quarta-feira, 2 de maio de 2012

O POVO faz toda a diferença


No passado dia 22 de Abril fiz parte de uma manifestação que, a meu ver, ficará marcada de forma indelével na história marcoense: foram mais de dois milhares de pessoas que, sem quaisquer reticências ou receios, demonstraram a sua insatisfação pela situação em que a CP preparava para colocar o município do Marco de Canaveses - a Imobilidade! Com efeito, devo subscrever as palavras do Tiago Moreira e afirmar, com todo o meu ser, que Abril está-nos no sangue!
Lado a lado com os meus conterrâneos, respirando da mesma revolta e inspirado pela mesma terra, o Marco de Canaveses, não houve lugar a dúvidas, segundas intenções ou agendas escondidas... o Marco de Canaveses estava acima de tudo. Muito acima! Foi deveras inolvidável aquele momento...
Agora, contudo, é momento de fazer um balanço de todo o processo, de toda a sequência de eventos que nos trouxe até ao dia 22 de Abril e, posteriormente, até ao (de momento) desfecho do dia 27 de Abril.


Desde meados de Março que a Juventude Socialista do Marco Canaveses (JS Marco) tem acompanhado os desenvolvimentos deste processo, dando conta das novidades, dos factos e das incidências diárias dos utentes do serviço ferroviário do Marco de Canaveses (podem ler-se aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Desde há mais de um mês que temos apontado baterias no sentido de procurar esclarecer os marcoenses acerca desta questão, aliás, a prova disso reside no incremento, notório, das visitas diárias ao nosso blogue. Os marcoenses procuraram junto da JS Marco novidades em torno da questão ferroviária. No sentido contrário, ao que tudo indicava, parecia seguir a Câmara Municipal que, tentativa após tentativa, negava a veracidade dos factos, excluía por completo essa hipótese. Hipótese essa que se veio a materializar: os marcoenses estavam prestes a ficar sem um serviço fulcral... E a Câmara Municipal desmentia. Até que não foi mais possível esconder a verdade... O Marco de Canaveses estava em risco, verdadeiro risco de ver apenas passar comboios interregionais, sendo sumprimidas 15 ligações regionais Marco - Caíde. Algo absolutamente inaceitável.
Um facto curioso que verifiquei na reunião da Comissão de Utentes com a população no dia 15 de Abril, foi a comunicação de Manuel Moreira de que as ligações ferroviárias estavam em risco desde o dia 1 de Março! Informação que apenas ele detinha e que corrobora a afirmação de que o executivo tentou ESCONDER esta hipótese dos marcoenses tanto quanto possível. Porém o mesmo Manuel Moreira arregaçou mangas, trabalhou em prol da população e fez os possíveis para que as ligações ferroviárias se mantivessem. Nessa mesma reunião de 15 de Abril foi definida a concentração/manifestação na Estação CP do Marco de Canaveses no dia 22 de Abril pelas 18h... Foi uma semana trabalhosa, plena de vontade, alma e suor sempre com o Marco de Canaveses em mente... Uma semana que culminou numa das maiores manifestações que o Marco de Canaveses já presenciou. Mas muito foi necessário para que assim fosse...

Continua... Em breve!

Todos ao 1.º de maio do Pingo Doce!


Por estar de acordo com Daniel Oliveira, publico o artigo que escreveu no Expresso Online.

Dia 1 de maio. As imagens na televisão são o retrato de um país que vive em degradação evidente. Milhares de pessoas invadem os supermercados do Pingo Doce. Confusão, incidentes, cenas de pancadaria, polícia de choque em algumas lojas, prateleiras vazias, saque de produtos alimentares. A Jerónimo Martins ofereceu descontos de 50% para quem fizesse compras superiores a 100 euros.
Num dos feriados que ainda eram respeitados pelas grandes superfícies, a filantrópica família Soares dos Santos, a que, nos intervalos de lições de responsabilidade aos nossos governantes procura e encontra esquemas para fugir ao fisco, a que, descobrindo que os seus mal pagos funcionários estão na miséria lhes dá umas esmolinhas em géneros, assinala assim o Dia do Trabalhador. É esta a nossa elite económica: tudo o que represente a dignidade de quem trabalha merece dela um olímpico desprezo.
No mesmo dia em que Passos Coelho tem, como única mensagem a dar aos portugueses, o anúncio de que o desemprego, que já atingiu recordes nunca vistos, vai continuar a aumentar, muitos portugueses dedicaram o seu dia à corrida às compras. Não os condeno. Quando não há dinheiro um desconto destes, com venda de produtos abaixo do preço de custo (dumping pago quase sempre pelos fornecedores) faz diferença. E não é seguramente por consumismo que alguém se planta, às 4 da manhã, à porta de um supermercado.
Nada obrigava a Jerónimo Martins a fazer esta promoção neste dia. Mas a pobreza tem mais força que a repressão. Enquanto as pessoas lutam para comer não lutam por direitos. Nenhuma ditadura conseguia resumir um dia de resistência àquelas imagens degradantes. O que ficará do 1.º de maio de 2012 em Portugal é isto: um povo a esbofetear-se por um desconto em comida. Uma empresa que é incapaz de compreender qualquer ideia que se assemelhe a "dignidade". Um poder político que nos atirou para este humilhante retrato terceiro mundista.

in: Expresso Online

terça-feira, 1 de maio de 2012

Esta Arma Mata Fascistas


Neste dia 1 de Maio, dia do Trabalhador, encerramos o nosso "espaço", «Esta arma mata Fascistas». Durante os primeiros 25 dias de Abril foram colocadas 25 músicas que contribuíram para que o regime fascista que vigorou em Portugal durante 48 anos fosse derrubado. A todos aqueles que foram seguindo estas publicações, obrigado, prometemos não esquecer as nossas raízes e, de quando em vez, publicar algumas músicas ditas de intervenção, porque Abril deve ser lembrado, não apenas um dia por ano, mas todos os dias, pois muito há para fazer para concretizar o «sonho que Abril despertou».