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sábado, 27 de junho de 2015

Indignação popular: morreu um gato.

O país está ao rubro. Enquanto os gregos continuam a ser, ao olho dos credores, os inesperados convidados para uma festa de um amigo milionário, em Portugal a coisa está um tanto mais agitada: o Chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, é distinguido como embaixador da juventude ibero-americano e um gato queimado vivo em Mourão gera uma massiva indignação pelas redes sociais.

Quanto ao primeiro tema, creio haver muito pouco a dizer. Conhecemos Cavaco Silva há demasiados anos e todos sabemos da sua afincada luta ao lado dos mais jovens nas mais diversas situações - manifestações, festas, até mesmo na proximidade que lhes nutre aquando da sua visita ao ensino superior. O muito estranho desta situação, e vós certamente já deste conta disso, é o atraso da tal distinção.

Agora quanto à reminiscência dos tempos da inquisição tidos em Mourão já tenho um pouco mais a dizer. Desde já, repugnar veemente tal acto. Um povo que dadas todas as circunstâncias e todas as histórias do seu país continuar a cometer atrocidades com tamanha irresponsabilidade é intolerável.
Todavia, uma notícia repugnável transportou-se, seguidamente, para uma avalanche de enxovalhos nas redes sociais e, como é sabido, quando é o zé povinho a lançar críticas aos infractores a coisa passa a ser um tanto desajustada aos padrões de racionalidade e de realidade. Passou de um simples acto reprovável para um amontoar de vozes que lançaram injúrias pesadas - até mesmo a morte e o sofrimento impiedosos - aos ditos 'assassinos'.

Ora, pois bem, não se esquecem essas pessoas de outro tipo de crimes bem mais graves do que a morte de um gato? Por exemplo, a escravidão laboral que assistimos reconfortadamente na China? Onde os ditos 'trabalhadores' de todas as gerações, pois é de pequenino que se torce o pepino e por isso hão-de logo trabalhar exaustivamente, se mantém em pé e a trabalhar para além das 16 horas diárias?
Ou não será um tanto mais chocante os sucessivos bombardeamentos e guerras civis no Médio Oriente onde morrem milhares de inocentes e onde a outra metade se refugia para países que certamente serão tudo menos acolhedores na sua chegada? São questões um tanto complexas que a maioria tende por ignorar, visto tratar-se de uma notícia com mais caracteres do que aquelas a que hão-de estar habituados.

O que quererei eu dizer-vos com isto? Creio que nada, ou quase nada. Apenas uma chamada de atenção: quando decidirem criar petições online sobre a morte de um gato, pensem primeiro em criar petições online onde se insurjam contra a frequente violação dos direitos humanos um pouco por todo o mundo, onde os SERES HUMANOS sofrem exploração, onde vivem em condições degradantes e onde muitos outros morrem porque um doido de um autoritário qualquer lhes bombardeou a casa e a família.
Os animais também têm as lutas deles na selva, e os «mais indefesos», como li por alguns comentários online, são presas fáceis para os grandes predadores. Quererão criar outra petição contra a lei da natureza?

Não se acomodem com o que foi feito ao gato, mas também não se tornei histéricos crónicos quando no vosso mundo o que mais há é gente a sofrer sem nunca ter feito mal a ninguém.

Álvaro Machado - 00:19 - 27-06-2015

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O POVO faz toda a diferença II





Não era própria a intenção de escrever este texto de modo segmentado (I, II e III), porém fi-lo, de forma a evitar qualquer indução de erro relativamente aos factos sucedidos nas semanas transatas, almejando somente enaltecer um pequeno-grande aspeto a ter em conta: com esta segunda parte quero deixar um pequeno tributo ao trabalho feito pelos fantásticos militantes da JS Marco de Canaveses. A estrutura concelhia da JS Marco esteve, como disse antes, desde o primeiro momento com a população marcoense (mesmo que, para alguns, o 1º momento seja 2010: sim estivemos com os marcoenses, fizemos TANTO quanto outras forças políticas fizeram nesse momento!).

Existiu, contudo, um momento de viragem da nossa ação: 15 de Abril de 2012. Se, antes, tínhamos acompanhado o desenrolar da situação, tínhamos dado a conhecer aos marcoenses a realidade que se desvendava (através do blogue, páginas e grupos nas redes sociais), tínhamos entrado em contacto com os intervenientes (Comissão de Utentes, CP, REFER e até deputados da Assembleia da República) alertando para a possibilidade da supressão das ligações, a partir desse dia a nossa ação tornou-se muito mais incisiva, concisa e pragmática. A JS Marco Canaveses sabia que os marcoenses teriam de sair à rua, teriam de mostrar toda a sua indignação e descontentamento perante uma hipótese que não deveria nunca ter sido colocada.

A JS Marco Canaveses fez então uso de todos os meios possíveis e impossíveis no sentido de mobilizar o máximo de marcoenses e não só para uma causa que ultrapassa, indubitavelmente, as fronteiras do município.

Fizemos uso intensivo das redes sociais (quantos de vocês não souberam do que se iria suceder através de comunicações da JS e dos seus membros?), criamos suportes de divulgação, tais como imagens, cartazes, banners, tarjas e ainda vídeos (todos estes elementos estão visíveis ao longo do texto). Esta face mais visível da nossa ação permitiu, na minha perspetiva, divulgar a manifestação de forma muito eficaz.

