grangeia respeito.
Mas há coisas em que não vale a pena passar necessidades. Não se adianta nada em economizar nas ideias. Quando existem, é usá-las. E, sempre que possível, as próprias.  
Assumir estas perspetivas parece-me coerente, não só porque conheço a capacitação endógena do território do Marco de Canaveses, mas também porque reconheço as qualidades das populações.
Para além de tudo isto, há um plano de orientação das políticas autárquicas que a Federação Distrital do Porto do Partido Socialista desenvolveu como suporte específico para a região do Baixo Tâmega e Vale do Sousa.
Agora, o empenhamento e o saber das Pessoas no Marco de Canaveses e a ajuda das estruturas concelhias, farão a alavancagem desses suportes e valorizarão a participação cívica com os seus próprios contributos.
Por tudo isto, agora, com 61 anos, com carreira longa nos quadros da administração pública, tendo concluído todas as provas académicas, desde a Licenciatura nos anos setenta, à Agregação em 2012, passando pelo Doutoramento terminado em 1995 (sempre na Universidade do Porto), senti que devia responder ao desafio de cidadania que me foi feito, com extrema cordialidade, por gente de bem.
Esta é, também, uma luta de cidadania assumida contra o silêncio. Nada é mais eloquente e perturbador que o silêncio. E, no entanto, nenhum outro ruído é tão inquietante como aquele que sobra das palavras que se não dizem.
Temos que quebrar os silêncios e salientar as nossas capacidades como povo, como gente, afirmar os lugares, as potencialidades e os recursos que nos dá a Terra-mãe e as suas gentes.
Terra–mãe e Gente que tornam o Marco de Canaveses num território desafiador, com atratividades identitárias que devem ser salientadas em qualquer plano estratégico.
Se, por exemplo, a serra da Aboboreira nos desafia a articular e complementar políticas com Baião e Amarante, em simultâneo, no Marco de Canaveses somos desafiados a desenvolver polos de atratividade sociocultural e económica como, por exemplo, aquele que é afirmado pelo granito e pelo extraordinário trabalho milenar dos pedreiros, suportado no conjunto constituído pelo Monte de Arados (com mais de 2000 anos de habitação humana), mas também pelas terras baixas com solos de boa qualidade onde foi construído (e tal não foi por acaso) há cerca de 1000 anos o estratégico mosteiro de Pendurada (ou Alpendurada) e, ainda, pelas evocações do trabalho na pedra que continua a fazer-se no século XXI e que, por isso, exige estratégias para que seja colocado nos mercados mundiais.
Do mesmo modo somos desafiados pelo polo de atratividade suportado no urbanismo da mais antiga capital do território, a cidade romana de Tongobriga, já então apoiada pela riqueza dos vales irrigados, nomeadamente do rio de Galinhas, cuja senhorialização, séculos depois, ali deixou a exuberante casa agrícola dos Arcos, contrastando com a singeleza da igreja local e com o que isso representa na análise social do território.
 Mas, em contraponto dessa singeleza, é neste polo de atratividade que integro a Igreja de Santa Maria, afirmação do final do século XX e desafio de pensamento do século XXI.
Temos também que reconhecer a atualidade que representa para a economia regional a travessia estratégica que desde o século II d.C. ligava a capital Bracara Augusta a Emérita Augusta (hoje na estremadura espanhola). Esta estrada marcou Quires com um povoado denso há 2000 anos e depois o mosteiro beneditino reorganizou aquele bom espaço agrícola, até que Vila Boa de Quires se impôs.
A mesma estrada obrigou à construção há 1900 anos de uma ponte em granito sobre o Tâmega, para além de servir e impulsionar as terras de Sunilanis, ou de Soalhães, já desde então comprovadamente ligadas ao mundo da latinidade.
Hoje, esta estrada seria considerada de interesse estratégico europeu.
Curiosamente, estas terras de Soalhães e Quires continuam a estar no mesmo eixo que liga aos itinerários principais que ajudaram a tornar os quilómetros mais rápidos, aproximando ao Aeroporto de Pedras Rubras, a Leixões, também ao Porto, à Galiza, a Castela.
E, se estes quilómetros são agora mais rápidos, espero que o mesmo aconteça com o caminho-de-ferro, pois, então, tudo será diferente para as pessoas e para a economia das zonas do Concelho que são servidas pelo comboio.
Estes são apenas alguns apontamentos que suportam o pensamento com que procurarei inovar a abordagem ao Território e às Pessoas.
Quero acreditar convictamente que tal é possível.  
São estas, genericamente, as razões porque sou candidato em Marco de Canaveses.
Em síntese, retomando o poema inicial.
Desejo que AS MÃOS DO ARQUEÓLOGO não só tragam o sol doutros séculos mas também contribuam para melhorar a vida que há no futuro.
Lino Augusto Tavares Dias
18 Fevereiro 2013

Concelhia do PS do Marco de Canaveses confirmou Lino Tavares Dias como candidato


A concelhia de Marco de Canaveses do PS ratificou, na segunda-feira à noite, a indicação da Federação do Porto para que o arqueólogo Lino Tavares Dias seja o candidato autárquico naquele município.


