Mostrar mensagens com a etiqueta Turismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Turismo. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Marco de Canaveses, um concelho (s)em movimento

Há uns dias, numa reunião do Conselho Municipal da Juventude, que surpreendentemente me pareceu deveras positiva e produtiva, o presidente da Câmara Municipal do Marco de Canaveses cita a determinada altura o antigo/atual/futuro(?) slogan do Marco: "porque somos um concelho em movimento". Perdoar-me-á o senhor presidente, mas o que me ocorreu quando lembrou esse slogan foi: 
Hipótese 1 - É ironia autoinfligida.
Hipótese 2 - É o movimento dos que não têm oportunidade de trabalhar/viver no Marco.
Hipótese 3 - É o movimento dos concelhos vizinhos a alta velocidade quando passam por nós.

Não fico feliz em notar que o Marco se contenta com pouco. Não fico feliz em notar que o executivo da Câmara ainda não encontrou uma linha de comunicação que faça passar a identidade do concelho, que promova o Marco fora dos seus limites territoriais.
Mas vá, ainda acredito. Haja esperança.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Turismo, por Francisco Freitas Cardoso

Recordo-me, pelos meus 11 anos, no início da década de 90, do século passado, que os estrangeiros – assim lhe chamávamos - paravam no café dos meus pais à procura de informações diversas e especificamente da estrada que acompanhava o rio Douro.

Já próximo do novo milénio, passaram a chamar aos estrangeiros, turistas. E o cafezinho, ali na partilha da EN 211 (Alpendorada-Marco) com EN 108 (Porto-Régua) vendia mapas e refrescos, e aconselhava a estrada para as terras do interior, que viriam a receber a distinção de património classificado pela UNESCO em 2001.

O Marco de Canaveses tinha, no sul do concelho, a grande porta de entrada de turismo, antes do boom do Alto Douro Vinhateiro, e não soube aproveitar. Passada uma década, da classificação, continua a não saber.

Não sou um expert em turismo, nem sequer tenho formação na área. Escrevo a convite do Miguel Carneiro que me desafiou a expor o meu ponto de vista, talvez, por viver e conhecer a realidade nesta ponta do concelho. Este texto é uma pequena reflexão e opinião sobre um sector, com o qual cresci e trabalho (directa e indirectamente) há mais de 20 anos. Para além disso, também eu sou turista no meu país e fora dele, apreciador e opinado.

Já fiz dezenas de quilómetros, apenas para ver um par de casas típicas, nada extraordinárias, mas como estavam tão bem referenciadas e promovidas, cativaram-me e lá fui eu. Isto para dizer que, qualquer local, minimamente, típico e/ou bem apresentado tem potencial turístico. 

Dizer que o Marco de Canaveses tem este potencial, é quase um cliché. Definir uma estratégia (análise interna e externa, marketing e desenvolvimento) será a alavanca do potencial. O nosso concelho (a Câmara Municipal) tem certamente uma estratégia de turismo. No entanto, a mesma tem um perfil demasiado discreto, que chega a ser imperceptível. 

A grande porta de entrada do turismo, no Marco, fica na península, entre o Tâmega e o Douro, composta pelas freguesias de Torrão, Várzea do Douro e Alpendorada. Por aqui passam, só no canal fluvial, cerca de 160 mil turistas(1) por ano; desses, e a título de exemplo, mais de 50 mil, são clientes da empresa Douro Azul(2), operadora de turismo fluvial, que tem, entre outros, o Cais de Bitetos e o Mosteiro de Alpendorada, como pontos de paragem e interesse. Por estes dias, estes pontos encontram-se ameaçados por falta de melhores condições.

É um número que não se pode ignorar. “O Douro é cada vez mais procurado por turistas, verificando-se também um crescimento claro a nível do cruzeiro fluvial,” disse António Martinho, presidente do turismo no Douro, à Lusa em Dezembro passado.

Estando o Marco na linha do Douro, este e também o rio Tâmega são elementos latentes de investimento e desenvolvimento. É necessário dar as boas-vindas aos turistas que desembarcam em Bitetos, assim com todos os outros, e encaminhá-los, para as «casinhas típicas», para um grande achado como o de Tongóbriga e para a igreja de Santa Maria premiada internacionalmente. 



