Mostrar mensagens com a etiqueta P3. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta P3. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 3 de abril de 2013

O Comentador de Paris por Pedro Leal in P3

 
É com grande orgulho que transcrevo, de novo, um texto de opinião publicado no P3 cuja autoria pertence ao jovem marcoense Pedro Leal.
 
O ambiente ficou de “cortar à faca” nos últimos dias, o momento não é para menos — José Sócrates regressa à vida ativa publicamente em grande, a comentar na RTP. Esta notícia surtiu duplo efeito; uns apoiam e outros criticam, estes últimos rejeitam auscultar o ex-Primeiro Ministro.
 
Contudo o grau de confusão e excitação enlouqueceu a atmosfera social, e agora resta perceber os efeitos desta situação. No exato momento em que o PS apresenta uma petição de censura ao governo e o bloco de toda a esquerda se junta, embora de forma artificial.
 
É notório o efeito de braço de ferro que Seguro terá de fazer com o primeiro-ministro, necessariamente com tudo isto o secretário-geral do PS terá de mostrar o que vale perante o país e os socialistas, antes que Sócrates chegue e manifeste maior fôlego para fazer frente ao governo.
 
Em suma António José Seguro terá a penosa tarefa de se assumir enquanto político, já que nos últimos momentos funcionou apenas com base no comentário e sem consequências diretas para as políticas governativas do país. E mais, agora é o querido líder socrático que terá tempo de antena assegurado.
 
De certa forma o mais interessante não será discutir a presença de Sócrates na RTP, mas a utilidade que este novo entrevistador trará. Este poderá ser o fim do governo apontar continuamente o dedo a uma identidade (in)visível, sem possível defesa do inquirido, argumentando constantemente que a causa de toda a tragédia do país teria um dono, residente em Paris. Por isso há que temer que o governo, made in Berlim, continue na senda de destruir o futuro dos Portugueses diretamente de S. Bento e logo de seguida aponte o dedo a José Sócrates, o comentador de Paris.
 
Mas não deixará de receber resposta, e que resposta. Logo agora que Seguro começou a olhar para o momento de governação Socrática com certo respeito e aceitação, terá o próprio Sócrates a defender as suas políticas não precisando de intermediários. E agora para que servirá Seguro?
 
Mas as atenções falharam, os focos foram mal direcionados e de tudo isto há que retirar uma ilação. O pais continua aprisionado a políticas irreais projetadas em Berlim e por uma espécie de máfia financeira, fazendo crer que José Sócrates é responsável. Gostaria, ao invés de Sócrates, ter Cavaco Silva como comentador, isto sou eu a sonhar, já que o seu exercício ativo enquanto Presidente da República é muito baixo. Mas os tempos são conturbados e ao invés de se fazerem petições para exigirem que Cavaco Silva dialogue com os portugueses, fazem-se petições para se calarem os que ainda se mostram com coragem de falar.
Quanto ao resto, venha o comentador de Paris e que o Governo saiba ser governo de Portugal e dos Portugueses. Por isto este não será o momento mais certo para José Sócrates aparecer, nem o mais ideal. Afinal Sócrates é responsabilizado pelos atos governamentais, até pelo facto de a emigração ser uma ponderação séria para os portugueses.Com isto, José Sócrates com o ato de regresso à pátria, sem dizer uma única palavra, já contradisse uma medida política do governo, aguardando-se muitas mais -Isto promete! Esperemos para ver, inclusive, o que mudará dentro do próprio Partido Socialista.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Cultura, parente pobre do Estado Social por Pedro Leal

É para mim um enorme prazer partilhar convosco o texto publicado no P3, site do jornal Público, da autoria do Pedro Leal, amigo e camarada marcoense, acerca da importância do investimento cultural como motor de desenvolvimento económico e social.
 
A CRISE foca o plano económico e financeiro e porventura desfoca outra crise — a do sector cultural, não menos relevante. Impera um défice extraordinário no debate social e político sobre o papel do sector no estado social. “A cultura é uma das formas de libertação do homem”, como afirmou Sophia de Mello Breyner na assembleia constituinte de 1975. Será a cultura apanágio para nos libertarmos desta CRISE?
Responder à questão passa por fazer um revisionismo da realidade cultural. Alargado o plano histórico, no ano de 1938, em pleno regime ditatorial, imperava uma interrogação: “Deve-se ensinar o povo a ler?”. E não menos presente estará na memória de todos a afirmação: “Nem sequer haverá Ministério da Cultura”, de Pedro Passos Coelho. Uma ilusão vendida à sociedade portuguesa com o custo elevado de destruir em definitivo a cultura, o parente pobre do estado social.
É certo que, em perspectiva, estão dois momentos díspares e descontínuos. Contudo, já ultrapassamos a interrogativa da educação para o povo, mas impera uma nova interrogativa: Deve-se dar ao povo cultura?
Segundo dados do Eurostat, o peso do emprego cultural em Portugal, na população activa, representava pouco mais de 19%, ficando em penúltimo lugar, apenas à frente da Roménia. Em contraste, os países com mais população em idade activa têm trabalho no sector: Bélgica a liderar, de seguida Suécia e Finlândia.
Para além da Europa da crise, eis que surge outra Europa. O sector criativo europeu sobe em flecha; cresceu só nos últimos anos cerca de 10% e representou uma taxa de emprego fixada entre 25% a 30%. A Europa prepara-se para fazer o maior projecto do mundo relativo ao fomento cultural - o programa Europa Criativa, orçado em 1,8 mil milhões de euros. O sector cultural simboliza um forte potencial produtivo, em permanente ascendência, podendo ser encarado como uma forma de combate à crise. Capitalizando o valor humano, criativo e patrimonial.
Apesar do "boom" na expansão das políticas culturais europeias e consequente investimento num sector estratégico, Portugal contrasta com este clima.
O Estado, enquanto promotor cultural, entrega nas mãos das fundações os seus deveres, para mais tarde criar o conceito de “subsidiodependência”. Desta feita, “O Estado (…) ” demagogicamente não cumpre os seus deveres de “ (…) promover a democratização da cultura, incentivando e assegurando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação cultural.” (Constituição da República, Cap. III Art. 73) Como preenche de vazio e de ideias erráticas o sector, desmantelando os profissionais e instituições.
Investir em cultura é uma das formas de capacitar o capital intelectual e valorizar um sector de tamanha importância. Por isto, torna-se imperativa a urgente discussão alargada sobre o real valor cultural e precedente sensibilização.
“E se é evidente que o Estado deve à cultura o apoio que deve à identidade de um povo, esse apoio deve ser equacionado de forma a defender a autonomia e a liberdade da cultura", como diria Sophia de Mello Breyner.

in P3