quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Tomada de Posse

João Torres, Bruno Caetano, Miguel Carneiro e Artur Melo

Ocorreu no passado sábado a tomada de posse dos novos órgãos da Juventude Socialista do Marco de Canaveses. Eu, como parte integrante desta equipa, não podia estar mais orgulhoso ao sentir o apoio das muitas pessoas que encheram o Salão Nobre da Junta de Freguesia de Soalhães. O trabalho que foi desenvolvido ao longo de todos estes anos ficou nessa noite em evidência e o balanço é imensamente positivo. Hoje, a JS do Marco de Canaveses é encarada como um exemplo e um forte aliado nas lutas politicas que diariamente são travadas por todos os jovens portugueses. 

Salão Nobre da Junta de Freguesia Soalhães repleto

Forte abraço de Artur Melo a Miguel Carneiro

Mas esta equipa tem muito mais a acrescentar. O entusiasmo vivido por aqueles que agora tomaram posse, a vontade em realizar um trabalho construtivo e coerente, a necessidade de apresentar propostas estruturantes só se compara à forte união vivida por este grupo. 

Miguel Carneiro apresenta os objectivos do seu mandato.

Estão reunidas todas as condições para que os nossos objectivos se tornem rapidamente em realidades. Aqui, remamos numa só direcção. 

Troca de impressões entre Miguel Carneiro, Bruno Caetano e Agostinho Pinto.

Para finalizar, quero aqui deixar um forte abraço ao Bruno Caetano que durante o seu mandato deu provas da qualidade da juventude marcoense. Como o próprio frisou, não se trata de uma despedida e contaremos sempre com ele na hora de defender o Marco de Canaveses.

Entrevista a Miguel Gonçalves





Numa altura em que os portugueses são inundados por notícias negativas, é importante saber reagir. A Renascença foi saber qual a melhor atitude a tomar para contornar as adversidades. É o lado positivo da crise.

Trabalhar muito e trabalhar com paixão são os principais conselhos que Miguel Gonçalves dá a quem quer dar a volta à crise. O empresário e criativo ficou conhecido do público quando participou no programa da RTP “Prós e Contras”, onde defendeu que as pessoas têm que mostrar o que valem e “bater punho” para singrar no mercado de trabalho. Em entrevista à Renascença, sublinha que os momentos de crise representam oportunidades. No final, deixa mais uma daquelas frases que ficam: "Ou estás em casa a chorar ou estás na rua a vender lenços".


Que conselhos dá às pessoas que estão a passar por tempos difíceis com esta crise? 

Neste momento, parece-me oportuno as pessoas perceberem que têm de gostar daquilo que fazem. Têm que desenvolver esse conceito de paixão. Se gostas do que fazes, fazes mais; se fazes mais, fazes melhor; eventualmente, se fazes melhor, és mais bem pago por isso. Portanto, uma das grandes sugestões que se pode dar a quem quer trabalhar é fazê-lo numa área em que sintam carinho e bastante paixão - e, por inerência, competência - por aquilo que fazem. 


Mas nem sempre os empregos disponíveis são os que mais nos agradam. Enquanto não os encontramos, como é que devemos olhar para a frente, que acções devemos desencadear? 

Depende muito da pessoa de que estamos a falar, se é um recém-licenciado de 25 anos ou uma pessoa de 40. Entrar e sair do mercado de trabalho é, neste momento, uma constante, faz parte. ‘It´s the nature of the game’. Para quem está a trabalhar e não está a fazer aquilo que gosta, uma boa opção será distribuir parte do seu tempo para desenvolver actividades que lhes permitam, a médio ou longo prazo, entrar no mercado onde precisamente querem trabalhar. Se por qualquer motivo ainda não conseguiste criar uma oportunidade na área, no negócio, no mercado onde queres trabalhar, trabalha das nove às três ou às quatro numa área que te permita pagar contas e a partir daí, até ao final do dia, trabalha no sonho, na paixão. 


É ver a crise também como uma oportunidade? 

Passa muito por isso. Todos os momentos de suposta dificuldade ou de constrangimentos acabam por ser momentos de oportunidade para algumas pessoas. A realidade acaba por ser a mesma para toda a gente, portanto, passa muito por acreditar que existem oportunidades. É o primeiro passo: isto não é uma situação dramática, onde caíram todas as pragas do Egipto. Faz sentido considerar que há muitas oportunidades e que, ao limite, depende de cada um criar essas mesmas oportunidades, porque elas existem. Não se pode desistir. Eventualmente, é preciso ser um pouco mais persistente. Se há dois ou três ou cinco anos trabalhávamos com taxas de conversão maiores – ou seja, ter-me apresentado a cinco empresas e ter gerado uma oportunidade –, hoje terás que te apresentar a 10 ou a 15 ou a 20 ou a 30 para gerar uma mesma oportunidade. Portanto, tem é que se redobrar a persistência. 


E dentro das empresas? Devem empregados e empregadores unir esforços para evitar ou enfrentar as dificuldades? 