Vivemos entre rios e montanhas, no deleite da paisagem natural, no prazer do vinho e da gastronomia, oferecemos descobertas históricas, arte e cultura. São todas ofertas que o Marco tem e que coincidem com as actividades de turismo e lazer que os turistas mais procuram(3) quando visitam o Norte. 


Os turistas têm de ficar, a partir do momento que entram na Dream World – como lhe chamou Caetano Veloso, na música dedicada a Cármen Miranda – comprar souvenirs, sentar à mesa para a originalidade do arroz de forno, do anho assado e da lampreia. Aventurar-se nas pequenas rotas e refrescar-se nos nossos rios. Ficar cá a dormir e continuar pelos museus, quintas e oficinas da cultura. 


Padecemos de falta de turistas assim, o Turismo é uma coisa que se procura, logo estas iniciativas têm que ter uma oferta credível que os prenda e que os faça ter pressa de voltar.


Necessitamos de iniciativa pública na imagem de marca e no investimento em equipamentos de lazer, (por exemplo, albufeira e plataforma do Tâmega, Cais do Torrão, parques de lazer terrestres e fluviais). Precisamos atrair o investimento privado em hotelaria e facilitar comércio localizado nas atracções turísticas. Criar atracções turísticas por todo o concelho provocando a distribuição e a prosperidade sócio-económica locais. Mas também, precisamos de formação e sensibilizar a população para receptividade ao turismo. 


Um cafezinho de esquina não pode servir de posto de turismo e oferecer apenas refrescos e sandes. Precisamos ver as placas bilingues em todo o concelho a vender recuerdos, rooms e tours. Apressemo-nos porque, este Verão, já perdemos uns quantos milhares de euros e de turistas, estrangeiros e nacionais. Que não se deixe cair o que as águas traziam/trazem.


PS: convido-vos a visitar a praia fluvial de Bitetos, um fim-de-semana destes. 


Nota: este texto é escrito sem o AO.



(1) dados IPTM 2010
(2) Revista Visão, Setembro 2010
(3) dados Porto e Norte, 1º trimestre de 2012

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Turismo do Marco por António Machado

Que importa ter um jardim com flores, se o mesmo não é tratado convenientemente, que importa ter muita terra se a mesma não for cultivada, que importa ter muita água se a mesma não se pode beber…
Marco de Canaveses tem tudo isto e muito mais,mas não tem quem o saiba tratar.
Das melhores águas sulfurosas da Península Ibérica, porque estão fechadas? Os responsáveis do Concelho deviam abri-las para que os turistas aquistas usufruíssem delas, ao mesmo tempo abriasse uma porta para futuros empreendedores na área alojamentos, hotéis, estalagens, pensões,etc.
Um concelho premiado com muitos monumentos históricos,que deviam estar todos catalogados e sinalizados ao longo de todo o Concelho e com a real e verdadeira história.
Um turismo religioso que tão mal tratado é, Nossa Senhora do Castelinho, todos os dias,principalmente ao fim de semana é procurado por muita gente…
Um turismo gastronómico: somos um Concelho com vasta tradição principalmente com o anho assado com arroz de forno e o vê-se uma má publicidade do mesmo por gente que não sabe cozinha-lo e dá vontade de rir para quem os ouve…
Um turismo de lazer: rios (Douro, Tâmega, Ovelha, Galinhas) qual o seu aproveitamento?! Muito pouco ou quase nada…
Turismo de montanha: o que existe numas simples caminhadas e pouco mais…
Turismo para jovens que nos possam visitar: zero…
Turismo de férias: o pouco que existe é muito mal apoiado pela autarquia…
Bem mas não é só criticar o que está mal é preciso apresentar novos projectos para podermos realçar o nosso Concelho tanto a nível Nacional como Internacional.
Então aqui vão:
-Criar um grupo de pessoas, não partidárias para fazer um profundo levantamento das valências Turísticas do Concelho.
-Criar um roteiro turístico com tudo de bom que cá existe, um prospecto com responsabilidade e que seja fácil de consultar.
-Sinalizar todos os pontos de interesse, monumentos, tasquinhas, restaurantes, dormidas, praias fluviais, circuitos pedestres, circuitos culturais,etc...
-Promover eventos para todos como, por exemplo, ensinar as crianças a pescar, ensinar como se faz o anho assado, ensinar como se trabalha na agricultura, viticultura, como se tratam e criam os animais para nosso consumo, a fazer artesanato, tudo isto em campos férias.
-Promover o turismo religioso com encontros de pessoas.
-Promover os espelhos de água dos nossos rios com eventos com barcos, pesca.
-Dar a conhecer as nossas serras, com acampamentos para ensinar a proteger as mesmas, bem como os rios.
-Promover o Concelho em Feiras Nacionais e Internacionais, principalmente junto ao litoral e na vizinha Espanha.
-Promover junto às Fronteiras com ofertas aos que entram em Portugal.
-Posto de turismo aberto ao fim de semana.
-Promover a nossa gastronomia, em cidades como Porto, Pôvoa do Varzim, Viana, Espinho, Aveiro, Braga, etc…com mostras do nosso anho assado feito no local, actividade musical popular, vinhos…
-Promover visitas guiadas ao Concelho.
-Levar grupos de jovens a visitar os lares do nosso Concelho para que os nossos mais queridos fiquem contentes e para que as crianças saibam como se devem tratar os mais velhos.
-Festivais de música sem bebidas alcoólicas.
-Promover espectáculos como o do assalto do Zé do Telhado à casa de Carrapatêlo.
Bom, por agora chega, como podem vêr, existem muitas coisas que podemos fazer pelo nosso Concelho a nivél de Turismo, e penso eu que é hora de tirar os vernizes das unhas e todos juntos com amor e carinho promovermos o Nosso Marco Concelho a um lugar que vale a pena INVESTIR.