A votação dos elementos da comissão política foi realizada por voto secreto, tendo contado com 26 votos a favor da proposta e um nulo.
Com este resultado, está terminado o processo conturbado de escolha do candidato autárquico socialista no Marco de Canaveses, o qual já tinha contado com duas votações anteriores em que o único nome proposto pelo secretariado concelhio, Artur Melo, não mereceu a concordância da maioria dos dirigentes locais. O impasse levou a concelhia a solicitar que a federação avocasse o processo, o que determinou, no início de fevereiro, a indicação do independente e académico, de 61 anos, Lino Tavares Dias.
Antes da votação realizada na segunda-feira à noite, no Marco de Canaveses, o presidente da Federação do Porto, José Luís Carneiro, explicou aos dirigentes locais os motivos pelos quais o órgão distrital propusera aquele candidato.
"É um homem de nobre caráter que se disponibiliza para servir o Marco de Canaveses", afirmou Carneiro. Para o líder distrital, o candidato proposto "corresponde a um sobressalto cívico de um cidadão que quer arregaçar as mangas para servir as pessoas".
O presidente da federação recordou a ligação de Lino Tavares Dias ao concelho do Marco de Canaveses, onde foi investigador, durante 30 anos, na estação arqueológica de Tongóbriga, considerando que "o candidato tem condições para saber posicionar o concelho no contexto nacional".
"Esta é uma candidatura de propostas para servir os marcuenses", acrescentou, vincando a "capacidade de diálogo e de trabalho de equipa que carateriza o candidato".
Após a confirmação do resultado da votação, Lino Tavares Dias dirigiu as primeiras palavras aos dirigentes socialistas locais, afirmando que a sua candidatura é um desafio "num momento oportuno".
"Senti que devia responder ao desafio de cidadania", disse, prometendo trabalhar respeitando os ideais socialistas, com base "numa política de responsabilidade".
Na reunião também participou o dirigente nacional Miguel Laranjeiro, que sublinhou a "grande honra" que constitui para o partido ter um candidato como Lino Tavares Dias.
O secretário nacional do PS sublinhou o facto de a candidatura no Marco de Canaveses ser liderada por um independente, o que traduz, destacou, a abertura que o partido tem revelado à sociedade civil.
"É central a importância de [o PS] se conseguir alargar externamente, chamando pessoas que estão próximas dos nossos ideais", acentuou.
Para Miguel Laranjeiro, o desafio das autárquicas será "muito exigente em todo o país", destacando que "a vitória só acontecerá se houver muito trabalho".
"Não há vitórias antecipadas, mas há uma grande esperança numa vitória", acrescentou, voltando-se para o candidato no Marco de Canaveses.
fonte: Lusa

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Lino Tavares Dias proposto para candidato do PS à Câmara do Marco


O Professor Lino Tavares Dias é o candidato proposto pelo Secretariado Distrital do PS para a Câmara Municipal do Marco de Canaveses. A escolha foi sufragada, por unanimidade, na reunião da noite de ontem do Secretariado Distrital e culmina o impasse vivido quanto ao processo de escolha do candidato, nas estruturas locais do partido.

Em face dos factos, o presidente da Federação Distrital, José Luís Carneiro, encetou um processo de diálogo e concertação de pontos de vista e perfil do candidato com o presidente da Comissão Política Concelhia do Marco de Canaveses, a par da auscultação das várias sensibilidades existentes e tendo ainda em linha de conta a circunstância de o nome proposto em anteriores votações da Comissão Política Concelhia – Artur Melo - reconhecer “não ter condições para ser candidato”. Assim sendo, a escolha do candidato do PS recaiu no nome de um ilustre académico, com reconhecidos méritos e gestão da causa pública, quer enquanto ex-diretor regional do Norte do Instituto Português do Património Arquitectónico (entre 1998 e 2006), quer enquanto coordenador da Medida de Cultura do Plano Operacional da Região Norte do III Quadro Comunitário de Apoio – 2000-2006.

Lino Tavares Dias é, como investigador e estudioso, uma personalidade com fortes ligações ao concelho, tendo liderado as escavações (com início em 1980) da área arqueológica do Freixo Tongobriga, uma cidade romana classificada como monumento nacional.

O agora proposto candidato do PS à autarquia do Marco de Canaveses foi ainda o responsável pela elaboração do conceito de “paisagem milenar”, que hoje orienta a aplicação dos fundos do PRODER na região do Baixo Tâmega, consubstanciando uma escolha de reconhecido mérito, que o Partido Socialista quer apresentar ao eleitorado concelhio.

O candidato proposto pelo PS à Câmara Municipal do Marco de Canaveses é o quarto independente escolhido para liderar listas autárquicas, logo a seguir à Póvoa de Varzim, Paços de Ferreira e Paredes.

Agora, após aprovação unânime do Secretariado Distrital, a Comissão Política Concelhia será chamada a pronunciar-se, definitivamente, sobre o candidato Lino Tavares Dias.