O que vemos nas empresas é que elas só despedem alguém se a pessoa de facto não for produtiva. Quando estamos a falar de uma pessoa que é produtiva, que gera valor, que gera riqueza, um empresário à partida não tem nenhum interesse em despedir essa pessoa - só se não tiver outra alternativa. Vemos recentemente que, em virtude de novas leis, será mais fácil despedir pessoas. Ok, podemos considerar que é mais fácil despedir, mas também podemos fazer a leitura oposta: espera aí, a partir de agora será mais fácil contratar pessoas. O mercado estará mais liberalizado e, por inerência, será mais fácil contratar pessoas. Penso que essa é a leitura que deve ser feita. E vemos, em algumas organizações, como de software e indústrias criativas, um conjunto de soluções que as empresas estão em marcha para motivar mais os colaboradores e de facto introduzirem maiores índices de geração de riqueza - por exemplo, iniciativas como ‘profit sharing’. Há empresas que estão a fazer distribuição de lucros com os seus colaboradores. 


Isso quer dizer que, antes de entrar em dificuldades, as empresas podem desde logo desencadear acções para motivar mais os seus trabalhadores e retirar daí maior produtividade? 

Podem e estão a fazê-lo. As empresas estão a fazê-lo. As empresas não estão mortas, estão cada vez mais aguçadas. Estes momentos de dificuldade aguçam e limam o mercado. Quem não está bem eventualmente terá de sair do jogo, mas estes contextos faz com que as empresas tenham de pensar melhor e tenham que ser mais focadas e centradas nos seus objectivos. Vejo que isso está a acontecer, pelo menos com as empresas com quem tenho trabalhado. 


Existe algum conselho que queira dirigir à população em geral, tendo em conta que Portugal no seu todo vive dificuldades? 

É preciso trabalhar muito. Este não é o momento particularmente oportuno para gente que anda a ver e apenas a apalpar e a sentir o mercado. É preciso trabalhar mesmo mesmo muito, colocar em consideração o facto de o mercado neste momento não ter muito espaço para amadores. Tens duas opções: ou estás em casa sentado a chorar ou estás de pé, na rua, a vender lenços. Faz parte compreender que este momento de dificuldade é também um momento de oportunidade e de crescimento.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Os Professores por José Luís Peixoto


O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.

O material que é trabalhado pelos professores não pode ser quantificado. Não há números ou casas decimais com suficiente precisão para medi-lo. A falta de quantificação não é culpa dos assuntos inquantificáveis, é culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva. O trabalho dos professores é a generosidade.

Basta um esforço mínimo da memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores, os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O acto que praticam é igual ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram há séculos ou há décadas. O conhecimento que enche as páginas dos manuais aumentou e mudou, mas a essência daquilo que os professores fazem mantém-se. Essência, essa palavra que os professores recordam ciclicamente, essa mesma palavra que tendemos a esquecer.

Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. Vemo-los a dar forma e sentido à esperança de crianças e de jovens, aceitamos essa evidência, mas falhamos perceber que são também eles que mantêm viva a esperança de que todos necessitamos para existir, para respirar, para estarmos vivos. Ai da sociedade que perdeu a esperança. Quem não tem esperança não está vivo. Mesmo que ainda respire, já morreu.

Envergonhem-se aqueles que dizem ter perdido a esperança. Envergonhem-se aqueles que dizem que não vale a pena lutar. Quando as dificuldades são maiores é quando o esforço para ultrapassá-las deve ser mais intenso. Sabemos que estamos aqui, o sangue atravessa-nos o corpo. Nascemos num dia em que quase nos pareceu ter nascido o mundo inteiro. Temos a graça de uma voz, podemos usá-la para exprimir todo o entendimento do que significa estar aqui, nesta posição. Em anos de aulas teóricas, aulas práticas, no laboratório, no ginásio, em visitas de estudo, sumários escritos no quadro no início da aula, os professores ensinaram-nos que existe vida para lá das certezas rígidas, opacas, que nos queiram apresentar. Se desligarmos a televisão por um instante, chegaremos facilmente à conclusão que, como nas aulas de matemática ou de filosofia, não há problemas que disponham de uma única solução. Da mesma maneira, não há fatalidades que não possam ser questionadas. É ao fazê-lo que se pensa e se encontra soluções.

Recusar a educação é recusar o desenvolvimento.

Se nos conseguirem convencer a desistir de deixar um mundo melhor do que aquele que encontrámos, o erro não será tanto daqueles que forem capazes de nos roubar uma aspiração tão fundamental, o erro primeiro será nosso por termos deixado que nos roubem a capacidade de sonhar, a ambição, metade da humanidade que recebemos dos nossos pais e dos nossos avós. Mas espero que não, acredito que não, não esquecemos a lição que aprendemos e que continuamos a aprender todos os dias com os professores. Tenho esperança.


José Luís Peixoto in revista Visão (Outubro, 2011)