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terça-feira, 22 de novembro de 2011

O “Parque Escolar” visto do prisma menos bom



  O “Parque Escolar” é uma obra de grande contributo para o ensino em Portugal. A modernização das infra-estruturas é uma necessidade básica para garantir um bom funcionamento do ensino público. As escolas anteriores tinham graves défices de conforto, muitas delas sofriam de problemas de infiltrações com péssimas condições nas salas de aula, como é o caso da Escola Secundária de Marco de Canaveses.
  Contudo existiram algumas falhas no nível de gerência do projecto Parque Escolar, por exemplo, é de salienta-se a derrapagem que está  fixada em cerca de dois mil milhões de euros. Os fundos de financiamento do projecto são: QREN (fundos comunitários), PIDDAC (orçamento de estado) e BEI (banco europeu de investimento). No que para sustentar a dívida tais fundos de investimento não chegam e as escolas terão de pagar 1,65 euros por metro quadrado mensalmente ao “Parque Escolar”, cerca de 50 milhões de euros em rendas só do ano de 2011. Contudo existem alguns pontos que de facto poderiam ter sido melhor controlados e alguns evitados. O “Parque” é a quinta empresa, actualmente, mais endividada do país.    
   Aliás as derrapagens nas obras públicas são uma situação que nos preocupa a nós jovens. A falta de transparência nos concursos públicos e os desajustes orçamentais são insustentáveis para um país democrático. Em Portugal a criação de legislação que responda a essa problemática e o aumento de rigor nas contas públicas deverá ser fortemente discutido pelas instâncias governamentais devidas.
  Uma outra marca de sucesso da anterior governação foi a forte aposta nas energias renováveis, como fontes eficientes que servem de alternativa às energias fósseis. A criação de legislação para obrigar os novos edifícios a terem como requisito a eficiência energética é uma medida coerente, proveitosa e consciente.
  Actualmente as energias renováveis são viáveis financeiramente, embora Portugal ainda seja um grande utilizador do ar condicionado. A nível mundial a utilização desse sistema de climatização interna diminuiu cerca de 10%, a nível Europeu a baixa situou-se nos 25% enquanto a nível nacional a baixa fixou-se nos 7%. O “Parque Escolar” foi uma das principais causadoras para que essa redução não se efectivasse. De salientar que a maioria das novas escolas tenham como principal fonte de climatização o ar condicionado, um método errado na eco eficiência dos novos edifícios.
  A aplicação de painéis solares está a ser efectivada, de momento, em escolas piloto para aprimorar o grau de rentabilidade. Questiona-se o facto de o projecto não ter desde o inicio fomentado a prática de escolas auto eficientes (escolas-piloto), o que não aconteceu e é de condenar. Os novos edifícios actualmente têm instalado sistemas de ar condicionado que não são em nada sustentáveis e são uma completa antítese das políticas de eficiência ambiental da anterior governação de José Sócrates.
  De referir do Parque Escolar será também a falta de transparência que existiu na contratação de equipas que fizeram os projectos das escolas, no que uma mesma equipa de arquitectos chegou a ter 11 empreitadas, uma realidade descabida e completamente errada, em nada democrática, os ajustes directos em alternativa aos concursos públicos são nefastos para uma concorrência leal.
   O projecto “Parque Escolar” foi um investimento útil, embora também se tenha de ver tal projecto pelo prisma menos bom, para que sirva de exemplo em projectos públicos vindouros.


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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Os MEUS paradigmas económicos


Antes de mais, peço desculpa pelo conteúdo básico/nulo ao nível técnico na área económica. Apresento apenas uma visão pessoal que carece de confirmação/acreditação científica.

Crescimento vs Eficiência
Um aspecto fulcral na nossa sociedade contemporânea é o crescimento económico. A necessidade obsessiva de apresentar resultados líquidos que demonstrem expansão, saúde financeira, pulsar industrial e produtividade agrícola. Ora, pessoalmente, todas estas condições são importantes e, realmente, sinónimo de desempenho global positivo. Na minha óptica, mais que uma exacerbada importância ao crescimento é necessário atribuir uma crescente preponderância à eficiência. Este termo, quando aplicado na sua completa acepção, pode também ter como resultado o crescimento económico. Considero ser primordial criar uma sociedade eficiente: ao nível energético, ao nível dos recursos (finitos ou renováveis), ao nível profissional, ao nível pessoal... Em todos os aspectos do nosso quotidiano conseguimos cumprir os nossos deveres (e até os tempos de lazer) de forma eficiente: o mínimo de recursos para o melhor resultado possível. Este paradigma é, a meu ver, essencial para a sobrevivência da própria espécie humana a longo prazo. A eficiência é um termo que deve ser intrínseco a toda a actividade humana e, no contexto económico e financeiro, pode gerar crescimento: baixando custos e utilização de recursos, mantendo (ou até aumentando) um patamar de produção/extracção/prestação de serviços forte e constante.

Lucro vs Lucro Justo
A questão do lucro (enquanto resultado líquido positivo de uma transacção) em si mesmo deveria ser proibido. Deveria ser substituído pelo termo Lucro Justo. Com isto quero dizer que quando uma entidade cobra um serviço, transacciona um bem ou extrai uma matéria prima deveria projectar a margem de lucro de uma forma sustentável e socialmente responsável. Assim, por exemplo, quando eu pago a minha tv por cabo o lucro que a operadora deveria incluir fatias como, por exemplo: custos manutenção, custos de apoio ao cliente, custos de pessoal, investimentos na rede de serviços, investimento em formação de pessoal, investimento na qualidade e eficiência do serviço prestado, custos de publicidade e marketing, etc. Tudo isto para exemplificar que a margem de lucro deve englobar uma visão sustentável da instituição, permitindo a sua optimização e expansão, mas não permitir uma liberdade tal que origine lucros e dividendos astronómicos desnecessários e supérfluos. De forma sucinta: existência de uma economia liberal ética. Ninguém necessita ter um vencimento mensal de 30 000€!! Ninguém PRECISA, muitos têm esse luxo acessório, mas é apenas isso, conseguiriam viver confortavelmente com muito menos. Abdicando do lucro máximo agora (e respectivos prémios de gestão absurdos) podemos construir um lucro justo amanhã, permitindo uma menor desigualdade social!!

O planeta não é meu nem teu... O planeta é de todos nós: também de aqueles que ainda não são, mas um dia serão!! A esses deixamos o nosso legado... Que desejo de equidade, justiça, meritocracia, eficiência e prosperidade!!