Por outro lado, concomitantemente, estava a ser desenvolvido um trabalho menos visível aos olhos dos munícipes: movimentações no sentido de assegurar a maior abrangência regional possível. Os resultados estavam à vista de todos: TODAS AS ESTRUTURAS CONCELHIAS DA JS PORTO ESTIVERAM COM OS MARCOENSES, marcando presença na manifestação; além disto, verificou-se ainda a presença dos presidentes das Câmaras Municipais de Baião e Amarante, demonstrando a solidariedade dos Socialistas para com o povo marcoense. Mais ainda, entramos em contacto com diversos autarcas marcoenses, procurando assegurar a sua presença na mesma manifestação (foi fantástico, neste particular aspeto, o contributo da Junta de Freguesia do Torrão: quem não escutou o grupo de bombos, liderados pelo Sr. Manuel Lopes?).

Foi, sem espaço para dúvidas, um trabalho intenso mas, olhando para trás, profícuo e, acima de tudo, justificado... Pois o Marco de Canaveses é uma causa bem maior que qualquer força partidária. Foram dias de suor, dias em que a cor partidária foi, inúmeras vezes, esquecida.


Foram muitos os marcoenses que reconheceram mérito ao trabalho desenvolvido pela JS Marco Canaveses pela causa ferroviária, conferindo algum brilho ao esforço por nós desenvolvido. Um muito obrigado pelas palavras!


Hilariante foi notar as expressões de desagrado de alguns, pouquíssimos (muito poucos mesmo), conterrâneos perante tamanha mobilização da JS Marco Canaveses. Tendo mobilizado mais de 70 camaradas para uma causa que não podia ser perdida, tendo demonstrado a força viva que esta estrutura é, tendo revelado que, quando é o Marco de Canaveses que está em risco, não há energias a poupar e contribuindo, deste modo, para o sucesso da manifestação marcoense... Foi deveras cómico (sempre fui fã de eufemismos) verificar o desagrado de outros! Não era o Marco de Canaveses que estava desagradado... Eram alguns!

Corro o risco, eu sei, de parecer querer glorificar o trabalho da JS Marco Canaveses... Não quero! Pretendo apenas salientar o trabalho que foi desenvolvido e as forças despendidas no sentido de mostrar que o Marco de Canaveses não estava disposto a perder esta batalha. Não quero, muito menos, fazer qualquer aproveitamento político do sucedido (menos aproveitamento político seria impossível, o dia teria sido propício para o fazer!)... Quero que estas sejam as letras de um simples OBRIGADO a todos que ajudaram nesta luta (que não está ainda terminada). Para terminar este capítulo, sublinhar apenas que, na minha ótica, aproveitamento político consiste em pouco ou nada fazer e, no momento certo, aparecer de mãos a abanar e nada para acrescentar à exceção de um "presente". Palavras leva-as o vento...

Continua... Para a 3ª e última parte.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Política e os Portugueses

Episódios do dia-a-dia em que sinto no meu bolso (e no de todos)  as políticas concretizadas no Hemiciclo (esse lugar que não raras vezes me parece distante):
I. Acordo na Concertação Social: Este tópico está a ser prematuramente colocado neste rubrica, isto porque os Portugueses vão senti-lo apenas daqui a uns meses. Mas vão senti-lo!! É uma ofensa para os trabalhadores o que foi ontem acordado. Este acordo não serve em nada para garantir maior produtividade, apenas diminui o custo do trabalho (penaliza quem trabalha). Mais ainda: os empresários salientaram VEZES SEM CONTA que não é o custo do trabalho o principal factor de diminuição da produtividade. Existem aspectos que são, porventura, exagero (feriados, pontes, indemnizações... reconheço), mas tudo o resto é CRIMINOSO! Além da chicotada que é nas costas dos trabalhadores portugueses, pode ter ainda consequências negativas a nível orçamental! Este acordo põe de parte sacrifícios para as entidades patronais: apenas os trabalhadores pagam! De notar que Portugal recebeu, em média, cerca de 6M € por dia da UE para se colocar num outro patamar... e que esses 6M € diários não estão nas casas, nos carros e nos luxos dos trabalhadores! Tivéssemos nós uma classe gestora capaz, competente e eticamente consensual... E talvez não fosse necessário este golpe nos trabalhadores!

II. EN's cheias: Incrível o número de veículos de mercadorias, pequenos comerciais e automóveis ligeiros que tenho verificado nas estradas nacionais do Norte por onde tennho circulado (a saber, Porto, Maia, Braga, Barcelos, Guimarães, Vizela, Penafiel)!! Os volumes de trânsito nestas nacionais estão como nunca vi... E as (ex) SCUTS cada vez mais vazias!!
Vamos mudar isto ou quê?? Não é mais tempo de ficar no café a opinar ou no sofá a barafustar! Acção, intervenção e envolvimento é o que se exige!! Junta-te a nós... O Marco precisa, Portugal precisa de ti!
Porque, frequentemente, a política que ambiciono e projecto é muito distante da política praticada. Mas também porque a política é essencial para o quotidiano equilibrado de uma sociedade sustentável!!