domingo, 1 de abril de 2012

Esta Arma Mata Fascistas

A Juventude Socialista de Marco de Canaveses não esquece a importância que a música teve na luta contra a ditadura que vigorou em Portugal durante 41 anos, 1933-1974. Como forma de prestar homenagem a todos esses autores, compositores, interpretes e cantautores, será publicado, diariamente, neste blogue, até dia 25 de Abril, uma música diferente para mostrarmos algumas das belas coisas que foram feitas durante os tempos do lápis azul.

Hoje, excepcionalmente, a música será publicada “em primeiro plano”, sendo que nos próximos dias poderão encontrar a “música do dia”, na barra do lado esquerdo, com o nome "Esta Arma Mata Fascistas", claro que este "mata" não é no seu verdadeiro sentido, mas sim no sentido de que com estas músicas se foi corroendo o regime que acabou por cair.
Espero que gostem da nossa selecção.


Sophia de Mello Breyner
Francisco Fanhais

Tema do mês: Liberdade & Democracia

Com a chegado do 25 de Abril, chegam também conceitos que vieram com a Revolução dos Cravos. Liberdade & Democracia é o tema representativo deste mês no nosso blog.

No dia 2 de abril, Alberto Arons de Carvalho, fundador da Juventude Socialista, é o convidado que abre o mês. Jornalista, professor e político, Arons de Carvalho teve um papel importante na transição do país para a democracia e traz-nos uma contextualização da criação da JS e o papel que a organização teve na época.

No dia 9, Rui Bebiano, historiador e professor de história contemporânea na Universidade de Coimbra e investigador do Centro de Estudos Sociais (mais informações aqui) vai revelar-nos a influência dos movimentos estudantis no 25 de Abril. 

Joaquim Moreira é marcoense, foi professor universitário e candidato à Junta de Freguesia de Santo Isidoro pelo PS. No dia 16 deste mês, conta-nos a sua experiência e explica-nos a importância da crise académica no processo revolucionário. 

Elísio Estanque é o convidado do dia 23. Foi ativista sindical e de diversos movimentos sociais no período revolucionário. É formado em sociologia, irreverente, independente e crítico dos abusos de poder de todos os tipos (fica a saber mais aqui). Continua ativista de diferentes causas de esquerda e apresenta-nos, no blog da JS, um texto acerca da mudança de comportamentos e atitudes entre o período anterior à revolução e o pós 25 de Abril.

A fechar o painel de Abril, João Valdoleiros lembra-nos como foi a transição para a democracia no Marco de Canaveses. Actualmente líder da bancada socialista da Assembleia Municipal do Marco de Canaveses, João Valdoleiros, de fortes convicções, é o convidado que encerra o conjunto de convidados de luxo deste mês. 

25 Dias, 25 Poemas




Abril é sempre sinónimo de Liberdade, de Revolução, de cravos.
Assim, publicamos ao longo de 25 dias 25 poemas de poetas vários , todos eles escritores da Lusa língua.
De poemas revolucionários a poemas de intervenção (engagé), iremos visitar as palavras e as ideias de um país feito de silêncios.
Que rumo era o da arte no tempo da opressão e repressão?
Qual a actualidade das palavras dos poetas?
O primeiro poema é da autoria de José Régio - pseudónimo literário de José Maria dos Reis Pereira, poeta do segundo Modernismo portugês e um dos fundadores da revista Presença, lançada em Coimbra em 1927 - intitulado "Cântico Negro"


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém
-Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam os meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Porque me repetis: "vem por aqui!"?


Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.


Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas nossas veias, sangue velho dos avós,
e vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah! Que ninguém me de piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "Vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se levantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!