Crescem as dúvidas, as greves continuam, as negociações também. O certo é que as ligações regionais (serviço urbano CP Porto) entre Caíde e Marco de Canaveses quase deixaram de existir. Fontes da CP contactadas pela JS Marco garantiram que a empresa prepara um corte profundo no número de comboios a circular, não a partir de 1 de abril, mas sim a partir do primeiro dia de junho. Asseguram também que o presidente da Câmara Municipal do Marco de Canaveses já há muito saberia do caso. Verdade ou mentira?
Ora, na última Assembleia Municipal, realizada em Soalhães, o presidente do executivo garantia que as negociações com a CP corriam a bom ritmo e até estava no horizonte a possível eletrificação da linha entre Caíde e Marco, ainda que sem a remodelação das estações. A JS chegou a felicitar os avanços anunciados pelo presidente, mas agora a história parece ser outra.
Se, por um lado, o deputado marcoense na AR, Luís Vales, garantiu que é mentira o que se diz por aí, por outro, não é possível esconder-se o cada vez menor número de comboios a circular no nosso concelho.
Todos os dias, um número muito significativo de marcoenses vai até às estações com serviço urbano mais próximas para se deslocarem para o trabalho, para a escola, etc. E quem não tem possibilidades? E quem não tem transporte pessoal? E quem não tem rendimentos que permitam (como aos senhores que nos governam) despender de dinheiro para efetuar estas deslocações?
Sabemos qual é a estratégia: retirar comboios para que os que ficarem a circular não irem ao encontro das necessidades das populações, o que, por sua vez, levará à redução da afluência. Consequentemente, fazem um estudo, mostram que nao há viabilidade para continuar a haver comboios a circular, e pronto, acontece como a linha do Tâmega. Esquece-se o assunto, e mais uma vez quem é prejudicado?
O que temos assistido é grave, é sério, e os marcoenses precisam de estar atentos. Se uns acham que isto é aproveitamente político, outros estão cá fora, andam de transportes públicos, saem à rua, vêem a realidade, e não se conformam!
Queremos e temos o direito de saber o que se está a passar e o que estão a fazer com o Marco de Canaveses, já muito afetado nos últimos tempos pelas circunstâncias que todos conhecemos. A JS Marco promete não baixar os braços a esta luta. Estamos e estaremos pelo interesse dos marcoenses, pelo interesse da maioria e não de uns senhores que colocam, na mesma balança, receitas (lucros e prejuízos) e cidadãos, com o intuito de saberem qual deles tem mais peso.
É inadmissível que a CP, sabendo da situação, cobre, por exemplo, aos utentes que possuem passe mensal mais dinheiro para frequentarem os interregionais provenientes da Régua e que acabam por ser a única alternativa em certas alturas do dia.
E, senhor Manuel Moreira, não me venha dizer que a JS Marco só se lembrou agora da eletrificação, porque há muitos anos que lutamos por esta causa, independentemente do partido, da cor ou das caras. Porque acima de tudo estão os marcoenses.
Eu ando de comboio. E o senhor presidente?