António Montenegro Machado

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O Turismo e a Região Demarcada do Douro por Isabel Borges



Instituída em 1756, a Região Demarcada do Douro (RDD) prolonga-se por 250 000 ha,  45 000 dos quais ocupados por vinhedos. Situada na bacia hidrográfica do rio Douro, apresenta um quadro paisagístico, socioeconómico e cultural distintivo, facto que, em 2001, justificou a sua classificação como Património da Humanidade pela UNESCO. Esta paisagem apresenta particularidades que lhe conferem distinção. As linhas que acompanham os socalcos representam uma imagem forte e de grande impacto. Dependentes do ciclo da natureza, mas também dos ritmos de trabalho humano, as alterações associadas ao ciclo produtivo da vinha criam diferentes cenários paisagísticos ao longo do ano, contribuindo para os traços de identidade de espaço.
O Vale do Douro é uma região incontornável no contexto do enoturismo em Portugal. Em termos de oferta mas também de procura, o turismo tem sido uma área de forte inovação. O enoturismo, com importante desenvolvimento recente, integra-se nessa tendência de procura de novos destinos que ofereçam novas experiências. O aumento dos fluxos neste setor e a referência no Plano Estratégico Nacional de Turismo (2007/2013), sob a designação de “Gastronomia e Vinhos”, a sua referência como um dos eixos prioritários de desenvolvimento da atividade turística no país, faz do enoturismo um dos principais vetores na estratégia regional de desenvolvimento. Com o objetivo de potenciar a riqueza vitivinícola desta e de outras regiões, o enoturismo tem sofrido um crescimento exponencial nos últimos anos. A sua notoriedade e projeção nacional e internacional, tanto em termos turísticos como vitivinícolas, agora também associada aos Vinhos do Douro, têm funcionado como uma importante alavanca no impulso do enoturismo, fomentando valores como a atratividade, a conquista da confiança e a credibilidade.
O papel da imagem na promoção vínica e turística das regiões revela-se uma mais-valia tanto para o mercado vitivinícola como para a construção do destino turístico. Apesar de recente em Portugal, este tipo de turismo é amplamente reconhecido na Europa, sobretudo nos destinos que ocupam os primeiros lugares no setor do turismo e na produção de vinhos, como é o caso de França, Espanha ou Itália.
No caso do Douro é importante e muito útil associar a qualidade do vinho à matriz da paisagem, funcionando como elemento de diferenciação das restantes regiões vinhateiras e um elo de ligação importante entre os diferentes tipos de oferta turística.
Mais do que os elementos paisagísticos que existem, os lugares destacam-se agora pelas experiências que proporcionam a mercados turísticos que procuram sobretudo o envolvimento em múltiplas atividades. Essa aposta integra-se na tendência geral de (re)valorização da imagem de lugares e regiões que, juntamente com um vasto conjunto de valores patrimoniais (re)descobertos, como a História e a Cultura, se entregam num jogo competitivo.
Todos os territórios envolventes, como é o caso do Marco de Canaveses, apresentam-se como “portas de entrada” do destino turístico. Apresentando uma oferta diversificada ao nível do património, do turismo náutico ou de natureza, entre outros, passando inevitavelmente pela gastronomia, funcionam como catalisadores do potencial turista.
O sucesso do futuro é o sucesso do Turismo. Os recursos naturais são finitos e esta indústria está de modo direto dependente de um meio ambiente saudável. A preservação e a promoção de destinos turísticos sustentáveis, a inovação ligada aos transportes e a preocupação cada vez mais premente de satisfazer os desejos dos turistas acabam por ser pilares ambivalentes e fundamentais para o setor. A Região do Douro dispõe de um conjunto de recursos turísticos diversificados e diferenciadores que urge valorizar e potenciar!

