Mostrar mensagens com a etiqueta Pensões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pensões. Mostrar todas as mensagens

domingo, 12 de julho de 2015

A cimeira da crucificação

Desenganem-se os crentes. Os líderes europeus e, em especial, o Presidente do Eurogrupo, Dijsselbloem, mestre por sinal reconhecido por todos menos pela universidade irlandesa (University College Cork), fazem tudo para humilhar torpemente uma nação tão impregnada de valores como é a Grécia. Humilham um povo, hipotecam a geração de agora e do futuro, escarnecem do mal de milhares de pobres que nobremente lutam sem saber o dia de amanhã, e tudo porque estes senhores, chamem-lhe donos da Europa enquanto eu lhes chamo miseráveis, decidem impôr um plano económico a um país sem tampouco ouvir as propostas do outro lado da mesa.

Lembro-me que Varoufakis alertava, e alertou sistematicamente, para a falta de diálogo e de compreensão na mesa de negociações. Nunca o ouvimos recusar e negar a culpa dos governos gregos no preenchimento das lacunas sócio-económicas, da escassez de reformas de estruturais a fundo, da inevitável insustentabilidade deste sistema. Ouvimos, pelo contrário, Varoufakis pedir uma conjunto de reformas estruturais que não afectassem novamente os mais desfavorecidos, que a dívida se tornasse sustentável para que a Grécia voltasse aos mercados, mas tudo isso se tornou imperceptível para os ouvidos do Eurogrupo - assim sendo, divergia-se por meio ponto percentual no conjunto de propostas discutidas pelos credos e o ministro das finanças grego.

Todos ignoraram quando, no seu blogue pessoal, Varoufakis respondera directamente a Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI, quanto à sua remissão para a negociação difícil 'de todas as partes'. É claro que hoje consigo decifrar plenamente o que isto queria dizer: o objectivo, desde do início, não era uma negociação 'de todas as partes', mas somente de uma única parte que impunha medidas dogmáticas a toda uma nação.
O pedido de reformas estruturais a fundo sem cortes nas pensões e nos salários, sem reduzir as condições de vida da população, nem sequer estava em consideração; estava, isso sim, uma agenda de mais cortes selvagens nos sectores mais frágeis, acompanhados de aumentos de taxas de juro.

Nada é ao acaso. As pessoas inteligentes, que questionam sempre os métodos impostos à força que se haviam tornado num paradigma dogmático, nem sempre são bem-vindas no seio dos mais poderosos. Assim, não tenho dúvidas que Varoufakis foi afastado por esses mesmos motivos, porque este pseudo-mestre do Eugrupo e Lagarde não suportaram um outro caminho, questionando o traçado por si, e com outras medidas à mistura.

Tsipras tem vindo a recuar nas negociações. O principal motivo de o fazer é, evidentemente, evitar mais disparidades do que aquelas que inevitavelmente surgiram nos últimos anos. Mas outra coisa, mais forte de todo esse desejo de reconciliação, atravessa-se no caminho do primeiro-ministro: um novo resgate, com ainda mais medidas asfixiantes para a economia e para a população, e com um tempo limite de aceitação no parlamento grego até quarta-feira, passando, dessa forma, a uma (quase) certa insustentabilidade democrática.

O fim desta farsa negocial começou ontem, quando Schäuble apresentava um documento com duas alternativas possíveis para a Grécia: permanecendo no Euro com um novo resgate ou com um 'time-out' onde, nos próximos 5 anos, estariam os gregos afastados desta união monetária, suportando-os com ajudas humanitárias caso necessário.

Tudo se resume, uma vez mais, às palavras de Varoufakis: «O problema é que a UE não gosta de democracia».

Álvaro Machado - 20:32 - 12-07-2015

segunda-feira, 22 de junho de 2015

«A nossa proposta é simples, eficaz e mutuamente vantajosa.»


Ler documento na íntegra


Tenho pena. Pena que os meus governantes insurjam as suas vozes inócuas contra os que transpõem o verdadeiro conceito de democracia, que elevam a sua força além e que não se submetem a um injustificável e redondo não.

E sobretudo é de admirar o gesto nobre com que Varoufakis reconhece os erros do seu país no passado, reconhece que é necessário um conjunto de reformas estruturais para incutir nos gregos uma maior responsabilidade. Tudo isso é possível, mas sem destruir as vidas que estes credores tão massivamente destroem.

Está aqui tudo. Todo o percurso do novo governo grego está, em linhas gerais, nesta publicação de Varoufakis. Como disse, não se escondem nas traseiras da covardia, não se mantêm inertes na demagogia, antes se impregnam de propostas e de vida nova para a União Europeia.
Têm todo o meu apoio. Enquanto alguns lutam pelo seu povo, o meu Chefe de Estado, de nome Cavaco Silva, diz numa visita à Roménia: «Façam um bom oó».

A diferença reside num homem que de político nada tem e que da política nada quer, para um ignóbil que fez do seu percurso politiquice e sempre em interesse e beneficio próprio.

Álvaro Machado - 00:47 - 22-06-2015