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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Sugestão: Debtocracy

Queria deixar aqui uma sugestão... Por 2 motivos (simples):

1. Porque posso (tão só e apenas)!
2. Porque o Pedro Leal tem alimentado aqui um hábito muito saudável de publicação curtas metragens de pertinência indiscutível!

Não sei se já viram o filme Debtocracy, algo como Dividocracia! Um filme feito, segundo os autores, pelo público acerca da crise grega. O filme é já do ano de 2011, não acabou de sair nem sequer acabei de o ver! Lembrei-me, nesta fase em que a crise grega agudiza de forma severa... Talvez seja o ponto de viragem para toda a Europa e não apenas o fundo do poço para os gregos.
Este filme alimentou muitas sessões de cinema ao ar livre em praças públicas repletas, desde Atenas até Madrid. Por cá, o Bloco de Esquerda levou a cabo também diversas sessões de visionamento. A meu ver, este filme serve, acima de tudo, para apurar o sentido crítico relativamente à situação grega. Marginalizado pelos media de massas e, não obstante isso, visto por milhões de pessoas, Debtocracy mostra o outro lado da crise grega que as notícias que nos chegam teimam em omitir. Como todos os filmes mais radicais, é necessário espírito crítico para assimilar aquilo que interessa ou, simplesmente, saber aquilo que interessa!

Mas, enfim... Palavras em demasia já! Caso decida aceitar a minha sugestão... Boa sessão!



OBS: Esta versão tem apenas legendas em inglês!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Notícias do Bloqueio, 25 dias, 25 poemas


O poema de hoje, intitulado Notícias do Bloqueio, é da autoria de Egito Gonçalves.
Este poeta foi escritor, editor e tradutor, sendo que a sua obra está traduzida em várias línguas, tendo em conta que ganhou vários prémios a nível nacional e internacional.
Este poema demonstra o carácter revolucionário e empenhado da escrita de Egito Gonçalves, homem que divulgou a cultura literária do seu país além-fronteiras.

Bem-Haja.

Aproveito a tua neutralidade,
o teu rosto oval, a tua beleza clara,
para enviar notícias do bloqueio
aos que no continente esperam ansiosos.

Tu lhes dirás do coração o que sofremos
os dias que embranquecem os cabelos…
tu lhes dirás a comoção e as palavras
que prendemos – contrabando – aos teus cabelos.

Tu lhes dirás o nosso ódio construído,
sustentando a defesa à nossa volta
– único acolchoado para a noite
florescida de fome e de tristezas.

Tua neutralidade passará
por sobre a barreira alfandegária
e a tua mala levará fotografias,
um mapa, duas cartas, uma lágrima…

Dirás como trabalhamos em silêncio,
como comemos silêncio, bebemos
silêncio, nadamos e morremos
feridos de silêncio duro e violento

Vai pois e noticia como um archote
aos que encontrares de fora das muralhas
o mundo em que nos vemos, poesia
massacrada e medos à ilharga.

Vai pois e conta nos jornais diários
ou escreve com ácido nas paredes
o que viste, o que sabes, o que eu disse
entre dois bombardeamentos já esperados.

Mas diz-lhes que se mantém indevassável
o segredo das torres que nos erguem,
e suspensa delas uma flor em lume
grita o seu nome incandescente e puro.

Diz-lhes que se resiste na cidade
desfigurada por feridas de granadas
e enquanto a água e os víveres escasseiam
aumenta a raiva

e a esperança reproduz-se