Isabel Borges | Investigadora

sábado, 7 de julho de 2012

O Turismo de Baião por Daniela Carvalho


Para os que conhecem menos bem, Baião localiza-se no limite interior do Distrito do Porto, entre os concelhos de Marco de Canaveses, Amarante e Mesão Frio. O Rio Douro circunscreve as freguesias ribeirinhas do município, separando Baião dos concelhos de Cinfães e Resende. A par do rio Douro, a Serra do Marão, a Serra da Aboboreira e o rio Ovil são exemplos de fortes marcas naturais presentes no concelho. Acresce-se a estas caraterísticas distintivas, o forte potencial cultural que muito enriquece Baião.

Não obstante este conjunto de caraterísticas atrativas, não é preciso recuar muito no tempo… e até há bem poucos anos atrás, mencionava-se e falava-se de Baião como uma terra longínqua, que ficava bem lá no interior. O concelho era alvo de notícias sobretudo pejorativas. Hoje, a realidade é bem diferente e é cada vez mais evidente o orgulho de cada baionense ao falar ou referir as suas origens.

Esta transformação deve-se, com certeza, a um importante esforço de promoção e divulgação de Baião pela positiva e, como consequência, é evidente o aumento do número de investidores e turistas interessados em descobrir o potencial deste concelho.

Os últimos anos têm sido alvo de uma importante evolução turística para Baião e o esforço conjunto das entidades públicas e privadas que de algum modo estão ligadas ao concelho tem contribuído para esse desenvolvimento. As parcerias que se têm vindo a estabelecer e a consolidar entre os agentes turísticos do território têm possibilitado um trabalho articulado entre as várias partes, o que muito contribui para a satisfação daqueles que nos visitam.

Da minha simples experiência e análise muito pessoais, o verdadeiro “salto” que representaram estes últimos anos na imagem exterior do concelho e na consequente atratividade do mesmo, ficou a dever-se à conjugação de dois fatores distintos, mas complementares:

- o esforço significativo, tanto em eventos bem selecionados, organizados e divulgados (festivais gastronómicos, colóquios nacionais e internacionais, atividades culturais e desportivas), como em equipamentos de alojamento e receção de visitantes (casas de turismo rural, hotel, restauração  de qualidade, não descurando os produtos tradicionais, como, por exemplo, a promoção dos vinhos da casta “Avesso”);

- uma estratégia bem definida, firme e determinada, em estabelecer um fio condutor a todos estes eventos, não só no encetar de um trabalho cada vez mais em parceria, como já foi referido, mas, sobretudo na interligação entre todos os fatores que, juntos, potenciam uma atração por este território.

Um território que, afinal, tem muitos pontos comuns com toda a envolvente do “Douro Verde”: as “Paisagens Milenares” – conceito que alia a natureza, a geografia, a história e o património. O mesmo se diga da preocupação em valorizar a grande riqueza “imaterial”, escondido, “a descobrir”, partindo do que é “visível” à primeira vista (paisagens, monumentos, entre outros) até à história, à literatura, à música, entre outras artes, que nos trazem a memória e o encanto.

É evidente que, uma forte aposta nos diversos canais da Comunicação Social contribui com uma grande quota de responsabilidade nos sucessos obtidos; mas tal esforço, de pouco valeria, sem o enquadramento na estratégia referida.